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Rússia informa que sinal alienígena era falso

Matéria publicada em 8 de setembro de 2016, 07:00 horas

 


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A Academia de Ciência da Rússia desmentiu que o sinal de rádio, captado pelo radiotelescópio RATAN, tenha sido produzido por uma civilização extraterrestre. O anúncio da descoberta, feito na semana passada, provocou agitação nos meios científicos. Segundo os astrônomos do observatório RATAN-600, situado na República de Carachai-Circásia, que fica perto da Geórgia, o sinal viria de uma estrela similar ao Sol, a HD164595, que fica a 95 anos-luz de distância. Agora os russos informaram que a fonte de rádio seria um satélite militar, perto da Terra, e não uma supercivilização extraterrestre distante.

Desde a década de 1960 que astrônomos de todo o mundo procuram sinais de vida extraterrestre no espaço. Nunca encontraram nada. Em agosto de 1977 o radiotelescópio Big Ear (A Grande Orelha) da Universidade de Ohio, captou uma forte emissão de rádio que durou apenas 72 segundos, mas era 30 vezes mais forte do que o ruído cósmico de fundo. Ela ficou conhecida como o sinal “Uau!” porque o astrônomo de plantão na ocasião escreveu essa expressão na página da impressora do computador onde o evento foi assinalado.

O problema com o sinal “Uau!” é que ele nunca mais se repetiu. Novas observações da mesma região do céu, na constelação do Sagitário, não registraram nada de anormal. Se fossem as transmissões de rádio ou televisão de uma civilização do espaço elas teriam se repetido. Ou durado mais tempo do que 72 segundos.

O caso registrado na Rússia é semelhante. A equipe do RATAN-600 já tinha observado a estrela HD164595, na constelação de Hércules, 39 vezes sem detectar nada de anormal. Mas em 15 de maio do ano passado o radiotelescópio recebeu uma forte emissão de rádio que parecia vir da estrela. Pela potência do sinal, um trilhão de watts, ele teria sido produzido por uma civilização classe 2, na escala de Kardashev. Ou seja, uma civilização que controla toda a produção de energia de um sistema solar inteiro.

Mas esse cálculo é baseado na hipótese de que o sinal de rádio teria vindo de um local a 95 anos-luz da distância. Se ele foi produzido por um satélite militar, perto da Terra, então a potência do transmissor nem chegou perto disso. De qualquer forma a equipe do Instituto SETI, dos Estados Unidos, observou a estrela durante duas noites, usando o radiotelescópio Allen e não detectou nada. Agora o astrônomo Seth Shostack anunciou no site Space.com que os russos desmentiram a procedência alienígena do sinal de rádio.

Continua

Mesmo assim a busca por outras civilizações extraterrestres continua. Atualmente os astrônomos continuam a observar a estrela Tabi, que tem uma estrutura misteriosa ocultando sua luz periodicamente. Uma hipótese é de que seria um imenso coletor de energia solar construído por extraterrestres inteligentes. Mas também pode ser algum tipo de nuvem de poeira.

O sonho de encontrar vida inteligente no espaço é antigo, e inspirou romances e filmes, como a famosa série “Jornada nas Estrelas” que está completando 50 anos. Em “Jornada nas Estrelas” (Star Trek no original) a missão do capitão Kirk é procurar novas vidas, novas civilizações em uma viagem de cinco anos pela nossa galáxia. Na ficção ele tem a nave Enterprise, capaz de viajar mais rápido do que a luz e percorrer imensas distâncias em poucas semanas. Na vida real ainda não podemos construir uma Enterprise e os astrônomos procuram por sinais de rádio, que outras formas de vida possam estar produzindo.

Um estudo recente, baseado na idade da nossa galáxia, concluiu que a vida inteligente ainda não teve tempo para produzir civilizações mais avançadas do que a nossa. Os extraterrestres estariam no mesmo grau de desenvolvimento da Terra e seus sinais só teriam percorrido 1% da Via Láctea.

 

RATAN 600: A antena russa que capta sinais do espaço

RATAN 600: A antena russa que capta sinais do espaço

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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