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Os paradigmas da vida

Matéria publicada em 25 de janeiro de 2019, 07:02 horas

 


Recentemente fui a um casamento de dois queridos amigos, Denise e André, e muito me emocionou a quebra de paradigmas durante a cerimônia, um lugar-comum nos casamentos: o noivo entra acompanhado pela mãe; a noiva, pelo pai. Neste, o noivo entrou carinhosamente de mãos dadas com o pai, uma vez que a mãe é falecida; a noiva cruzou a nave do salão ladeada pelos pais, uma cena de incontida emoção. Foi um momento que me marcou de forma muito positiva, pois nunca havia visto algo igual até então, uma ação que demonstrou mudança, mas, acima de tudo, amor.
Tenho percebido que a quebra de paradigmas acontece cada vez mais no dia a dia de nossas vidas, e isso, quando ocorre, é sempre um incrível desafio, independentemente do que seja. Convivemos muito com o convencional; então, quando a inovação, a mudança de comportamento, ocorre, muitos são os que se surpreendem, porque isso provoca, no mínimo, estranheza.
Tanto a ética da personalidade, quanto o caráter, são exemplos de paradigmas sociais. Na origem, a palavra “paradigma” era um termo científico; hoje, ela é usada comumente para definir modelo, teoria, percepção ou padrão de referência. Abrindo o leque da interpretação, é a maneira como enxergamos o mundo.
E o tal pensar “fora da caixinha”, algo que faz mudar, são as ações fundamentais para o crescimento e a sobrevivência de cada um de nós. A quebra de paradigmas está totalmente relacionada ao desligamento por inteiro de um determinado padrão para que um novo ganhe vida e seja colocado em prática. É indiscutivelmente o começo de uma nova etapa de vida.
Há quem acredite e apregoe que somos aquilo que pensamos. A lei da atração não mente nunca: o que pensamos e jogamos para o universo reverbera a nosso favor; portanto, prega-se que devemos pensar positivamente para que este pensamento volte ainda mais forte e nos abasteça de maneira a nos proteger, bem como quem está ao nosso lado.
Vivemos atrelados a conceitos e normas que nos engessam e nos obrigam, consequentemente, a adotar maneiras comportamentais que nos são estranhas; mas, pelo fato de habitualmente estarem sendo vividos, nós nos deixamos levar e somos tomados por um quase inevitável conformismo.
A vida é muito mais que isso, ninguém é dono de ninguém; no mínimo, somos parceiros, adotando uma postura de cumplicidade, nunca de servidão e de propriedade. Temos que entender, por conta disso, que cada um vê o mundo não exatamente como ele é, mas, sim, como somos ou como fomos condicionados a vê-lo e a vivê-lo. Mas é bom que se saiba que isso não é uma espécie de modismo; não se quebra um paradigma pelo simples fato de quebrar, e se isso acontece é porque o momento pede essa mudança.
Isso nos leva a entender que é totalmente primordial estar comprometido com a ideia de que evoluir é algo imprescindível, tanto na vida pessoal como na vida profissional. A ciência todo tempo nos diz que a vida – e tudo aquilo que vivemos -, mostra que ela é um campo fértil para a quebra de paradigmas: basta olharmos mais a nossa volta, e de maneira consciente, para percebermos o que pode e deve ser mudado. Seja nas coisas mais simples e banais, passando por ações como a dos meus amigos recém casados ou outras que movam tantas vidas em uma sociedade conduzida por transformações rápidas, independentemente do local onde ela estiver atuando. Não é uma boa escolha viver na defasagem, mas, sim, estar sintonizado com as mudanças, fazendo uso da criatividade, uma estratégia que jamais dará errado.
Na semana passada perdemos o cantor Marcelo Yuka, que, em um dos momentos mais intensos de sua vida, após estar confinado em uma cadeira de rodas, pronunciou a seguinte frase: “Eu sou o último de mim.”, isso porque, de algum modo, ele sabia que estava perto do fim e não haveria tempo de deixar um filho, um herdeiro, para talvez receber o seu legado. E com essa frase, quase colocando um ponto final na sua história, refez suas forças e quebrou inúmeros paradigmas, marcando ainda mais seu território com palavras e sons, reinventando-se, fugindo do inconformismo no momento derradeiro, escrevendo com talento seus capítulos finais para que pudessem ser lidos ainda por muito tempo pelos que virão após a sua morte.


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