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Revendo os seriados de antigamente

Matéria publicada em 14 de agosto de 2018, 08:24 horas

 


Com orçamento pequeno séries eram mais criativas

Eternos: Logan e Jessica continuam fugindo no DVD

Já não se fazem mais seriados como antigamente. As séries de hoje em dia são cheias de efeitos de computação gráfica, passam na TV por assinatura e parecem games. Os seriados antigos eram exibidos na TV aberta, não tinham muitos efeitos especiais, mas eram cheios de charme e criatividade. E não se trata de saudosismo, já que muitas dessas séries clássicas, do século passado, estão disponíveis em DVD e em arquivos da internet. Só no Youtube dá para conferir episódios, aberturas, música tema. Tudo conferido e arquivado com uma tecnologia que não existia naquele tempo.

Na década de 1970, por exemplo, as séries de TV já eram divididas em policiais, ficção científica, dramas familiares e épicos históricos. As séries policiais tinham detetives de todos os tipos e gêneros. Um dos meus favoritos era o Kojak, interpretado pelo ator americano, de origem grega, Telly Savallas. A série era filmada nas ruas de Nova York, uma coisa rara ainda hoje. Kojak era um detetive durão que vivia chupando pirulitos, para largar o cigarro e resolvia casos envolvendo assassinatos e disputas entre mafiosos.

Savallas era adepto do nepotismo e colocou muitos parentes e amigos no seriado. A música tema, grandiosa, era composta pelo grego John Cacavas. E o irmão do ator, George, fazia um pequeno papel recorrente, como o detetive Stavros. No Brasil a série era exibida dublada, o que facilitava muito a vida dos fãs. No original os diálogos do seriado eram carregados de uma gíria nova-iorquina que causou estranheza quando os episódios foram exibidos na Inglaterra. Os britânicos tiveram dificuldade de entender algumas das frases, como o bordão do herói: “Who loves ya,baby?”

Kojak não falava New York. Era “Nuu Yok”. É por isso que quem viu a série dublada vai achar os diálogos estranhos, se assistir a versão original, em DVD ou no Youtube. Quem morou muito tempo em Nova York garante que Kojak transmite um sentimento de nostalgia. Tão perfeito é o modo como o seriado capturou os cenários, o linguajar e o estilo nova-iorquino dos anos de 1970.

Outra série típica dos anos 70 foi a “Fuga no século 23” (Logan´s run). Era baseada numa superprodução de Metro que só não fez mais sucesso porque foi atropelada pela “Guerra nas Estrelas” do George Lucas. A história de passa numa sociedade perfeita, do ano 2200, onde as pessoas vivem uma vida de prazeres em uma cidade coberta por enormes domos. Quase tudo é permitido, menos completar 31 anos. Aos 30 anos todo mundo tem que morrer num ritual chamado Carrossel. Os que não se conformam com a vida curta fogem, e são caçados por uma elite policial conhecida como “Homens de areia” (Sandmen no original).

O filme e a série são uma sátira ao culto a juventude dos anos de 1960. Quando líderes estudantis afirmavam não acreditar em ninguém com mais de 30 anos. O seriado narra as aventuras de uma fugitiva, a bela Jessica 6, que conquista o amor de seu maior inimigo, o policial Logan 5. Que resolve fugir com ela em busca do mítico “Santuário”. Na televisão Jessica foi interpretada pela atriz Heather Menzies (Falecida no ano passado), que foi uma das crianças cantoras do clássico “A noviça rebelde”.

Num dos episódios de “Fuga no século 23” Menzies voltou a contracenar com outra colega da família Von Trap: Angela Carthwright, que foi a Penny Robinson do seriado “Perdidos no Espaço”. É por isso que todas as vezes que revi “A noviça rebelde” fiquei pensando no destino improvável de duas daquelas menininhas. Uma virou astronauta, perdida pela galáxia, e outra fugitiva da cidade dos domos.

 

3 comentários

  1. Já não se fazem mais seriados como antigamente, pois, antigamente, os seriados podiam ser vistos por todos os brasileiros em qualquer canal de tv, no entanto, nos últimos anos, por exemplo, um seriado chamado “O Mecanismo”, sofreu duras críticas do PT e da Dilma Roussef, que tentaram de todas as formas impedir a exposição do seriado no Brasil e na América Latina! Ou seja, ainda hoje, há resquícios da ditadura militar em pleno período democrático da civilização brasileira!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “Isso é uma vergonha!”…

  2. sua coluna é otima!

  3. Luto pela morte das revistas da Abril

    Iniciei meu filho com leitura de HQ da Disney, que devido a situação econômica da Abril, não são mais publicados no Brasil, agora essa semana a revista Mundo Estranho , também deixou de ser publicada…
    Se a Abril continuar assim, não teremos mais Super Interessante, Veja , Etc…
    Assim fica difícil colocar em um adolescente o gosto por leitura, periódicos.
    A cultura está morrendo um pouco….

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