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Pelas barbas de Papai Noel

Matéria publicada em 20 de dezembro de 2019, 13:32 horas

 


Dezembro chegou e com ele surgem milhares de árvores oriundas do “Polo Norte” by Brasil, que servem para decorar lares, sempre cheios de luzes – infelizmente, com bem menos intensidade, uma vez que a conta de luz, com suas escorchantes bandeiras não nos permite abusar das inúmeras opções que o mercado oferece de pisca-piscas, além das variações de enfeites iluminados. E somados a tudo isso encontramos os milhares de Papais Noeis espalhados pelo país, animando shoppings, empresas, creches, hospitais, asilos, escolas e inúmeros outros locais onde se permitem entrar o sonho e a alegria.
Mas, esse encantamento acontece somente em apenas um mês do ano: dezembro. Bem que, de algum modo, a magia do Natal poderia contagiar os outros 11 meses, melhorando o humor das pessoas e, consequentemente, tornando a vida menos dura e mais prazerosa.
O tão amado bom velhinho que, vestido com grossas roupas vermelhas e exibindo barbas longas e brancas, surge todo o ano em nossas vidas trazendo, no seu saco de veludo, mais do que presentes, ou seja, a sensação de provocar em nós a união e, o indefectível “espírito natalino”.
Este personagem singular foi inspirado em São Nicolau, arcebispo da cidade de Mira, na Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar, de forma anônima, quem estivesse em dificuldades financeiras. Assim, ele colocava um saco de moedas de ouro, pasmem, na chaminé das casas! São Nicolau foi declarado santo depois que muitos milagres, atribuídos a ele, começaram a acontecer. Sua transformação em bom velhinho, símbolo natalino, aconteceu na Alemanha, e se espalhou pelos quatro cantos do planeta.
Inicialmente, São Nicolau era retratado com trajes de bispo; algum tempo depois, transformou-se em um velhinho rechonchudo, trajando um grande casaco vermelho de gola e punhos brancos, calças vermelha e botas e cinto preto. Assim, estava pronta a imagem do Papai Noel que conhecemos e aprendemos a admirar. É bom que se diga que, antes do vermelho, os trajes de Papai Noel eram de cor verde. Essa imagem que corre o mundo se tornou popular nos Estados Unidos e no Canadá, no século XIX, devido à influência marcante de um poema escrito em 1823, intitulado “Uma visita de São Nicolau”, e através do traço do caricaturista e cartunista Thomas Nast. Ele criou a imagem que se tornou forte e inesquecível através de todas as mídias mundo afora.

Encanto

Como a mídia, hoje mais do que nunca é o que faz a informação caminhar, o atual visual vermelho e branco de Papai Noel ganhou ainda mais realce a partir de 1931, quando a Coca-Cola realizou uma enorme campanha publicitária usando a simpática imagem do personagem. Alguns anos antes, em 1915, a White Rock Benerages tinha feito Papai Noel vender muitas garrafas de água mineral.
E como todo personagem tem de ter um ponto de apoio, um referencial, nos países do Norte da Europa, diz a tradição que Papai Noel não vive propriamente no Polo Norte, mas, sim, na Lapônia, mais precisamente na cidade de Rovaniemi, onde existe a fábrica do Papai Noel. Pois é lá que “vive” esse personagem singular, sempre cercado pelos seus auxiliares de pequena estatura e vestidos de verde.
É através de sua imagem que se tenta mostrar as belezas do mundo e tudo o que pode unir as pessoas, sempre de forma alegre e apaixonada. Certamente que existem várias maneiras de se localizar o secular bom velhinho; uma delas é por meio das cartas. As mesmas cartas que no passado eram muito comuns se escrever para os santos ou personagens religiosos, uma velha prática desde a antiguidade, mas que, somente a partir do século passado, começou a ser utilizada para falar com Papai Noel.
Mas, para que serve mesmo Papai Noel, esse inofensivo velhinho? Vários estudos defendem a importância de se preservar o imaginário para as crianças, e não se apresentam restrições em relação a essa crença. Segundo uma pesquisa feita pelo departamento de psicologia da Universidade de Oregon, as crianças que acreditam nas fantasias, entre elas a do Papai Noel, aprendem a distinguir perfeitamente entre a imaginação e a realidade. A fantasia, o lúdico, faz parte do universo infantil, e quebrá-lo antes do tempo não tornará a criança melhor ou mais capaz de entender a realidade da vida.
Portanto, acreditar na existência de Papai Noel é como viver em um jogo de faz de conta, um jeito feliz de exercitar as habilidades, de vislumbrar alternativas e de encontrar soluções para elucidar esse “mistério”.
Nós, adultos, nunca deveríamos perder esse prazer, esse brilho no olhar, a capacidade de inventar e reinventar, porque, em um mundo como o de hoje, é fato que temos de ter uma dose generosa de sonho e de criatividade para caminhar pela estrada afora, seja ou não a bordo de um simpático trenó puxado por renas sempre bem-dispostas. Feliz Natal!

Fantasia: Acreditar na existência de Papai Noel é como viver em um jogo de faz de conta, um jeito feliz de exercitar as habilidades


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