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Os primeiros homens na lua

Matéria publicada em 17 de maio de 2016, 08:30 horas

 


Documentário lembra a aventura dos homens da Apollo 8; piloto conta que havia 30% de chance de todos morrerem

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Existem poucos documentários sobre a aventura da conquista do espaço. Tanto que algumas pessoas até duvidam das viagens à lua e da existência de uma estação espacial internacional. Tentando corrigir esta lacuna, foi produzida a série ”When we left Earth” (Quando deixamos a Terra), que saiu recentemente em DVD e Blu Ray de alta definição. Produzida pelo canal Discovery, a série tem ótimas imagens das missões do ônibus espacial. Mas a parte mais interessante é a das missões Apollo, que voaram para a lua entre 1968 e 1972.

Os astronautas ainda vivos contam suas aventuras. Com destaque para a tripulação da Apollo 8: Frank Borman, James Lovell e William Anders. Eles passaram o Natal orbitando a lua numa missão cheia de novidades. A Apollo 11 foi a primeira a pousar com sucesso, mas foram os homens da Apollo 8 que desbravaram a rota a ser seguida, indo aonde ninguém tinha estado antes. Na verdade, o objetivo original era testar a nave em órbita da Terra, mas o anúncio de que a União Soviética estava prestes a enviar cosmonautas para a lua levou a agência espacial Nasa a tentar um feito muito mais difícil. Até então, nenhuma nave tripulada tinha se afastado da Terra e ninguém tentara navegar os 400 mil quilômetros de espaço vazio até a lua.

Os astronautas tinham consciência plena dos perigos. William Anders, piloto da nave Apollo comenta no documentário que havia 30% de chances de todos morrerem. Frank Borman, o comandante da Apollo 8, lembra que ”a missão era mais importante do que nossas vidas, mais importante que nossas famílias!”

Borman, Lovell e Anders seriam os primeiros homens a voar no super foguete Saturno 5, a máquina mais poderosa já construída. Do tamanho de um prédio de 33 andares e carregado com 2 bilhões de quilos de combustível altamente explosivo, o foguete metia medo. ”Quando chegamos à plataforma, havia só uma meia dúzia de sujeitos nervosos por lá. E você pensa naquela piada, de que vai sentar no topo de uma máquina explosiva construída pela empresa que ofereceu o menor preço na concorrência”.

Amarrado ao assento, no topo da cápsula, Borman olhou pela escotilha e viu duas gaivotas voando acima. ”Em poucos minutos, elas iam ser os pássaros mais assustados do mundo”. Quando os motores foram acionados, foram os próprios astronautas que se assustaram. O foguete vibrava e sacudia tanto que não era possível ler os instrumentos no painel de controle. Em poucos minutos, o primeiro estágio levou a nave a 40 quilômetros de altura a sete vezes a velocidade do som. Quando ele se desligou, os astronautas foram atirados para a frente com tanta força que arranharam seus novos capacetes bolha de vidro. (Semelhantes aos usados pelo herói Flash Gordon, dos quadrinhos).

Mas o pior aconteceu quando a nave flutuava em queda livre, em direção à lua. O comandante passou mal e teve um acesso de vômito e diarreia. Na ausência de gravidade, o interior da Apollo ficou cheio de glóbulos flutuantes de fezes e vômito. A tripulação tentou limpar tudo com toalhas molhadas. Não existiam os aspiradores a vácuo usados na estação espacial. Os médicos em Terra receitaram remédios para o mal estar do comandante. Diagnosticado com uma síndrome de adaptação à falta de gravidade.

A aproximação com a lua foi o momento de maior suspense. A nave ia passar a 100 quilômetros de Selene a uma velocidade de 40 mil quilômetros horários. O menor erro de navegação resultaria numa colisão. Susan, a esposa de Frank Borman, perguntou ao diretor de voos, Gene Kranz, qual era a chance de voltar a ver o seu marido. Kranz respondeu que era de cinquenta por cento.

Mas tudo correu bem e os astronautas voltaram com fotos espetaculares da Terra vista da lua. Fotos que ajudaram a criar a consciência ecológica no planeta. Um trecho deste documentário está disponível no Youtube, com legendas em português. É só acessar (https://www.youtube.com/watch?v=mz-XvkqDxTQ)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. Avatar

    Será que chegaram mesmo à Lua? Há muitas e irrefutáveis controvérsias…

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    CHANCE E’ UMA EXPRESSÃO POSITIVA.
    RISCO SIM SERIA O CORRETO.
    HAVIA 30% DE RISCO DE MORREREM

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    >>>>>>>> NO DIA EM QUE A HUMILDADE CHEGAR EM NOS HUMANOS…. ENTAO ESTAREMOS PRONTOS NAO PARA IR A LUA E SIM CONQUISTAR TODO O UNIVERSO!!!!!!!!!!!

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    Antonio Carlos Peludo

    Nos anos 60, um bilhão de pessoas viram aquilo que ainda hoje é o feito mais audacioso da corrida espacial – a descida na Lua.
    Parabéns a genialidade humana

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    Antonio Carlos Peludo

    Graças ao novo sistema acabou a indicação por ideologia e por amizade , agora é meritocracia

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    Vai dar um tempo na politica agora ???
    Nada a declarar sobre o novo ministerio?

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