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Os olhos que nos observam do espaço

Matéria publicada em 22 de novembro de 2019, 15:37 horas

 


Satélites de monitoração nasceram da espionagem durante a Guerra Fria

O mundo ficou sabendo, esta semana, que o desmatamento na Amazônia aumentou em 29,5% e é o maior já registrado desde 2008. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foram destruídos 9.762 quilômetros quadrados de floresta, um recorde em relação aos anos anteriores. Desde que esses dados começaram a ser publicados, em agosto deste ano, o governo brasileiro tem tentado desqualificar os cientistas e os relatórios. Em uma reunião nos Estados Unidos o atual ministro do Meio Ambiente disse que “os satélites do Inpe não conseguem distinguir entre um incêndio e uma fogueira na selva”. Na verdade os satélites usados nesses estudos são muito mais sofisticados do que o ministro pode imaginar.
A tecnologia de monitoramento da Terra começou na Guerra Fria, e se beneficiou dos avanços obtidos durante a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética. Os americanos precisavam obter fotos e informações sobre o arsenal nuclear soviético. Até 1959 isso era feito com aviões do tipo U-2. Que voavam a mais de 22 quilômetros de altura e, em teoria não poderiam ser abatidos pelos caças da Força Aérea Soviética. Mas, em maio de 1960, os americanos tiveram um choque quando um míssil soviético derrubou o U-2 pilotado por Francis Gary Powers. Um piloto da CIA, que foi capturado pelos russos.
Diante da vulnerabilidade do U-2, a CIA desenvolveu dois tipos de satélites espiões, que poderiam fotografar a Rússia de uma altura inatingível pelos mísseis antiaéreos. O primeiro desses satélites iniciou a série Corona, conhecida publicamente como Discoverer. Os Coronas levavam uma câmera especial, desenvolvida pela empresa Kodak, que tirava fotos com uma resolução de 170 linhas por milímetro. Quando ampliadas essas fotos permitiam ler a placa de uma carro estacionado em uma rua de Moscou.
O único problema é que essas fotos não podiam ser transmitidas do espaço por meios eletrônicos. O filme tinha que ser enviado para revelação e ampliação aqui na Terra. Isso era feito por meio de uma cápsula blindada, que era ejetada do satélite e recolhida no ar por aviões C-119. Nem sempre a recuperação era bem sucedida. Uma das cápsulas caiu na ilha de Spitzbergen, no Ártico, e foi recuperada pelos soviéticos. Outra foi cair em uma fazenda na Venezuela. Mas, em 90% dos casos a recuperação aérea era bem sucedida. Para evitar toda essa complicação os americanos desenvolveram um satélite espião maior e mais pesado, o Samos.

Satélites

O Samos era lançado ao espaço pelos potentes foguetes Atlas-Agena. Seus instrumentos podiam escanear eletronicamente as fotos e enviá-las pelo rádio, para serem captadas por antenas parabólicas. Ele foi o avô dos satélites americanos Landsat 8, usados pelo programa PRODES, de monitoramento da Amazônia. Os Landsats tiram fotos com uma resolução de 20 metros, que não é tão alta quanto a dos satélites militares, como os antigos Coronas e Samos.
Além do Landsat 8 o PRODES usa imagens do satélite CBERS-2B, que é o resultado de um projeto de cooperação entre o Brasil e a China. Suas câmeras têm uma resolução de imagem de 2,7 metros. O suficiente para distinguir a diferença entre uma queimada e uma fogueira. Também são usadas imagens do satélite indiano IRS-2.
Na área da espionagem, americanos e russos contam hoje com satélites muito mais sofisticados do que os pioneiros Coronas e Samos. Atualmente, usa-se a série Keyhole, como os KH-11, que possuem um sistema ótico semelhante ao do telescópio espacial Hubble. Mas, suas imagens e capacidade de resolução são altamente secretas.

 


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2 comentários

  1. Avatar

    Lula também enxerga telescopicamente o que ocorre no Brasil, tanto é que ele disse que o Jair Bolsonaro está destruindo tudo o que o PT construiu!. E dessa vez tenho que concordar com o Molusco, vejamos:
    O PT quando deixou o poder a inflação estava acima de 10%, o mito destruiu esse valor e hoje temos uma inflação abaixo de 4%;
    O PT quando deixou o poder deixou mais de 14 milhões de desempregados no Brasil, o mito já destruiu pelo menos uns 2 milhões de desempregados e estamos chegando aos 12 milhões de desempregados;
    O PT quando deixou o poder deixou a marca de mais de 60000 pessoas assassinadas por ano no Brasil, o mito diminuiu esse valor aproximadamente em 22%;
    É… realmente… o mito veio destruir o que o PT construiu!

  2. Avatar

    Cuidado Calife…nao fala sobre meio ambiente e desmatamentos que os Bolsominions nao gostam….segundo eles nao precisamos de matas pra sobreviver…ah! e também acham que a terra é plana.

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