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Qual o tamanho do Universo?

Matéria publicada em 3 de agosto de 2017, 13:03 horas

 


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Uma das maiores conquistas da ciência moderna foi a nova perspectiva do Cosmos. Desde que Galileu Galilei apontou sua tosca luneta para o céu, em 1609, até os modernos telescópios espaciais como o Hubble, descobrimos o quanto o universo é vasto, belo e se conecta a cada um de nós. Somos feitos de poeira das estrelas e cada partícula em nossos corpos foi manufaturada dentro de astros que brilharam há muito, muito tempo atrás. Parecemos insignificantes diante da grandeza do Universo, mas é através de nós que o Universo imenso e complexo adquire a consciência do todo.

Muitos vídeos e séries de TV tentam apresentar essas descobertas de forma acessível ao público. Canais como o Discovery, o National Geographic, ou o History, exibem bons documentários, com imagens mais fascinantes do que qualquer filme de ficção científica, em séries como Cosmos, O Universo Humano ou Universo. Mas não é preciso assinar a TV paga para ter acesso a esse tipo de documentário. Há muitos deles no YouTube onde podem ser assistidos de graça por qualquer pessoa com acesso a internet.

Um dos mais bonitos é uma produção independente chamada Travel the Universe (Viagem pelo Universo) feita pelo italiano Donatello Ferrucio de Milão. Em sete episódios, cada um com 15 minutos de duração, viajamos da Terra até o Sol, do Sol para os planetas mais distantes, e depois para as galáxias e o início do espaço e do tempo, há 14 bilhões de anos. Infelizmente é narrado em inglês e ainda não existe uma versão com legendas em português. Afinal, o inglês é a linguagem internacional da ciência e até cientistas chineses publicam suas descobertas em inglês.

Esses documentários ajudam a combater a visão provinciana da maioria dos seres humanos. Mesmo os filmes de ficção científica do cinema, como Star Wars e Star Trek, fazem o Universo parecer muito menor do que realmente é. Seus heróis entram em naves imaginárias, como a Millenium Falcon ou a Enterprise, e percorrem a Via Láctea em poucos dias. A realidade é bem diferente e é bem provável que o Homem jamais consiga viajar até as estrelas mais distantes, para não falar de viagens intergalácticas.

Travel the Universe mostra isso muito bem. Se você tentasse viajar de avião a jato até o belo planeta Saturno, a um bilhão de quilômetros da Terra, levaria um século para chegar lá. Saturno é o mundo mais distante de onde podemos ver nosso planeta, a Terra, como um pontinho de luz azul no céu. Um pontinho de luz onde bilhões de seres humanos se reproduzem como um vírus, sufocando o meio ambiente que os sustenta. Matando e morrendo para disputar pedaços de terra e comida cada vez mais escassos.

A Terra é o único mundo que pode sustentar vida como a conhecemos. Marte é um deserto gelado, envolto em gases asfixiantes. Vênus um inferno de calor e chuvas de ácido sulfúrico. Além de Marte o frio é tão intenso que até os gases congelam. Como em Titã, a grande lua de Saturno, onde existe todo um clima com nuvens, chuvas, lagos e mares. Feitos de gás metano liquefeito a uma temperatura de mais de cem graus negativos.

E para além dos planetas, como Saturno e Netuno, estão as estrelas. Que ficam muito, muito mais distantes. Alfa Centauri é a mais próxima de nós. Um sistema de três sois, a 4,5 anos-luz da Terra. Isso significa que a luz de Alfa Centauri leva quatro anos e meio para chegar até aqui. Se tentasse viajar para lá no ônibus espacial da Nasa, que voa a 29 mil quilômetros horários, você levaria 15 mil anos.

Gliese 581, a estrela mais próxima, que pode ter mundos semelhantes ao nosso fica ainda mais longe, a 20 anos-luz. Mas se não podemos viajar até lá pessoalmente podemos estudar e observar esses mundos distantes através da luz que eles emitem. Luz que fala de nossas origens e nos conta histórias, literalmente, escritas nas estrelas.

Viagem: Os ‘Pilares da Criação’ a 6,5 mil anos luz de nós

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    Gostei muito da matéria. Adoro ler sobre a natureza espacial.

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    Muito boa a coluna hoje, esses assuntos são fascinantes. Me lembrou o famoso vídeo “Pálido Ponto Azul”, baseado no texto do Carl Sagan. A era espacial nos revelou mistérios inimagináveis.

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