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Prêmio Nobel não acredita na colonização do espaço

Matéria publicada em 24 de outubro de 2019, 06:00 horas

 


Michel Mayor acha que temos que cuidar da nossa Terra porque não dá para nos mudarmos daqui

O astrofísico Michel Mayor foi um dos premiados com o Nobel da Física deste ano. Ele descobriu um dos primeiros planetas Terra orbitando um Sol como o nosso. O 51 Pegasi B, que fica a 50 anos-luz da Terra. Mas ele não acredita que a humanidade possa se mudar para lá, ou para qualquer um desses exoplanetas descobertos nos últimos anos. Foi o que ele declarou na semana passada em uma entrevista para uma agência de notícias. Mayor acha que devemos cuidar da Terra porque uma viagem para mundos de estrelas distantes está muito além da tecnologia atual ou futura.
Todos os exoplanetas descobertos, fora do nosso sistema solar, estão longe demais. “Mesmo no caso mais otimista, de um planeta habitável, que não fique muito longe, digamos algumas dúzias de anos-luz, o tempo que levaríamos para chegar lá é muito grande”, disse o cientista. Um ano-luz equivale a 10 trilhões de quilômetros e até mesmo a estrela mais próxima, Próxima Centauri, fica a mais de quatro anos-luz de distância.
Não é simplesmente um problema de engenharia, como aconteceu com a aviação. A construção de um avião capaz de superar a velocidade do som foi uma questão de aperfeiçoar os motores e o desenho das fuselagens. Mas no caso do voo interestelar esbarramos nas limitações impostas pelo Universo físico. Uma viagem até um planeta extrassolar com os foguetes atuais levaria milhões de anos.
Para chegar lá mais rápido seria preciso viajar perto da velocidade da luz, onde o tempo passa mais devagar e os astronautas não envelhecem. O problema é que essas velocidades relativísticas envolvem um consumo absurdo de energia. Porque a massa da astronave aumenta à medida que ela se aproxima da velocidade da luz. É por isso que é impossível atingir a velocidade da luz, porque a energia necessária para isso seria infinita.
Além disso, existe outro problema. O espaço não é um vácuo perfeito como muitas pessoas imaginam. Ele é cheio de poeira cósmica e micrometeoritos. Quando uma nave alcança velocidades da ordem de milhões de quilômetros horários a poeira começa a agir como uma lixa corrosiva, roendo a estrutura da espaçonave. É por isso que o escritor Arthur C. Clarke imaginou naves blindadas e com forma aerodinâmica em seu romance “3001: A odisseia final”.

Artemis: A roupa da mulher na Lua (Foto: Divulgação)

Energia

Se uma nave interestelar, viajando com velocidade próxima da velocidade da luz, colidir com uma partícula de matéria cósmica do tamanho de uma ervilha, a energia liberada será equivalente a uma bomba nuclear. O suficiente para desintegrar a nave e seus tripulantes.
Ouvido pelo site Space.com, o cientista Stephen Kane, professor de astrofísica da Universidade da Califórnia, concordou com Mayor. Ele acha que poderemos mandar pessoas para o planeta Marte nos próximos 50 anos, mas levaremos séculos para chegar nas luas de Júpiter, que ficam a apenas meio bilhão de quilômetros da Terra. E as estrelas, lembra Kane, ficam a uma distância 70 mil vezes maior do que Júpiter.
Por enquanto as agências espaciais do nosso planeta estão tentando mandar pessoas para a Lua, que fica a apenas 384 mil quilômetros da Terra. Coisa que já foi feita na década de 1970, com uma tecnologia hoje perdida. Semana passada a agência espacial americana apresentou ao mundo o novo traje espacial do Projeto Artemis, que será usado pela primeira mulher a andar na Lua. O Projeto Artemis é uma criação do governo Donald Trump, que planeja colocar um homem e uma mulher no polo sul lunar, em 2024, no final de um possível segundo mandato do atual presidente.
Entretanto o Projeto Artemis enfrenta uma forte oposição no senado norte-americano. Também na semana passada o diretor da Nasa enfrentou um interrogatório para explicar quanto vai custar a aventura do Artemis. Os senadores da oposição acham que o governo está correndo riscos desnecessários ao apressar o retorno das missões lunares por motivos políticos.

 

Jorge Luiz Calife

 


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Um comentário

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    E mais um Prêmio Nobel da Paz está visitando o Presidente Lula. Isso prova o quanto ele é um preso político nesse lixo de país.

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