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Que venha 2019

Matéria publicada em 28 de dezembro de 2018, 10:13 horas

 


Finda-se mais um ano, e o que muitas vezes vem à cabeça, mais do que foi feito, é o que não foi realizado. Para muitos, bate o sentimento de culpa pelas promessas feitas e não cumpridas. São sentimentos toscos que tomam conta da cabeça de muitos que se acham na obrigação de fazer, ao longo dos 365 dias do ano, o politicamente correto, do nascer ao por do sol. Não são poucas as pessoas que estabelecem dezenas de metas para o ano que vai começar, uma espécie de ritual, algo que serve para marcar o fim de um ciclo, já apresentando outro logo a seguir.
E as promessas que muito se parecem com as dos políticos, são: emagrecer, economizar, fazer ginástica, ser mais paciente, deixar algum vício, ser organizado, pensar mais na saúde, e por aí vai. Muitas dessas promessas ficam pelo caminho já no primeiro mês do ano, e quando chega dezembro bate a dor e o arrependimento, e a falta de tempo recebe a culpa pelos resultados não obtidos, até porque nada foi tentado.
Ano-Novo, vida nova, pura balela! Na verdade, esse deveria ser o momento para se fazer uma autoanálise do que deu errado, buscando saber porque determinada “promessa” não tornou-se real. É fato que o insucesso gera angústia. É primordial estar ciente de que pelos caminhos podem ocorrer algumas falhas e até mesmo acomodações, mas nada deve ser encarado como fracasso, mas, sim, como desafio.
Para mim, as promessas têm que fazer parte, de verdade, do contexto da vida e principalmente não deixá-las se transformarem em obsessão. E, se não bastassem as promessas de Ano-Novo, ainda temos as tresloucadas superstições, que vão desde pular sete ondas até comer uvas e romãs, se vestir de branco ou dourado, jogar flores no mar, guardar na carteira uma nota novinha em folha, entre outras formas fantásticas de trazer para perto de nós um novo ano perfeito, sem falhas.
Há países que se superam na superstição. Na Dinamarca, por exemplo, no último dia de dezembro, para dar sorte, colocam-se pratos e copos quebrados na porta dos vizinhos. Nas Filipinas, devem-se comer doze frutas redondas. Na Itália, lentinhas, ou ainda jogar objetos velhos pela janela. Na China, para entrar o ano com prosperidade, deve-se limpar bem a casa e cortar o cabelo. Na Venezuela, faz-se uma lista do que foi ruim ou do que se deseja ver bem longe no ano que vai começar e a seguir coloca-se fogo, fazendo tudo virar fumaça. E no Camboja costuma-se jogar água colorida nos parentes e amigos.
Já no País de Gales existe uma que acho meio complicada de fazer por aqui. Lá, eles correm para o banco no último dia do ano para quitar todas as dívidas, acreditando que assim vão começar o ano livre de problemas. Essa superstição, por aqui é hiper difícil de se levar a risca, porque o volume de dívidas dos brasileiros não é algo tão simples. Cerca de 41% dos brasileiros têm contas atrasadas. Uma soma que passa dos 63 milhões de reais, com média de duas contas atrasadas por pessoa. Sendo assim, fazer o que fazem os britânicos não será muito fácil.
O negócio, com ou sem superstição, é encarar a troca de ano com fé e um belo sorriso nos lábios para se estar bem acordado no momento da virada, até porque Réveillon, uma palavra de origem francesa, do verbo “réveiller”, surgida no século 17, significa “acordar”. Sendo assim Réveillon é o despertar para um novo ano, mesmo que muita gente não leve essa história muito a sério.
É hora, então, de torcer, acreditar e de cada um fazer a sua parte para que esse planeta fique melhor, menos poluído de gente desonesta, chata e preguiçosa. Agora é o momento de literalmente olhar para a frente, de arregaçar as mangas, partir para o abraço e depois para os deveres, para que assim possamos cobrar nossos direitos. Então, que venha 2019.


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