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Relembrando Jerry Lewis

Matéria publicada em 25 de agosto de 2017, 07:10 horas

 


Ator inventou o sistema de videomonitoramento em filmes; nascido em 1926, ele começou a fazer sucesso depois da Segunda Guerra Mundial

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Jerry Lewis morreu domingo passado, aos 91 anos de idade. Comediante, ator e diretor ele foi um dos astros mais bem pagos do cinema durante a década de 1960. Lewis foi um pioneiro no uso do videotape para monitorar as filmagens, usando câmeras de circuito fechado. Técnica que Stanley Kubrick aprendeu com ele e depois usou nas filmagens do clássico “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Lewis atuou em mais de setenta filmes e uma das últimas aparições em um filme foi uma ponta na comédia brasileira “Até que a sorte nos separe 2” (2013) do Leandro Hassum.

Nascido em 1926, Jerry Lewis começou a fazer sucesso depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1946 ele formou uma dupla com o cantor e ator Dean Martin. Martin fazia o galã conquistador enquanto Lewis era seu amigo bobo e atrapalhado. Os dois estrelaram muitas comédias de sucesso como “Artistas e Modelos” (1955) e “O Rei do Laço” (1956). Mas o sucesso provocou uma tensão na dupla e Martin e Lewis acabaram desfazendo sua parceria e partindo para carreiras solo antes do fim dos anos cinquenta.

Em 1963 Lewis estrelou e dirigiu seu filme mais famoso, “O Professor Aloprado”. Uma adaptação do clássico “O Médico e o Monstro” de Robert Louis Stevenson, que transporta a história da Inglaterra vitoriana para a Califórnia moderna. Lewis é o professor Julius Kelp, que se apaixona por uma aluna linda e loira (Stela Stevens). Feio e desajeitado ele bebe uma fórmula e se transforma no galã Budy Love. O problema é que a fórmula perde o efeito nas horas mais inconvenientes.

Curiosamente os críticos de cinema americanos esnobavam o trabalho de Lewis. E o consideravam um simples comediante careteiro. Na Europa, todavia, e principalmente na França, Lewis era considerado um gênio. A admiração dos franceses foi tão grande que, em 1984 o governo francês condecorou Jerry Lewis com a “Legião de Honra”, a comenda máxima daquele país.

Pessoalmente passei minha juventude vendo os filmes do Jerry na televisão e nos cinemas poeiras do Rio de Janeiro. Embora todos fossem comédias eles nunca eram iguais. As histórias e os cenários variavam muito e a Paramount Studios colocava todos os seus recursos à disposição de seu astro. É o caso de “A canoa furou”, filme de 1959 onde Lewis é um ex-oficial da Marinha americana acusado de ter roubado o contratorpedeiro que comandou na Segunda Guerra Mundial. Ele acaba descobrindo que o navio foi afundado como alvo e mergulha até o casco submerso em uma sequência submarina incrivelmente bem filmada.

Em “Rabo de Foguete” (1960) ele é o extraterrestre Kreton, que resolve visitar a Terra para estudar os humanos. Seu disco voador pousa no jardim de um famoso jornalista da TV que não acredita em OVNIs ou alienígenas. O roteiro foi baseado em uma peça do famoso teatrólogo Gore Vidal, que não gostou nada da escolha de Lewis para o papel. Mas o filme acabou sendo indicado para o Oscar.

Outra incursão de Lewis no espaço sideral foi “Um biruta em órbita”. Onde Jerry é o astronauta Peter Mattermore, obrigado a um casamento de conveniência com uma astrônoma (Connie Stevens), de modo que os dois possam ficar seis meses na Lua. Filmado em 1966 o filme é cheio de detalhes proféticos, como a TV de tela plana e o sistema de comunicação por vídeo.

Alguns dos maiores sucessos de Lewis, como o Professor Aloprado, estão disponíveis em DVD de região 4. Outros, como “Um biruta em órbita” são bem mais difíceis de encontrar, mas podem ser baixados da internet. Eddie Murphy estrelou uma refilmagem do “Professor Aloprado” que não chegou nem perto do original.

Jerry: Na Lua com Connie Stevens

Jerry: Na Lua com Connie Stevens

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    Descanse em paz!

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