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Quando a terra treme

Matéria publicada em 30 de agosto de 2016, 07:35 horas

 


Terremotos na Itália são resultado do atrito das placas tectônicas; destruição foi maior em antigas cidades medievais

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Um novo terremoto sacudiu a região central da Itália, na semana passada, deixando cidades em ruínas e mais de 250 mortos. A Itália e o Japão são dois países que sofrem abalos frequentes devido a proximidade com as regiões de contato das placas tectônicas. No caso da Itália ela fica no limite entre a placa africana e a eurasiana. Além disso, tem uma falha geológica que se estende ao longo dos montes Apeninos. O último terremoto naquela região foi em 2009 e atingiu a cidade de L’Aquila matando 300 pessoas.

Desta vez a destruição foi maior em antigas cidades medievais, que são atrações turísticas. Como Amatrice, perto do epicentro, e Accumoli e Pescara del Tronto. A intensidade não foi das maiores, cerca de 6,2 na escala Richter, mas o estrago foi amplificado pelas construções antigas, feitas de pedra, e o fato do primeiro abalo ter acontecido por volta das três horas da madrugada. Quando a maior parte da população estava dormindo e não teve tempo de reagir. Amatrice, que é uma cidade pequena, estava cheia de turistas, que procuram essas cidades do interior da Itália em busca de paz, tranquilidade e dos cenários medievais.

Tem até um filme, da atriz Diane Lane, “Sob o sol de Toscana”, que celebra a tranquilidade da vida nesses vilarejos italianos. Tudo bem que não tem terremoto todo o ano, mas por baixo da aparência bucólica daquela região existe um perigo latente. Os terremotos nos lembram que o chão aparentemente sólido onde pisamos não é tão firme quanto  parece. Na verdade vivemos em cima de balsas de granito que flutuam em um oceano de lava incandescente. Essas balsas são as placas tectônicas que formam a crosta do nosso planeta, mais ou menos como aquelas seções de uma bola de futebol.

Onde as placas colidem a energia se acumula e é liberada periodicamente, nos terremotos. Aqui na América do Sul a placa tectônica do Pacífico mergulha por baixo do continente ali na costa do Chile e do Peru. Que por isso sofrem terremotos ainda mais violentos do que os da Europa. Outra região de intensa atividade sísmica é o arquipélago japonês, onde um grande terremoto atingiu a região de Tohoku, em 2011, matando mais de 15 mil pessoas. O terremoto japonês atingiu grau 9.0 e provocou um tsunami com ondas de quatro metros de altura. Que varreu as cidades costeiras.

Inevitáveis

Os terremotos são inevitáveis, mas medidas preventivas podem reduzir o número de mortes. No passado os japoneses viviam em casas de madeira e papel, que não viram pilhas de escombros se forem sacudidas por um tremor. Hoje, a arquitetura moderna do Japão é feita para resistir aos abalos. Tanto que no sismo de 2011 a maior parte das mortes foi provocada pelas ondas gigantes, não pelos desabamentos. No caso da Itália as construções são feitas com pedra e tijolos, que não suportam as oscilações da Terra.

Um morador de Amatrice, entrevistado depois da catástrofe, contou que o governo sugeriu que as pessoas reforçassem as casas antigas, depois do terremoto de 2009. Mas por falta de dinheiro muitos não puderam fazer as obras necessárias. E quando o terremoto aconteceu os prédios que desabaram foram justamente aqueles que não tinham sido reforçados.

Não é um problema exclusivamente italiano. Em 1755 a cidade de Lisboa, em Portugal, foi devastada por um terremoto, seguido de tsunami que matou 100 mil pessoas. O terremoto aconteceu nas primeiras horas da manhã, quando as pessoas estavam nas igrejas para a primeira missa do dia. E a maioria das igrejas desabou em cima dos fiéis. Foi um choque para os teólogos da época, que não entendiam como um Deus bondoso podia permitir tamanha desgraça.

Hoje sabemos que os terremotos, os furacões e outras catástrofes não dependem da vontade dos deuses. São parte do dia a dia de um planeta ativo como a Terra. É conviver com eles ou mudar de planeta.

Beleza: Amatrice, antes do terremoto

Beleza: Amatrice, antes do terremoto

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Tristeza: Terremoto matou mais de 250 pessoas

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    Para morrer, basta estar vivo. Quem não morre num terremoto ou maremoto (tsunami é frescura de gringo) vai morrer hoje, amanhã ou depois através de um dos milhões de motivos existentes ou por existir… A natureza sempre provê seus expurgos, mas diga-se de passagem que hoje em dia é em número infinitamente menor que o provocado pelo homem. Some-se todos os sinistros por catástrofes naturais em um ano no mundo que não dá a quantidade de mortes por armas de fogo, no mesmo período, no estado como o Rio de Janeiro…

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