Perigo na Estação Espacial Internacional - Diário do Vale
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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Perigo na Estação Espacial Internacional

Perigo na Estação Espacial Internacional

Matéria publicada em 3 de agosto de 2021, 15:31 horas

 


Módulo russo aciona motores e faz laboratório tombar sem controle

Nauka: Módulo descontrolado fez a ISS girar

Os seis astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional ISS estão se recuperando do susto que levaram na última quinta feira. Logo depois de se acoplar com o laboratório espacial o módulo russo Nauka (Pronuncia-se Naiuka) fugiu ao controle dos técnicos e disparou seus retrofoguetes. Fazendo todo o complexo espacial dar uma cambalhota no espaço. No centro de controle em Houston houve momentos de pânico, já que só a agência espacial russa tinha o controle sobre o novo módulo. E levaria ainda uma hora para a estação espacial sobrevoar a Rússia em sua órbita em torno da Terra.

Felizmente a ISS aguentou o tranco e um comando corretivo foi enviado para desativar os propulsores do modulo. A essa altura a ISS já tinha dado um giro completo em torno do seu centro de gravidade e os propulsores de outro módulo russo, o Zvezda foram acionados para parar com a rotação. Segundo a Nasa os astronautas não correram risco de vida, e a velocidade da rotação não passou de 0,56 graus por segundo, insuficiente para que os tripulantes percebessem o que estava acontecendo.

O controlador da missão em Houston, Zebulon Scoville, disse ao jornal The New York Times que nunca ficou tão aliviado ao ver que todos os radiadores e painéis solares ainda estavam no lugar. A força centrífuga gerada por uma rotação rápida poderia ter despedaçado a grande base espacial, que é maior do que um campo de futebol e gira ao redor da Terra a uma altura de 400 quilômetros. Felizmente os propulsores do Nauka pararam de funcionar depois de 15 minutos e a atitude da estação pode ser corrigida. Atitude é a posição de uma espaçonave em relação a sua linha de voo.

O módulo Nauka ficou quatorze anos guardado no hangar da agência espacial russa até poder ser enviado ao espaço. Mas apresentou problemas desde que foi lançado no último dia 21 de julho. A telemetria indicou uma série de falhas nos sistemas de propulsão e comunicação. Os técnicos russos chegaram a temer que o módulo, de 20 toneladas e 13 metros de comprimento ficasse perdido no espaço. Mas os problemas foram corrigidos e o Nauka se acoplou com a estação espacial na quinta feira passada. Todavia, o que foi identificado como uma falha no software, fez com que o Nauka acionasse seus motores e tentasse se desligar da estação espacial.

Passado o susto os cosmonautas russos já pressurizaram o Nauka e fizeram uma visita ao seu interior. Tomando providencias para que ele não se torne rebelde novamente. O Nauka contém um laboratório de pesquisas, uma comporta para passeios no espaço, um aparelho de renovação do ar e um sistema que retira a água da urina dos astronautas. Quando começou a ser montada, em 1998, previa-se que a Estação Espacial Internacional funcionaria até o ano de 2020 e depois seria desativada. Mas a adição de novos módulos, como o Nauka, garante que ela continuará operando até a próxima década.

Este mês de agosto esta cheio de novidade para quem gosta de olhar o céu. Os planetas Júpiter e Saturno encontra-se na aproximação máxima com a Terra. Eles podem ser vistos todas as noites como duas estrelas brilhantes na direção do leste, onde o Sol nasce. Também teremos a famosa chuva de meteoros dos Perseidas que atingirá seu pico no dia 24 de agosto. O fenômeno acontece todo o ano, quando nosso planeta atravessa o rastro de poeira deixado pelo cometa Swift-Tuttle. Mas para apreciar o espetáculo é preciso ficar longe das luzes das cidades e enfrentar o frio as 4 horas da madrugada.

Por Jorge Luiz Calife


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Um comentário

  1. Maior cagaço. Com certeza.

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