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O verão quarenta graus em Pinheiral

Matéria publicada em 5 de fevereiro de 2019, 08:21 horas

 


Cidade é a menos equipada para enfrentar o calor

Pinheiral: O chafariz da praça secou há muito tempo – Foto: Arquivo

O verão deste ano é um dos mais quentes dos últimos anos, a temperatura anda em torno dos 40 graus e quem não tem um aparelho de ar refrigerado sofre. Pinheiral, que já teve clima de montanha, agora parece uma sucursal do inferno. Dá pra fritar ovo no asfalto e lá não tem as amenidades de outras cidades da região. Se o leitor der um passeio por Barra do Piraí, Volta Redonda ou Barra Mansa vai ver que essas cidades preservaram as margens do rio Paraíba. Lá existem calçadas para as pessoas caminharem no final da tarde, recebendo o ar fresco que vem do rio e olhando as cores do poente.
Em Pinheiral as margens do rio foram loteadas e cercadas. O único lugar perto do centro de onde se pode chegar à margem do rio é em uma rua empoeirada ao lado do campo do Capitólio, o resto é só muro e cerca. Outra coisa que falta em Pinheiral é um lago ou um chafariz na praça central. Em Pinheiral construíram um na Praça Teixeira Campos onde não tem água há mais de cinco anos. O revestimento impermeável já rachou com o calor e o mato cresce em cima da fonte onde tem um anjinho, coitado, que ainda não viu água nesta década.
Quem mais sofre são os bichos, outro dia vi um cachorro de rua bebendo água misturada com detergente que tinha escoado da lavagem de um carro. Como não havia outro lugar com água ali no centro ele bebeu água com sabão mesmo. Teve uma época em que o bebedouro deles era embaixo da antiga caixa de água da estação do trem, onde os bichos se refrescavam em uma goteira que tinha lá. Não tem mais, taparam a goteira.
Quem conheceu Pinheiral nas décadas de 1960 e 1970 tem um choque quando vai lá hoje em dia. Como uma antiga moradora que conheci há dois anos, ela definiu a situação dizendo: “Pinheiral esta um lixo”. Agora além de lixo esta um forno. Uma parte do problema vem dos prefeitos, cada um pior do que o outro. Eles adoram destruir o que já existe para fazer de novo e sempre fazem pior, como as praças Brasil e Teixeira Campos, que eram gramadas. Até que veio um prefeito, mandou destruir tudo e cimentou as duas praças. O cimento reflete o calor do sol, ao contrário do antigo gramado, e contribui para a sensação térmica de quase 50 graus centigrados.
Tenho saudade da Praça Brasil nos anos de 1960, onde tinha um lago com peixes coloridos, onde hoje só tem cimento. Arrasaram Pinheiral e o povo também é culpado, porque elegeu maus políticos e se calou quando eles transformaram uma cidade bonita e agradável nesse deserto empoeirado dos dias de hoje.
Eu, como apreciador da ficção científica, me sinto um personagem do filme britânico “O dia em que a Terra se incendiou”. É um filme catástrofe de 1961 que passou no cinema Odeon, ao lado do lago com peixes ali na Praça Brasil. No filme testes atômicos simultâneos dos Estados Unidos e União Soviética tiram nosso planeta de sua órbita. E a Terra começa a se aproximar do Sol produzindo um calor infernal na cidade de Londres.
O herói do filme é um repórter do jornal Daily Express que cobre o desastre a partir da redação do jornal na Fleet Street. O filme foi parcialmente rodado na redação do jornal, numa época em que não existiam computadores e as redações ressoavam com o matraquear das máquinas de escrever e dos teletipos trazendo as notícias em tempo real.
No filme os londrinos são obrigados a usar roupas de praia na cidade para suportar a temperatura escaldante. E perto dos maiôs discretos dos anos 60, os shorts e mini-saias de hoje até que são mais sumários. Como o repórter do filme, eu passo a maior parte do dia na redação de um jornal, mas o Diário do Vale tem uma vantagem sobre o Daily Express britânico, aqui temos um ótimo ar refrigerado!


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8 comentários

  1. Avatar

    O Escritor queria que Pinheiral parasse no tempo.
    Li uns 3 textos sobre Pinheiral neste Jornal que deixa claro a insatisfação com a evolução do tempo.
    Veja quantos habitantes tinha a cidade há 30 anos e quantos tem hoje.
    Veja qual a atividade profissional da população de Pinheiral hoje e como era há 30 anos.

    Pinheiral tem o IFRJ, que apesar de Federal, é um patrimônio da cidade. Existem moradores que praticam esporte nos finais de semana, escolas municipais utilizam as dependências do IFRJ quando necessário, como ocorre com auditório. Fiquei sabendo que foi aprovado mais um curso de Graduação, etc. Lá a comunidade da escola se preocupa em levar a cidade para dentro da escola. O que não vejo aqui em Volta Redonda. Escolas fechadas, onde o único projeto é a aula tradicional no tempo obrigatório e nada além disso.

    Enfim, sou de Volta Redonda, amo minha cidade. Gosto de Pinheiral, acho uma cidade tranquila, que vem se modificando com o tempo, o que é normal. Acho bacana quando vejo a garotada de VR querendo estudar em Pinheiral no IFRJ.

    Acho que a modificações têm pontos positivos e negativos. E assim segue a vida…

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    Calife só fala mal de pinheiral. Muda pra Venezuela, lá que é legal.

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    O mal de Pinheiral tem um nome: emancipação… Um lugar que não tem qualquer estrutura de cidade, não tem arrecadação própria, funcionando na prática como um bairro de Volta Redonda… Tudo o que Calife disse ter saudade é da época do antigo distrito de Piraí…

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    Calife, espere até Pinheiral eleger um prefeito do PT, aí você vai ver o que é desgraça…

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    “……Uma parte do problema vem dos prefeitos, cada um pior do que o outro. Eles adoram destruir o que já existe para fazer de novo e sempre fazem pior….”

    Perfeito. No Brasil não existe continuidade e nem manutenção do que já existe e funciona bem.

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      No Brasil , tem mania de trocar ao invés de manutenção.

      Exemplo:

      Escola Técnica está linda, depois que pintaram, arquitetura original, belíssima, cheia de detalhes e arejada.

      Pena que outros prédios históricos da época, não mantiveram a arquitetura original, fizeram um monte de puxadinho e reformas que não harmonizam com os prédios.

      Teve uma época que tiravam madeira de lei das janelas para por esquadrias de alumínio; trocavam móveis de lei por compensado ; jardim por cimento, telhado de cerâmica, por amiantro; taco de madeira por carpete; enfim o durável e fresco pelo descartável e quente que se diz estar na moda.

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