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terça-feira, 14 de agosto de 2018

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Presidentes lideram em vez de mandarem

Matéria publicada em 5 de agosto de 2018, 11:06 horas

 


Resolver os problemas do país não é algo que se deixe nas mãos de um cara com superpoderes vindos de uma faixa verde-amarela

Símbolo: Faixa presidencial denota a autoridade de quem foi eleito, não acesso a superpoderes
Ilustração: Reprodução Internet

Estamos todos de saco cheio com o Brasil. Corrupção, criminalidade em alta, economia andando de lado ou para trás, disputas ideológicas afetando a forma como as famílias são formadas e as crianças são educadas, tudo reclama uma solução urgente, pra ontem.
E tudo parece completamente fora do alcance do cidadão comum Рa não ser talvez comprar uma passagem só de ida para os Estados Unidos e torcer para não ser deportado pelo Trump.
A√≠ surge a ideia de encontrar algu√©m capaz de resolver todos os problemas do pa√≠s: um presidente genial, eleito com o apoio das massas, para ‚Äúmudar tudo isso que est√° a√≠‚ÄĚ.
√Č triste, mas √© preciso dizer: n√£o vai acontecer. Resolver os problemas do Brasil n√£o √© tarefa para um presidente, mesmo que ele tivesse, como algumas pessoas querem que tenha, os poderes de um ditador.
Os problemas do Brasil s√£o uma tarefa para todos. √Č preciso, claro, que tenhamos no comando do pa√≠s algu√©m que a maioria dos eleitores escolheu. Essa pessoa estar√° automaticamente comprometida com propostas feitas por ela mesma durante a campanha.

Nada de super-presidentes

Presidentes da Rep√ļblica s√£o personagens importantes, mas, embora tenham muito poder e autoridade, n√£o podem acreditar que v√£o achar, sozinhos ou mesmo contando com a ajuda de seu minist√©rio, as sa√≠das para todas as encrencas em que este pa√≠s est√° metido.
Um presidente precisa ser um líder, capaz de convencer até os que não votaram nele de que há um caminho, e também de ouvir até os que não votaram nele na hora de decidir o caminho a ser seguido.
Ele não pode ser um déspota, achando que os votos do povo lhe dão um cheque em branco para fazer um país de acordo com os seus próprios pensamentos ou pior, seus próprios interesses.
Ele n√£o pode ser um ditador, achando que o fato de ter sido eleito o faz mais importante do que o Legislativo ou o deixa fora do alcance do Judici√°rio.

O (a) presidente de que precisamos

√Č preciso que a pessoa que elegermos presidente tenha a humildade e a grandeza moral suficientes para entender que n√£o sabe as respostas para todos os problemas do pa√≠s, e que descobri-las √© uma tarefa coletiva.
Precisamos de algu√©m que queira um pa√≠s forjado a partir de um grande acordo nacional, com os trabalhadores e com os empres√°rios, antes de com ‚Äúo Congresso, o Supremo e tudo‚ÄĚ.
Precisamos de algu√©m que d√™ mais import√Ęncia ao pa√≠s do que aos interesses de partidos e de lideran√ßas.

… e do que o presidente vai precisar

Mas essa pessoa precisar√° de um Congresso Nacional mais comprometido com a solu√ß√£o dos problemas do pa√≠s do que com a nomea√ß√£o de apadrinhados para cargos no segundo, terceiro, quanto ou quinto escal√Ķes ou com os ganhos financeiros e pol√≠ticos que possam ser obtidos com essa ‚Äúfarra de cargos‚ÄĚ.
Essa pessoa precisará de um Judiciário mais interessado em fazer cumprir a Lei do que em atender a interesses próprios ou de terceiros.
Essa pessoa precisará também de um empresariado que, mesmo visando o lucro e a sobrevivência de suas empresas, queira fazer isso à custa de uma administração bem feita, não de privilégios ou de protecionismo.
O Brasil precisa também de trabalhadores que, além de quererem melhores salários e benefícios, saibam que seu trabalho é um dos componentes necessários para o faturamento da empresa, e que é desse faturamento que tem que sair o seu salário.
Os servidores p√ļblicos precisam ter em mente que, embora tenham regime de contrata√ß√£o diferenciado, s√£o trabalhadores como os da iniciativa privada, n√£o seres adotados pelo Estado para serem sustentados o resto da vida sem terem de dar nada em troca.
Os militares precisam manter seu compromisso com a defesa do pa√≠s e devem saber que cabe a eles cobrar do governo os equipamentos e condi√ß√Ķes para que sejam uma for√ßa efetiva, que pode passar um s√©culo sem ser acionada, mas n√£o pode passar um segundo sem estar pronta.
Os estudantes precisam saber que cabe a eles fazer seu futuro, e que é da capacidade deles que surgirá as melhoras que tanto desejam.

