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Roubaram o módulo de ouro

Matéria publicada em 4 de agosto de 2017, 07:00 horas

 


Miniatura criada pelo joelheiro Cartier foi presente para Armstrong; polícia ainda não tem pistas do roubo

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Roubaram o módulo lunar do astronauta Neil Armstrong! Não o original, que levou o comandante da Apollo 11 até a superfície da Lua, mas uma miniatura, em ouro 18 quilates, feita pelo joalheiro francês Cartier. A preciosa relíquia faz parte de um conjunto de três peças idênticas que foram doadas aos astronautas da Apollo 11 durante uma visita a Paris, em outubro de 1969, quatro meses depois da missão histórica.

Armstrong doou o módulo para o museu que leva seu nome, na sua cidade natal de Wapakoneta, no estado de Ohio. Onde ela ficou em exposição até ser levada por ladrões na semana passada. A polícia ainda não tem pistas do roubo. A história lembra a da nossa taça do mundo, a Jules Rimet, que foi roubada da sede da CBF no Rio de Janeiro e derretida. No caso do módulo lunar ainda há esperanças de que seja encontrado intacto, já que ele vale mais como relíquia histórica do que pelo seu valor em ouro.

Os módulos da Cartier foram um presente dos leitores do jornal francês Le Figaro aos três astronautas da Apollo 11. Que pousaram na Lua em julho de 1969. Os modelos reproduzem muitos dos detalhes da nave Eagle cujo estágio de descida se encontra até hoje na planície poeirenta do mar da Tranquilidade.

Cada um dos modelos foi entregue dentro de uma caixa de veludo vermelho em forma de pirâmide e o nome da cada astronauta foi gravado no estágio de descida junto com a inscrição em francês “Les lecteurs  du journal Le Figaro” (Os leitores do jornal Le Figaro). Dentro do motor do módulo há um microfilme com os nomes de todos os assinantes e patrocinadores do jornal.

O Museu Aeroespacial Neil Armstrong foi inaugurado em 1972 e tem como atrações a cápsula espacial Gemini 8 que Armstrong e seu colega David Scott pilotaram em 1966, durante uma missão extremamente arriscada. O visitante também encontra trajes espaciais que o astronauta usou durante o treinamento e que foram emprestados pelo Smithsonian de Washington. O FBI já entrou no caso e está ajudando a polícia nas investigações.

Dos outros dois módulos de ouro, o do astronauta Michael Collins foi leiloado por 50 mil dólares e readquirido pela Cartier, que costuma exibi-lo em sua loja de Nova Iorque. O terceiro módulo ainda se encontra com o astronauta Buzz Aldrin.

Neil Armstrong morreu em 2012 e não viveu para ficar sabendo do roubo do seu troféu. Em sua biografia, escrita pelo jornalista James Hansen, o astronauta contou que sempre procurou ajudar o museu, doando ou emprestando peças do seu acervo. O diretor do museu postou um comentário no Facebook lembrando que os museus não são donos dos objetos que exibem. Eles apenas preservam e cuidam de itens que pertencem ao povo.

O caso do módulo do Armstrong é semelhante ao da Taça Jules Rimet, que foi o troféu máximo da Copa do Mundo de futebol até a conquista do tricampeonato pelo Brasil em 1970. A Jules Rimet foi roubada duas vezes. Pela primeira vez em Londres, em 1966, onde acabou sendo encontrada por um cachorro chamado Pickles.

Com a conquista do tricampeonato o troféu veio para o Brasil perpetuamente, mas não durou muito. Foi roubado de novo em 1983 e nunca mais encontrado. Restou apenas a base que foi levada para a sede da FIFA em Zurique.

Perfeita: A miniatura foi feita em ouro dezoito quilates

Perfeita: A miniatura foi feita em ouro dezoito quilates

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar
    الفتح - الوغد

    A Taça Jules Rimet também valia muito mais pelo simbolismo que pelo peso em gramas, mas deu no que deu… O módulo precisa da sorte de ter sido levado por alguém menos estúpido que o larápio do troféu da Copa…

  2. Avatar

    Uma pena este fato. Quando li o título, pensei que fosse no Brasil…

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