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Os espiões da Amazônia

Matéria publicada em 26 de novembro de 2019, 10:05 horas

 


Engenhos espaciais registram a destruição progressiva do Brasil; governo vem tentando censurar imagens transmitidas por satélites

Na semana passada relembrei aqui nesta coluna a origem militar dos satélites de monitoração do planeta. Hoje gostaria de examinar com mais detalhes os satélites usados pelo PRODES, o programa de observação da Terra executado pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais do Brasil). O programa que monitora o desmatamento da região amazônica usa três satélites de recursos terrestres. O maior deles é o Landsat 8, que foi lançado ao espaço no dia 11 de fevereiro de 2013 e faz parte de um programa de monitoração da Terra dividido entre a agência espacial americana, NASA, e o Serviço de Pesquisa Geológica do governo norte-americano.
O Landsat 8 tem dois sensores que permitem captar imagens em diferentes comprimentos de onda. Incluindo a radiação infravermelha, emitida pelas áreas de maior calor. O que é ótimo para monitorar incêndios. Esses sensores são o OLI (Operational Land Imager) e o Sensor Térmico Infravermelho (TIRS). Embora tivesse uma vida útil prevista para cinco anos, o Landsat 8 tem combustível suficiente para funcionar durante dez anos. É o oitavo satélite de uma família destinada a fornecer imagens multiespectrais de todo o planeta a um custo zero, e disponível para o público do mundo inteiro.
Suas imagens têm uma resolução de 30 metros, que é mais do que suficiente para detectar incêndios e todo tipo de alterações na superfície da Terra. Mesmo assim o programa do Inpe conta com um satélite de visão ainda mais aguçada do que o Landsat americano. É o CBERS-2B, ou Satélite de Recursos Terrestres China-Brasil, que foi lançado ao espaço no dia 19 de setembro de 2007 por um foguete Longa Marcha 4D disparado do centro espacial de Taiyuan na China.
O CBERS é o terceiro satélite de um programa conjunto desenvolvido pelo Inpe em cooperação com a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial. Ele tem um conjunto de sensores multiespectrais, como o Landsat americano, mas o melhor de todos é uma câmera de alta resolução, com imagem pancromática que permite obter fotos com uma resolução de apenas 2,7 metros, escaneando uma área de 27 quilômetros de largura. O que torna totalmente infundada a afirmação do ministro do meio ambiente do governo Bolsonaro, de que os “satélites do Inpe não conseguem distinguir uma fogueira de um incêndio”. Dá pra distinguir sim, principalmente com a câmera HRC do CBERS-2B.
O terceiro elemento da frota espacial que monitora as queimadas é um satélite indiano de recursos terrestres, o IRS-2, que foi desenvolvido para monitorar a expansão urbana e a destruição do meio ambiente no subcontinente indiano. Atualmente, o programa espacial da Índia já enviou sondas espaciais para a Lua e o planeta Marte. Mas, quando o programa de sensoriamento remoto daquele país começou, os indianos precisaram contar com o apoio da Rússia, assim como o Brasil fez com a China.
Assim os satélites da série IRS (India Resources Satellite – Satélite de Recursos da Índia) foram lançados da base de Baikonur, no Cazaquistão, e colocados em uma órbita polar por foguetes russos. O IRS tem sensores de imagens com uma resolução de 36 metros, um pouco menor que a do Landsat americano, mas, eficiente para a maioria das necessidades. Todos os satélites de monitoração da Terra são colocados em órbitas polares. O que permite que eles sobrevoem todas as regiões do planeta enquanto a Terra gira embaixo deles. Eles são diferentes dos satélites de monitoração do clima, como os da série GOES, que ficam em uma órbita estacionária, observando todo um hemisfério da Terra.
O governo brasileiro vem tentando censurar as imagens transmitidas por esses satélites. Mas, isso é impossível, porque elas podem ser captadas por centros espaciais de vários países e são de domínio público.

Grande: O Landast americano é o maior da frota (Foto: Divulgação)


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