6 coment√°rios

  1. Em resumo, o que o país vai ser é a soma das responsabilidades para com o Brasil, de cada um.

  2. BOLSONARO PRESIDENTE.

  3. Perfeito! Eu sempre digo que n√£o h√° salvadores da p√°tria. Ainda que tiv√©ssemos um poder p√ļblico probo, eficiente e atuante, seria como atirar p√©rolas aos porcos… O pa√≠s √© feito por mais de 210 milh√Ķes de pessoas, n√£o por um punhado de pol√≠ticos…

    O povo brasileiro √© cultural e economicamente subdesenvolvido. Se quisermos mesmo um pa√≠s melhor, a meta a ser perseguida √© a educa√ß√£o, assim como fizeram os tigres asi√°ticos, que t√™m estudos sociais e morais no curr√≠culo, assim como t√≠nhamos aqui at√© antes da democratiza√ß√£o. Comparar o n√≠vel de conhecimento de um estudante dos anos 80 e outro dos anos 2000 chega a ser vergonhoso… Pessoas educadas v√£o menos a hospitais, isso √© um fato…

  4. CEM Reais para votar, SEM candiatos éticos depois

    Concordo! … ou seja, o Brasil e nos governos precisam √© de quem CONHE√áA a Administra√ß√£o P√ļblica e ENTENDA de Gest√£o P√ļblica. Colocar um veterin√°rio como secret√°rio de sa√ļde ou colocar um ministro de esquerda na defesa do pa√≠s √© o fim da picada. Ou ent√£o aquele candidato que disse que n√£o entende nada de economia e se quiser saber do assunto pergunte ao seu economista. Economista este que tbm n√£o entende nada de Gest√£o P√ļblica.
    Com certeza o economista n√£o saber√° o que precisa fazer diante de mais uma d√≠vida de 250 bilh√Ķes de Reais SEM aumentar os impostos. At√© o Samuca que √© um contador, ex√≠mio conhecedor de contabilidade aumentou os impostos em VR.

    Muitos escolhem o governante achando que ele será um ditador, que vai obrigar os deputados a fazerem isso e aquilo, que vai dar ordens como os eleitores dão em suas casas. Não é assim!

    Os brasileiros n√£o sabem votar. Desculpe: Vc que me l√™, tbm, caso n√£o conhe√ßa a Administra√ß√£o p√ļblica (muitos trabalham nela at√© morrer , mas n√£o conhecem o que faz a pasta ou secretaria do lado). Vamos procurar estudar o que √© pol√≠tica (e a politicagem tbm), o que √© cidadania e ser cidad√£o; o que √© Administra√ß√£o P√ļblica (Estado para muitos); e o que √© Gest√£o P√ļblica, al√©m, claro de estudar o que √© “gest√£o p√ļblica” inaugurada pelo Samuca.

    Sem este m√≠nimo conhecimento de seus conceitos √© √ība √ība de analfabeto pol√≠tico escolhendo candidatos. 99,9% deles se iludir√£o com a pol√≠tica para depois vir aqui falar que ir√£o votar nulo/branco ou pagar a multa.

  5. Desde criança prestando atençao nos discursos de nossos politicos, cheguei aos 70 anos com a seguinte conclusão: A democracia verdadeira são aquelas que os politicos legislam para eles mesmos. Tenho forte tendência nesse pleito ANULAR meu voto.

  6. Excelente an√°lise, pois n√£o adianta eleger um presidente com uma proposta de reduzir a presen√ßa do Estado e eleger deputados federais e Senadores que queiram mais Estado, ou seja, temos que ter muito cuidado e aten√ß√£o para quem estamos votando para o Senado e a C√Ęmara Federal!
    Logo, temos que pesquisar bem o passado dos candidatos, como se posicionaram perante os temas importantes na pol√≠tica brasileira, como votaram em assuntos estrat√©gicos para o bem estar da popula√ß√£o. E se s√£o novatos, devemos saber como se portaram em suas vidas privadas como advogados, administradores, empres√°rios, l√≠deres comunit√°rios, jornalistas, etc…
    Isso tudo envolve muita consulta nas m√≠dias tradicionais e tempo de leitura, contudo como ainda temos mais de 40 milh√Ķes de analfabetos funcionais no Brasil, logo muita gente incompetente e inapta ser√° eleita nas pr√≥ximas elei√ß√Ķes!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso √© uma vergonha!”…

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