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Os velhos males do monopólio

Matéria publicada em 5 de agosto de 2016, 14:43 horas

 


Quando os consumidores viram reféns de uma única empresa; luz vive faltando, as tarifas são altas e a empresa trata mal seus clientes

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Os leitores destas crônicas adoraram a lembrança da canção de Natal da Varig, que saiu semana passada. Tinha outra, que não era da Varig, e que também grudava na mente das pessoas como chiclete. Era entoada por um coro de crianças que dizia: “Quero ver você não chorar, não olhar pra trás e nem arrepender do que faz. Quero ver o amor nascer…” e por aí afora. Mas sobre esta escreverei em outra oportunidade. Voltando a falar da Varig, ela era uma empresa que tratava bem seus passageiros porque não tinha o monopólio sobre suas rotas aéreas. Tinha que disputar cliente com outras empresas, como a poderosa Pan American norte-americana.

A pior coisa que pode acontecer para o usuário de um serviço é enfrentar um monopólio. Onde só existe uma empresa e ela faz o que quer, transformando seus clientes em verdadeiros reféns. Em Pinheiral, a cidade onde moro, enfrentamos três monopólios: do transporte por ônibus, da telefonia fixa e do fornecimento de energia elétrica. Nos três casos o serviço é caro e ineficiente. Tive tantos problemas com um telefone fixo que meu pai deixou lá em casa que acabei mandando desligar a linha.

A luz também vive faltando, as tarifas são altas e a empresa trata mal seus clientes. Na rua onde moro as casas são antigas e os medidores ficam nas varandas. O rapaz que fazia a medição era muito gentil e eficiente. Ele aparecia de manhã, sempre no penúltimo dia útil do mês, gritava o nome da empresa no portão e a gente abria a porta para ele. Isso durou uns quinze anos até que recentemente ele foi substituído por uma turma de funcionários novos, com roupas verdes.

Esses não têm mais dia nem hora para aparecer. As vezes nem aparecem. No mês passado eles não chamaram lá em casa. Por precaução anotei a medição do relógio e guardei. Já sabia que ia ter surpresas na conta de luz. Estava certo. Ela veio com o aviso de que a fatura fora calculada pela média (arredondada para cima) e que eu devo “permitir o acesso do medidor ou estarei sujeito a corte!”.

É a arrogância típica de empresas que detêm o monopólio e não temem perder o cliente.

Como que uma empresa pode ameaçar com corte da energia um cliente que nunca deixou de pagar suas contas? Só porque ele não está disposto a passar dias em casa esperando o funcionário da companhia aparecer. É ridículo. Como qualquer serviço o medidor de luz precisa ter um dia e um horário certo para cumprir sua função. Pagamos a conta, é a empresa que tem que ficar a nossa disposição, não o contrário.

Futuro

No futuro, o que vai acontecer com esse tipo de empresa é o mesmo que aconteceu com os pilantras da telefonia fixa. Nossa companhia telefônica mudou de nome três vezes, mas continuou campeã de reclamações no Procon. Cansados de reclamar e de receber muito pouco em troca as pessoas trocaram o fixo pelo celular. Hoje em dia o celular é a norma e o telefone fixo caminha para a extinção. No caso da energia elétrica o futuro já chegou lá na Europa, mas creio que no Brasil ainda vá demorar um pouco.

Em países como a Alemanha e a França as pessoas estão instalando painéis solares no teto de suas casas e deixando de ser reféns das empresas de distribuição de energia. O painel solar não só gera toda a energia necessária para o consumo doméstico como produz um excedente que é vendido pelo morador. Além disso, os europeus têm várias opções de empresas fornecedoras de energia.

No Brasil os painéis solares já chegaram, mas ainda são caros demais para o nível de rendimento do brasileiro médio. Ainda mais em tempos de crise. Mas um dia chegaremos lá e essa empresa que hoje nos insulta e nos ameaça vai ficar de pratinho na mão.

 Futuro: O fim da ditadura da energia elétrica


Futuro: O fim da ditadura da energia elétrica

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. Avatar

    concordo sobre a situação do monopólio , porem para não esperar o leiturista da light e da cedae instele seus medidores no limite do lote conforme e exigido hoje, e não terá problemas com isso .
    Estamos sempre cobrando dos outros mas nunca fazemos nossa parte

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    Os monopólios citados não são exclusividade de Pinheiral, mas acontecem em todo o Brasil, com raríssimas exceções… Repare que não existe Brasil afora nenhuma cidade onde haja mais de uma empresa de ônibus operando a mesma linha. Por linha digo o itinerário completo, não sobreposições e variantes de ligações entre dois pontos… Também não vejo como deixar de existir monopólio no fornecimento de serviços como água, luz e telefone fixo para o mesmo cliente, por motivos óbvios. Isso demanda uma infraestrutura que não possibilita a duas ou mais empresas operarem simultaneamente…

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    Pois é, um povo pacífico, sem cultura, que não conhece seus direitos (os deveres são lembrados a todo momento), oprimido e que prefere ser subserviente a conquistar por sua competência, tende a permanecer sob o domínio de um governo conquistado pela força de alguns. Observe o comentário acima, a passividade ou prepotência de alguém que acha que por ser considerado pequeno, não têm direitos ou merecem tratamento diferenciado.

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      *sendo mais específico, ao dizer do comentário acima, me refiro ao do Sr. sob o código me “Coxinha de Cidade-Operária”.

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      Senhor, estaremos encaminhando sua reclamação ao setor técnico de nossa operadora. Por favor, esteja aguardando na linha, que a qualquer momento estaremos respondendo à sua solicitação, senhor… senhor, obrigado pela paciência, por favor esteja aguardando por mais uns instantes, porque estamos tendo problemas com o sistema, senhor… senhor?

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    Caro Donald Trump do brejo, não se trata de monopólio. Em municípios minúsculos como o seu, desista de sonhar com mais de uma empresa privada de telefonia fixa ou de ônibus… empresário não joga pra perder dinheiro. Conforme-se.

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