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Proteína do Mal de Parkinson será estudada no espaço

Matéria publicada em 24 de agosto de 2017, 07:05 horas

 


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Orbitando a Terra há mais de uma década, a Estação Espacial Internacional ISS continua a ser um centro de pesquisas para as doze nações que bancaram o projeto. A bordo da ISS não se estuda somente o espaço e a Terra. A estação é o lugar ideal para uma série de estudos em biologia e medicina. Uma dessas pesquisas envolve a proteína LRRK2, que se acredita estar associada com o Mal de Parkinson.

No dia 14 de agosto um foguete Falcon9, da empresa Space X, lançou uma cápsula Dragon ao encontro da estação espacial. A bordo da Dragon seguiram várias amostras dos cristais da proteína, que serão cultivados no ambiente de gravidade zero. A LRRK2 tem a capacidade de modificar outras proteínas. Os cientistas acreditam que mutações no gene que codifica a LRRK2 seriam a causa do Mal de Parkinson em alguns pacientes. Se for possível desenvolver remédios que retardem ou bloqueiem a ação da proteína mutante, seria possível evitar o desenvolvimento da doença ou retardar seu progresso.

Para criar esses remédios os cientistas primeiro precisam conhecer toda a estrutura da proteína. Eles fazem isso cultivando cristais da LRRK2 em laboratório. Acontece que no espaço, na ausência de gravidade, os cristais ficam maiores e sem defeitos. Daí a vantagem de realizar o cultivo a bordo de uma estação espacial como a ISS. Segundo o site Space.com a pesquisa sobre Parkinson envolve uma associação entre a Universidade de Oxford, a Fundação Michael J. Fox e o Centro para o Avanço da Ciência no Espaço.

O Mal de Parkinson é uma doença neurológica que provoca tremores, rigidez nos músculos e afeta os movimentos das pessoas. Uma das vítimas dessa doença foi o ator Michael J. Fox, daí a fundação de pesquisa que leva seu nome. Os cristais ficarão um mês no espaço, até atingirem o tamanho adequado e depois serão enviados para a Terra em outra cápsula espacial. Na Terra eles terão sua estrutura mapeada com raios X de alta energia.

Atualmente não existe cura nem tratamento para o Mal de Parkinson. Pesquisas desse tipo mostram a importância da pesquisa espacial para todos os ramos do conhecimento. Durante as primeiras missões espaciais, no século passado, ouviam-se muitas críticas a respeito dos bilhões de dólares gastos em foguetes e naves espaciais. Acontece que todo esse dinheiro é um investimento que retorna na forma de geração de empregos, novas tecnologias e novas descobertas científicas.

A primeira estação espacial americana foi o Skylab, lançado em 1973. O Skylab era uma casa espacial de dois andares, construída com o que sobrou do programa de missões lunares Apollo. Durante o lançamento o Skylab foi danificado e teve que ser consertado em órbita pelos astronautas. Com seus sensores os astronautas mapearam as reservas minerais dos Estados Unidos e produziram um ganho para aquele país muito superior ao custo da estação espacial.

As pesquisas de cultivo de cristais começaram a bordo dos laboratórios espaciais russos, da série Salyut, e no ônibus espacial da Nasa. O ônibus espacial só podia ficar duas semanas no espaço daí a vantagem da estação espacial, que orbita a Terra desde o início do século.

Pesquisa: Cristais ficarão um mês na ISS

Pesquisa: Cristais ficarão um mês na ISS

 

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    Mais uma prova de que todo dinheiro gasto em pesquisa científica é um bom investimento, para o país e para a humanidade.

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