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O vírus Zika e o pesadelo da epidemia global

Matéria publicada em 12 de fevereiro de 2016, 07:15 horas

 


Surto mostra como somos vulneráveis aos novos vírus; há três anos ninguém tinha ouvido falar desse vírus

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A propagação do vírus Zika pelo mundo levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar um alerta global. E traz de volta o pesadelo de uma epidemia mundial. Há três anos ninguém tinha ouvido falar desse vírus. Ele começou a aparecer no Brasil no ano passado e ninguém deu muita importância. Até ser mostrada a relação entre a infecção e o nascimento de crianças com microcefalia. O Zika é um vírus traiçoeiro, ele provoca umas manchas no corpo, uma febre moderada e as vezes até passa despercebido. Mas o modo rápido como ele surgiu e se espalhou pelas Américas traz de volta o pesadelo de uma epidemia global.

Meus avós contavam histórias sobre a epidemia de gripe espanhola. Que matou 5% da população do planeta em 1918. Tratava-se de uma variedade do temível vírus H1N1 que se espalhou pelo mundo, a partir da Europa, no final da Primeira Guerra Mundial. Como a Europa estava em guerra a censura impediu que se noticiasse o avanço da epidemia em países como Alemanha e França. Só a Espanha, que não censurou as notícias sobre a gripe mortal, divulgou abertamente o número de casos. Dando a impressão de que a gripe tinha surgido na Espanha, o que não é verdade.

A gripe espanhola poupava os idosos e as crianças e matava mais os adultos jovens. O que é bem incomum para uma doença mortal. Estudos modernos, feitos na Inglaterra, concluíram que o vírus matava através de uma “tempestade de citoquina”, uma reação extrema do sistema imunológico da pessoa. Como as crianças e os idosos têm o sistema imunológico mais fraco eles sobreviviam. Enquanto a forte resposta imune dos adultos destruía o organismo. O fato é que o vírus matou 100 milhões de pessoas chegando até em regiões remotas, como o Ártico e as ilhas do oceano Pacífico. Meus avós falavam em pessoas sendo enterradas em valas comuns porque não havia mais espaço nos cemitérios.
No passado

Detalhe. Isso aconteceu em 1918, quando o transporte aéreo ainda engatinhava e as viagens eram feitas em navios lentos, que levavam semanas para atingir seus destinos. Hoje os vírus pegam carona nos modernos aviões a jato e uma epidemia mundial se espalharia pelo planeta em poucos dias. O Zika não é tão mortífero quanto o H1N1 de 1918, mas vai criar uma legião de crianças com problemas de cegueira e cérebros lesados. O que vai sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde dos países pobres da nossa América Latina.

Até aqui temos tido sorte. O Ebola é mortal, mas não se propaga pelo ar como os vírus da gripe e do resfriado. Por isso a epidemia do Ebola pode ser contida nos países do leste da África onde matou 11 mil pessoas entre 2013 e 2015. Em 2009 o mundo passou por um susto com a gripe suína, originaria da China. Era uma nova variedade do temível H1N1 que chegou a provocar 17 mil mortes no início de 2010.

Os vírus possuem uma alta capacidade de mutação e novas variedades estão sempre surgindo. As vezes um vírus passa séculos vivendo no corpo de animais como morcegos e macacos, sem causar danos. Até que um dia ele consegue criar uma ponte para o organismo humano. E se torna mortal em seus novos hospedeiros. A maioria dos futurólogos lista uma epidemia causada por novos vírus, naturais ou artificiais, como uma das maiores ameaças a humanidade. Ao lado da guerra nuclear e da mudança climática.

Por sinal o aquecimento do planeta ajuda na propagação desses assassinos microscópicos. Veja o caso da dengue e do Zika. Eles são transportados pelos mosquitos Aedes aegypti, que só vivem em clima tropical. Países frios, como o Canadá e o Chile estão livres do mosquito e dos vírus que ele transporta. Mas se o planeta ficar mais quente os mosquitos podem invadir a Europa e os Estados Unidos.

Nossa defesa por enquanto é a ciência. Daí a importância do ensino da teoria da evolução nas escolas. Ela é a base para a formação de novos virologistas e para a compreensão de como os vírus evoluem e se propagam.

Ameaça: O vírus Zika se espalhou rapidamente

Ameaça: O vírus Zika se espalhou rapidamente

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    O tão propalado Deus misericordioso continua a mandar pragas para seus amados filhos. Por outro lado, tenho a impressão de que esse tal de Zika Virus foi criado pelo Congresso e os nosso governantes, a fim de se desviarem as atenções voltadas para a alta corrupção de que são autores. Faz sentido!

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