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Os erros do novo filme de Star Wars

Matéria publicada em 26 de janeiro de 2016, 13:37 horas

 


Tecnologia do filme de J. J. Abrams contradiz as leis da Física; primeiros filmes eram mais cuidadosos

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O último filme de Guerra nas Estrelas foi um sucesso de bilheteria aqui no Brasil. Mas muitos fãs lá no exterior não deixaram de reclamar dos furos no roteiro. Na verdade buracos tão grandes que dariam para enfiar o destroyer estelar do vilão. Tudo bem que Star Wars não é um filme de ficção “hard”, tipo “Interestelar” ou “Perdido em Marte”. Mas os primeiros filmes eram mais cuidadosos com a criação das regras e leis daquela galáxia muito, muito distante.

No primeiro filme, de 1977, Han Solo, o personagem do Harrison Ford, dizia que era preciso calcular com cuidado os saltos da nave no hiperespaço. “Do contrário garoto, você pode colidir com um planeta ou emergir dentro de uma estrela”, dizia ele. J. J. Abrams, o diretor de “Star Wars – O Despertar da Força”, parece que nunca viu o primeiro filme da saga. No novo filme a Millenium Falcon pula para dentro da atmosfera dos planetas, sem qualquer cálculo ou preparação.

Mesmo no universo de Star Wars, que é bem diferente do nosso, isso seria fatal. Naves espaciais voam bem mais rápido do que os aviões. A Apollo 11 atingiu uma velocidade de 40 mil quilômetros horários a caminho da Lua. As sondas espaciais Voyager atingiram 100 mil quilômetros horários para sair do sistema solar. Não sabemos qual é a velocidade da Millenium Falcom no espaço normal, mas podemos ter certeza de que é bem maior do que 100 mil quilômetros horários. Afinal, ela viajou de Hoth até aquele campo de asteroides em menos de uma hora.

Agora, imagine a Millenium Falcon viajando a essa velocidade dentro do hiperespaço, que é exatamente como o interior de um wormhole. Lá dentro tem um vácuo igual ao vácuo que existe entre os planetas. Se a nave saísse desse vácuo diretamente para a atmosfera de um planeta, como mostrado no filme, seria esmagada instantaneamente. O ar a essa velocidade seria tão denso quanto uma parede de tijolos. A nave seria feita em pedaços e a energia cinética liberada queimaria o que sobrasse como um meteoro.

George Lucas podia ter os seus defeitos, mas ele tinha uma noção mínima de ciência. Suas naves podiam fazer barulho no vácuo do espaço (onde não existe som) e dar guinadas bruscas como os aviões. Mas ele sabia, instintivamente, que uma nave precisa reduzir a velocidade antes de enfrentar a atmosfera de um planeta. O avião mais rápido que já existiu, o SR-71 Blackbird americano, tinha uma estrutura de titânio para resistir ao calor gerado pelo atrito com o ar. E mesmo assim sua velocidade não passava de Mach 3 (em torno de três mil quilômetros por hora).

No cinema moderno se você não pode fazer nada de novo, faz maior e mais barulhento. A Estrela da Morte do George Lucas era uma estação espacial do tamanho de uma lua! Parece que isso não é suficiente para o J. J. Abrams, daí que no filme dele tem uma Estrela da Morte do tamanho de um planeta. Que suga a matéria de estrelas inteiras, como se fosse um buraco negro estelar.

Modernos

Tudo bem, os filmes modernos exigem que o espectador desligue seu cérebro. Mas vamos religar nossos cérebros aqui nesta coluna. Se a nova Estrela da Morte sugar toda a massa de uma estrela, essa massa não vai sumir simplesmente em um ralo. Vai ser incorporada à massa daquele planeta. E o que acontece com um corpo celeste se a sua massa aumentar exponencialmente? A gravidade dele aumenta, afinal, gravidade é um resultado da massa. A primeira consequência é que todos aqueles personagens, heróis e vilões seriam achatados como panquecas.

E em seguida a base Starkiller se transformaria em um buraco negro. Que é o que acontece com astros que sugam a massa de várias estrelas.

J. J. Abrams e seu roteirista, Lawrence Kasdan estão precisando urgentemente de um curso básico de Física e Astronomia.

Falcom: Bater em árvores é o menor dos problemas

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    Convenhamos…. O filme é muito melhor que essa coluna

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      Seu “coveiro”, no buraco onde você vive não vai fazer diferença o filme ou está coluna! Seu cérebro é de minhoca mesmo!!!!! KKKKKK!!

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