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Recall de alimentos

Matéria publicada em 6 de dezembro de 2019, 16:21 horas

 


Recentemente a PepsiCo Brasil anunciou o recall de unidades do salgadinho “Fandangos” de presunto com prazo de validade até fevereiro de 2020. Isso porque o salgadinho contém proteína do leite sem a devida informação, o que pode disparar crises em pessoas alérgicas à substância.
Já vi recall de tudo, sobretudo, de peças de automóveis, mas, de salgado, confesso que foi a primeira vez que tive notícias e que me causou certo espanto.
O recall é a chamada “reparação” de algum produto, seja ele algo comestível ou um veículo, passando por eletroeletrônicos, remédios, brinquedos, entre outros itens que apresentaram um lote ou uma série inteira com falhas de produção.
Nesse caso, o produto deve ser trocado ou consertado sem nenhum ônus por parte do consumidor. É bom que se diga que a finalidade principal do recall é evitar acidentes, protegendo e preservando a vida e a saúde, bem como a segurança de quem adquiriu aquele produto.
No Brasil, a palavra é normalizada pelo Código de Defesa do Consumidor, fazendo com que as empresas sejam obrigadas a anunciar a todos os consumidores que existe um erro na fabricação do produto e orientar quais atitudes deverão ser tomadas para fazer a troca imediata.
De acordo com a Lei 8.078/90 do Código de Defesa do Consumidor, “o fornecedor não pode colocar no mercado de consumo, produto ou serviço que apresente alto grau de risco à saúde ou segurança das pessoas. Caso o fornecedor venha a ter conhecimento da existência de defeito após a inserção desses produtos ou serviços no mercado, é sua obrigação comunicar o fato imediatamente às autoridades e aos consumidores”.
O que mais acontece no Brasil são recalls de automóveis. Casos como esse da PepsiCo são extremamente raros, haja vista que por aqui marcas como Chevrolet, Ford, Mercedes-Benz, Volvo, Land Rover, Citroen, Honda, Jeep e Toyota estão entre as principais marcas a viverem esse périplo do recall, sendo a Chevrolet líder de convites para que os compradores voltem às oficinas para corrigir erros de toda ordem.
Mas nem só de recall de automóveis vivem os produtos de hoje em dia. O que poucos sabem é da existência ou da necessidade da realização de recall em aparelhos de celular. Até mesmo pelo fato de nenhum fabricante ou distribuidor divulgar essa necessidade. Vai se saber o porquê desse silêncio absurdo.
Importante que os consumidores possam verificar se os aparelhos devem ou não passar por um recall diretamente com o fabricante. Basta entrar em contato com os responsáveis para saber sobre esta necessidade através do número do IMEI.
Televisões em LCD já passaram por este momento; no caso, através da fabricante sul-coreana LG, que, pela primeira vez no país, convidou os consumidores para corrigir um erro em alguns dos seus produtos.
O objetivo do recall é prevenir acidentes e, sobretudo, mortes, algo que ocorreu, infelizmente, com uma das maiores empresas do mundo, o grupo norte-americano Mattel, que anunciou, em abril deste ano a devolução de um lote de 4,7 milhões de cadeiras de balanço de bebê, da marca Fisher-Price, no mundo todo. As autoridades dos Estados Unidos concluíram que esses produtos provocaram mais de 30 mortes em dez anos. No caso, o defeito ocorria após os bebês virarem de cabeça para baixo ou de costas, quando não estavam atados pelo cinto de segurança da cadeira. Em função desse grave problema, a Fisher-Price informou que a comissão pediu aos consumidores para deixarem de usar imediatamente a cadeira a partir dos três meses de vida ou assim que os bebês começassem a se movimentar sozinhos.
Portanto, recall de fogão, de medicamentos, de secador de cabelo, de camisinhas, de próteses mamárias, de papinhas de bebê, de geladeira, de esfoliante, de sucos, de rádio, de lâmpada e até de pão não é surpresa para ninguém. Espantoso é saber que a primeiríssima em recalls é a fabricante dos leites Parmalat e Líder UHT integral, com mais de 300 mil caixas que continham formol adicionado ao leite. Sem esquecermos que em 2011, houve no Sul do país, um grande recall de Toddynho que estava contaminado com detergente, quando 30 pessoas foram afetadas pelo efeito do produto.
Ao final, ficam as dúvidas: por que o número de recalls aumentou nos últimos anos? Seria devido à pressa em lançar sempre novos produtos e à redução dos testes nos protótipos? Ou seria para a redução dos custos na manufatura e no controle de qualidade? Quem poderá responder a essas perguntas? Afinal, os consumidores que compram esses produtos nem sempre têm a oportunidade de vê-los trocados ou consertados.

Recall de Fandangos: Lote do salgadinho contém proteína do leite sem a devida informação (Foto: Divulgação)

 


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