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Pega a pipoca, senta no sofá e liga a TV

Matéria publicada em 2 de setembro de 2018, 10:00 horas

 


Início da propaganda eleitoral na televisão é o verdadeiro pontapé inicial da campanha; até agora, era só treino

Começou nesta sexta-feira o horário eleitoral “gratuito” na TV. Com isso, a disputa presidencial deixa de ser um assunto dos sites noticiosos, jornais e telejornais e invade o dia a dia das pessoas não-politizadas. Gente que só se lembra de que existem partidos e eleições ano sim, ano não. E são essas pessoas que decidem eleição. Isso porque são muitas.
Com pouco mais de um mês entre o início da propaganda eleitoral e o primeiro turno da eleição presidencial, pode-se dizer que agora é que o jogo está começando para valer. O cenário mostrado nas pesquisas, até o momento, pode mudar muito.
Candidatos com mais tempo de propaganda tendem a ganhar força, o que tende a ajudar principalmente Geraldo Alckmin (PSDB), a dupla Lula/Haddad (PT) – dependendo da decisão do TSE para ver quem é de verdade o candidato – e Henrique Meirelles (MDB), que são os que dispõem de mais tempo em cada bloco. Eles poderão fazer filmes mais elaborados, falar de mais assuntos a cada bloco e, se conseguirem se manter longe dos direitos de resposta, vão capitalizar essa vantagem.
Álvaro Dias, com quarenta segundos por bloco, e Ciro Gomes, com 38, ainda poderão apresentar resumidamente uma proposta por dia. Os outros oito, com tempos que variam entre oito e cinco segundos, vão poder dizer nome, número e um slogan curto.
Aparentemente, quem tem mais tempo leva grande vantagem, mas na primeira eleição direta para presidente depois da ditadura militar, foi do grupo do pessoal que só aparecia por poucos segundos que surgiu um candidato careca, barbudo e franzino que só gritava o próprio nome, que era Enéas. Acabou sendo considerado o fenômeno daquela eleição.
Por isso se pode dizer que a quantidade de tempo de televisão é importante, mas não é o único fator que vai contribuir para o resultado da votação. Como diriam os menos dotados, não é o tamanho do tempo que importa, é o bom uso que se faz dele.

As pessoas vão ver, sim

Uma coisa que se diz muito é que as pessoas vão desligar a TV durante a propaganda eleitoral, ou que vão assistir a canais por assinatura nesse horário. Não é bem assim.
As inserções entram às 13 horas, quando muita gente que trabalha está em horário de almoço, e mesmo quem não está trabalhando está numa pausa dos afazeres, e às 20 horas, que, como se sabe, é o início do horário nobre.
E são trinta minutos de cada vez. Não dá pra ver um episódio de série nesse tempo. E mais: logo em seguida, começam as atrações principais de cada rede. As pessoas não vão querer perder o capítulo da novela.
E tem mais: muita gente fica interessada no horário eleitoral, seja para se informar sobre as propostas dos candidatos, seja para se divertir com a troca de ofensas.

E a internet?

Enquanto isso, a internet e particularmente as redes sociais devem fervilhar mais ainda com a disputa entre bolsominions e lulalivres. A rede mundial de computadores, nesse caso, vai ser a caixa de ressonância do que for veiculado na TV.
Em resumo, o colunista acha que vai ficar parecido com o futebol. O pessoal vê o jogo pela televisão e depois vai pra rede social comentar, fazer memes e coisas parecidas.


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Um comentário

  1. Melô da propaganda eleitoral: “presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”. Ou seja, nada, ou quase nada, se cumpre das promessas de campanha. Não vejo esse horário eleitoral e não vejo pronunciamento de autoridades desde a posse do Sarney em 1985. E prefiro votar em um da a turma com 1% por cento ou próximo disso nas pesquisas e partidos e políticos que nunca estiveram no poder, só para ajudar a dificultar a vida dos favoritos. Votar nulo, em branco ou deixar de votar é ajudar a quem tem seus currais eleitorais, justamente os que estão lá há muitos anos.

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