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Os furacões e seus nomes

Matéria publicada em 10 de setembro de 2019, 08:00 horas

 


Tempestades como o Dorian se formam sobre os mares tropicais

Dorian: O furacão fotografado pela astronauta Christina Koch

Enquanto escrevo essas linhas o furacão Dorian continua a avançar pela costa leste dos Estados Unidos, depois de devastar as paradisíacas ilhas Bahamas. O nome deste furacão, iniciado pela letra “D” indica que é o quarto da temporada. O primeiro recebe um nome iniciado pela letra “A”, o segundo pela letra “B” e assim por diante. Os nomes são escolhidos pela agência meteorológica responsável pela área onde a tempestade ocorre. No caso dos furacões do Atlântico Norte, que atingem o Caribe e o leste dos Estados Unidos, o nome é escolhido pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Se for no oceano Índico o nome é escolhido pelo Departamento de Meteorologia da Índia, já no Pacífico oriental quem dá o nome é Agência Meteorológica do Japão.
Uma tempestade recebe um nome sempre que a velocidade dos ventos ultrapassa os 61km/h, mas nem sempre elas tiveram nomes. Quem inventou essa prática de colocar nomes em furacões e tufões foi um meteorologista australiano chamado Clement Wrage, que trabalhou na região de Queensland, no leste da Austrália, entre 1887 e 1907. Depois que ele se aposentou a prática caiu em desuso até ser retomada no final da Segunda Guerra Mundial. Como duas tempestades violentas podem se formar na mesma região, ao mesmo tempo, o nome evita confusões, permitindo que os meteorologistas façam alertas específicos para cada tormenta.
No início as tempestades recebiam nomes femininos, mas a partir da década de 1970 os nomes masculinos também foram adotados. Como foi o caso do Andrew, o furacão que devastou a Flórida em 1992. Com um nome começando pela letra “A” o Andrew foi o primeiro da temporada naquele ano. Furacão e tufão é a mesma coisa. Por convenção no oceano Atlântico essa tormentas são chamadas de furacões, no oceano Pacífico e no Índico são conhecidas como tufões. Geralmente os tufões recebem nomes orientais por serem batizados pelos serviços meteorológicos do Japão e da Índia.
Essas tempestades imensas tomam a forma de redemoinhos que podem atingir até dois mil quilômetros de largura. Elas eram desconhecidas no Atlântico Sul, onde o mar é muito frio para produzir as condições necessárias de umidade e evaporação que alimentam um furacão. Mas com as mudanças climáticas globais isso esta mudando e em 2004 o Brasil registrou o seu primeiro furacão. Foi o Catarina, um furacão de categoria 2 que atingiu a costa de Santa Catarina no dia 26 de março. Segundo a escala Saffir-Simpson um furacão de categoria 2 pode apresentar ventos de 150 a 177km/h. Por enquanto, felizmente, o Catarina é o único ciclone tropical já registrado no Atlântico Sul.
A escala Saffir-Simpson é baseada na velocidade dos ventos que a tempestade pode produzir. Um furacão de categoria 1 tem ventos com velocidades entre 119 e 153, abaixo disso ele vira uma simples tempestade tropical. Geralmente isso acontece com qualquer furacão. Depois que atingem o continente eles perdem força e são rebaixados a categoria de tempestade tropical. No caso do Dorian (que por sinal é um nome masculino) ele atingiu a categoria 5, que é o máximo da escala com ventos acima de 250 quilômetros horários ao passar pelas ilhas Bahamas. E para aumentar ainda mais o estrago o Dorian se movia lentamente e levou mais de dois dias para se afastar do arquipélago.
A medida em que o nosso planeta fica mais quente, os furacões vão se tornar mais frequentes e mais violentos. E a humanidade terá que continuar a conviver com eles.


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3 comentários

  1. Avatar

    Excelente matéria! Gostei muito!

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    Poxa! achava que tinha nome de mulher por que levava a casa é o carro do sujeito…. 🙂

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    Instrutivo, obrigado!

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