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Perdidos no Espaço e politicamente corretos

Matéria publicada em 11 de fevereiro de 2020, 09:10 horas

 


Remake do clássico da TV ganhou terceira temporada na Netflix; série já foi indicada para um prêmio Emmy

O novo remake do seriado Perdidos no Espaço está entrando em sua terceira temporada. A série, exibida pela Netflix, já foi até indicada para um prêmio Emmy, coisa que a original nunca conseguiu. Trata-se do terceiro remake do clássico do produtor Irwin Allen, contando com o longa-metragem de 1998 e o fracassado filme piloto do diretor John Woo, “Os Robinsons”, de 2004. A nova versão mantém alguns elementos do original e é a mais politicamente correta de todas as versões.
E tudo começou em 1960, quando a Disney produziu para o cinema um longa baseado no clássico “Os Robinsons suíços” do escritor Johann Wyss. Escrito em 1812, o livro conta as aventuras de uma família suíça que tenta emigrar para a Austrália. Mas, seu navio é apanhado por um tufão e encalha em uma ilha selvagem, perto da Nova Guiné. O filme da Disney é bem fiel ao original, mas despertou a imaginação do produtor Irwin Allen, que decidiu criar uma versão espacial, futurista, do livro de Wyss.
“Perdidos no Espaço” estreou na televisão em 1965 e mostrava uma família americana tentando emigrar para um planeta do sistema estelar de Alfa Centauri. A nave deles, o Júpiter 2, era sabotada e caía em um planeta selvagem, semelhante a Terra. A ilha do espaço. Lançado em plena corrida espacial, o seriado foi um sucesso e teve três temporadas. Mas, era bem típico da época. Os Robinsons do Irwin Allen eram uma família branca com antepassados no norte da Europa. A filha mais velha, Judy, interpretada pela atriz norueguesa Martha Kristen, era uma típica beldade escandinava, loira com olhos azuis.
Em 1998 a Fox produziu uma versão para o cinema, com o ator William Hurt no papel do patriarca, professor John Robinson. Mas, ao contrário da série original, que era leve e divertida, a versão 1998 apelou para um cenário dark e sombrio. Teve um sucesso moderado nos cinemas e sumiu na poeira. Em 2004 o diretor sino-americano John Woo dirigiu o filme piloto de uma nova versão. Chamado “Os Robinsons – Perdidos no Espaço” o filme adotava uma postura mais bélica, de acordo com o clima pós-atentados terroristas.
De astrofísico o professor John Robinson virou um militar reformado. Um herói de guerra que tenta levar sua família para um mundo mais pacífico, no espaço sideral. Mas, a nave é atacada por alienígenas e a família fica perdida no espaço. A série não foi aprovada na época, mas acabou ganhando uma nova versão, que estreou na Netflix em 2018.
Criada por Matt Sazama a versão 2018 mantém os elementos básicos do original. Como a amizade do menino Will por um robô, e o planeta selvagem que serve de novo lar para a família. Mas, a loira Judy, das versões anteriores, virou uma afro-americana, adotada pela família. E o vilão, doutor Smith, agora é uma mulher, a doutora Smith interpretada pela atriz Parker Posey. O robô, que era terrestre nas outras versões, agora é alienígena e sinistro.
O tom politicamente correto da versão moderna às vezes cria situações insólitas. Diante dos perigos do novo mundo o comandante John Robinson quer usar a impressora laser da nave para fabricar armas. Mas, sua esposa Maureen não deixa. Ela é pacifista e não quer armas dentro da Júpiter 2. Algo que vai criar sérios problemas quando a família é ameaçada por uma horda de robôs assassinos.
Filmado no Canadá o seriado já teve bons momentos. Como no episódio em que a família transforma a nave Júpiter 2 em um navio veleiro para cruzar um oceano alienígena. E os efeitos visuais são de última geração criando um mundo futurista digno de uma produção de cinema. A receptividade do público tem sido boa e tudo indica que a série vai emplacar mais de três temporadas.

 


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