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Os oceanos escondidos de Plutão e Europa

Matéria publicada em 6 de outubro de 2016, 07:30 horas

 


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A Terra não é mais o único “planeta água”. Europa, uma das luas geladas do planeta Júpiter, e o distante Plutão, podem esconder oceanos mais ricos e profundos do que o nosso mundo. Semana passada a agência espacial americana Nasa convocou a imprensa para anunciar a evidência de jatos de vapor de água escapando do polo sul de Europa. A equipe do pesquisador Lorenz Roth, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, usou o espectrômetro de imagens do Telescópio Espacial Hubble para detectar os jatos de vapor. A descoberta ainda precisa ser confirmada por observações na faixa do infravermelho, que serão possíveis quando a Nasa lançar ao espaço o telescópio James Webb, o sucessor do Hubble em 2018.

Se a descoberta for confirmada, Europa será a segunda lua do nosso sistema solar a ter vulcões de vapor de água. Em 2005 a espaçonave Cassini detectou gêiseres na lua Encelado, do planeta Saturno. Desde as missões das naves Voyager, no século passado, que já se sabe que Europa tem uma capa de gelo toda rachada, que parece cobrir um mar de água profundo. Algumas estimativas calculam que o oceano de Europa teria 100 quilômetros de profundidade. O local mais profundo dos mares da Terra, o abismo das Marianas só tem 11 quilômetros de profundidade.

Se toda a água de Europa fosse colocada em uma esfera, ela formaria uma bola com 1700 quilômetros de diâmetro. Se fizéssemos a mesma coisa com toda a água da Terra ela formaria uma bola bem menor, com apenas 1300 quilômetros de diâmetro. O cálculo foi feito pelo Instituto Oceanográfico de Woods Hole.

Mas a Terra, Europa e Encelado não são os únicos mundos com mares de água líquida. Eles também podem existir nas profundezas de Plutão. Quando a sonda espacial New Horizons passou por Plutão, em julho do ano passado, ela fotografou uma enorme planície de gelo, com a forma de um coração branco. Agora, uma simulação em computador da formação desta planície sugere que ela nasceu da água que brotou de um oceano subterrâneo, quando Plutão foi atingido por um asteroide, no passado distante.

O estudo, liderado por Brandon Johnson, da Universidade Brown, sugere que o mar de Plutão seria feito de água muito salgada e teria 100 quilômetros de profundidade. Plutão também tem um mar de gás nitrogênio congelado, mas seu peso não explicaria o fato do pequeno planeta apontar sempre a mesma face para sua lua Caronte. O cálculo da massa de Plutão sugere um oceano de água líquida e não de gás liquefeito.

Todas essas descobertas acabam com a velha teoria dos cachinhos dourados. O nome vem do conto de fadas onde a menina de cachinhos dourados entra na casa dos três ursos e escolhe uma tigela de mingau que não estava nem muito quente, nem muito fria. Segundo a teoria, para um planeta ter água líquida e talvez vida, ele precisaria ficar a uma distância ideal de seu sol. Que permitisse temperaturas amenas, nem muito frias ou a água congelaria, nem muito quente, ou a água evaporaria.

Mas os mares de Encelado e Europa se encontram a uma distância do sol onde o frio deveria ter congelado toda a água. Por que ela não congelou? Devido as marés gravitacionais exercidas por Saturno e Júpiter. Que esticam e comprimem o interior de suas luas como se elas fossem feitas de borracha. O resultado é um calor que mantém a água líquida. Os gêiseres de Encelado e Europa também indicam a existência de atividade vulcânica, que forneceria a energia necessária para a existência de seres vivos. Como acontece na Terra, nas fumarolas do fundo do oceano, onde caranguejos e vermes gigantes criaram um habitat.

Na próxima década, em 2022, serão enviadas sondas espaciais para sobrevoar Europa e analisar seus jatos de vapor. A Nasa está construindo a nave Europa Orbiter e a Agência Espacial Europeia planeja a Juice, sigla de (Júpiter Ice Moons Explorer).

 

 Observação: Jatos de vapor brotam do polo sul de Europa


Observação: Jatos de vapor brotam do polo sul de Europa

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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