terça-feira, 23 de julho de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Os quadrinhos da guerra fria

Os quadrinhos da guerra fria

Matéria publicada em 30 de abril de 2019, 09:50 horas

 


Bomba nuclear russa abalou a cultura pop há quase 70 anos

Pesadelo: A Bomba destrói Nova York

Há quase setenta anos, no dia 29 de agosto de 1949, o mundo foi abalado por uma explosão que aconteceu às sete horas da manhã, em uma região remota do Cazaquistão, então União Soviética. Em poucos dias o mundo ficou sabendo que a União Soviética tinha desenvolvido uma bomba atômica. Foi um choque para os norte-americanos, que vinham tentando manter o monopólio da arma definitiva. Um arsenal nuclear nas mãos do ditador Josef Stalin começou a dar pesadelos aos americanos, criando uma verdadeira cultura do apocalipse nuclear que perdurou por mais de vinte anos e influenciou até as histórias em quadrinhos.

Em uma revista publicada em 1950, o Capitão Marvel – hoje Shazam- aparece tentando deter foguetes nucleares que arrasam os Estados Unidos. Algumas histórias do herói espacial Buck Rogers também refletiram esse medo. Com Buck e seus amigos enfrentando a possibilidade de uma catástrofe nuclear mundial. Era um novo tipo de pesadelo. Até então o fim do mundo era visto como uma possibilidade provocada por catástrofes naturais ou pela ira dos deuses. A partir de 1950 o fim da humanidade poderia ser determinado por um ditador ou general enlouquecido dando a ordem para um ataque nuclear total.

As Nações Unidas foram criadas para tentar evitar uma nova guerra, mas logo nos seus primeiros anos a organização teve que enfrentar um novo conflito, a Guerra da Coreia que colocou americanos, chineses e soviéticos a beira de uma guerra. Nos Estados Unidos qualquer pessoa com ideias políticas de esquerda era suspeita de ser um espião comunista. E o temível senador McCarthy criou uma “comissão de atividades anti-americanas” que levou aos tribunais artistas e intelectuais suspeitos de serem “agentes de Moscou”.

Esse período de medo e paranoia ficou registrado em uma história em quadrinhos publicada pela pequena Ace Comics em 1952. Não tinha super-heróis e imaginava a reação dos militares americanos a um ataque nuclear soviético. Um Pearl Harbor atômico. Foi um sucesso e até hoje pode ser adquirida numa edição especial, disponível nas livrarias virtuais. Chama-se “Atomic War” (Guerra Atômica) e teve apenas quatro números. O suficiente para arrasar com o mundo e a civilização.

A história se passa em 1960, quando o governo em Washington é enganado por falsas propostas de paz dos soviéticos, armas são desmanteladas e tropas desmobilizadas. Enquanto isso espiões russos, infiltrados nos Estados Unidos, se encarregam de sabotar os aviões e radares restantes. Como no ataque japonês a Pearl Harbor, os bombardeiros russos surgem de repente e lançam bombas nucleares sobre Nova York, Chicago e Detroit. Washington é poupada porque um piloto se sacrifica, lançando seu avião de encontro ao atacante soviético.

Com suas principais cidades transformadas em ruínas radioativas os americanos montam um contra-ataque, que é o tema da segunda edição da serie.

Uma enorme esquadrilha de bombardeiros americanos se aproxima da Rússia pelo polo norte, destrói as cidades de Chelyabinsk e Sverdlovsky e lança a nova bomba de hidrogênio sobre Moscou. Uma introdução adverte os leitores de que o objetivo da revista é alertar amigos e inimigos sobre a devastação que uma nova guerra produziria. Mas o modo como os americanos derrotam os soviéticos passa a ideia de que seria possível “vencer” uma guerra nuclear.

Hoje, 70 anos depois, a ameaça das armas nucleares parece esquecida. Os filmes de super-heróis falam de inimigos vindos do espaço sideral e outras ameaças fictícias. Mas o perigo é apenas ignorado, ele não desapareceu. No ano passado o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a ameaçar os Estados Unidos com armas de destruição em massa. E o ditador da Coréia do Norte, Kim Jon Um, já falou em reduzir os Estados Unidos a cinzas. Com o agravante de que hoje as armas nucleares são muito mais sofisticadas e destruidoras do que em 1950.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Um comentário

  1. Avatar

    Ninguém bate e fica impune. Hoje em dia é mais difícil obedecer ordens insanas, porque não haveria muito o que se desfrutar após uma nova guerra mundial…

Untitled Document