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Satélite meteorológico vai produzir imagens de alta definição

Matéria publicada em 8 de dezembro de 2016, 14:31 horas

 


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Com um lançamento noturno espetacular o foguete americano Atlas 5 levou ao espaço o satélite GOES-R. Trata-se do mais avançado satélite de previsão do tempo já construído. Para os meteorologistas da Nasa o GOES-R representa um avanço comparável ao da passagem da televisão analógica, em preto e branco, para a TV digital de alta definição. Colocado em órbita geoestacionária, a 36 mil quilômetros de altura, o satélite, cujo nome é formado pelas iniciais em inglês de Satélite Ambiental Geoestacionário, vai funcionar durante 20 anos e produzir imagens das nuvens, frentes frias e tempestades se formando no hemisfério ocidental do nosso planeta.

Construído pela empresa Lockheed-Martin o GOES-R faz parte de um programa de onze bilhões de dólares para melhorar a previsão do tempo. O foco principal, claro, é a América do Norte, que sofre a ameaça constante de novos furacões. Mas as observações feitas pelos engenhos da série Goes são compartilhadas por meteorologistas do mundo inteiro. ”Quando detectarmos uma tempestade se formando poderemos dar um zoom, ampliando a imagem e tirando fotos em 16 canais espectrais a cada 30 segundos”, disse o cientista chefe do projeto. O satélite também vai ajudar a rastrear as nuvens de cinzas produzidas por erupções vulcânicas que são uma grave ameaça para os aviões de carreira.

A série GOES tem sido aperfeiçoada ao longo das últimas décadas e existem sempre três satélites desse tipo no espaço. O uso de satélites para monitorar o clima já salvou milhões de vidas no mundo inteiro, fornecendo um alerta antecipado quanto a formação de tornados, furacões e tempestades violentas. Os primeiros satélites meteorológicos foram da série Tiros e Nimbus, lançados pelos americanos na década de 1960. Hoje vários países como a Rússia e a França já desenvolveram satélites semelhantes, ainda que não sejam tão aperfeiçoados quanto os modelos americanos.

Os dados transmitidos diariamente pelo GOES-R serão o equivalente a baixar da internet 210 filmes em HD todo dia. Do outro lado do mundo fracassou o lançamento do cargueiro russo Progresso que ia levar suprimentos e novas roupas espaciais para os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional. O Progresso se queimou na atmosfera com toda a sua carga devido a uma falha do terceiro estágio do foguete russo Soyuz. Que não desenvolveu força suficiente para colocar a espaçonave em órbita.

A estação espacial internacional encontra-se no espaço há 16 anos e recebeu recentemente uma nova tripulação. Comandada pela veterana astronauta americana Peggy Whitson. As tripulações da ISS são formadas por três pessoas e ficam no espaço por períodos de seis meses. A ISS também ajuda nas observações sobre o clima na Terra, mas perdeu seu instrumento de monitoração de furacões. Que deixou de funcionar devido a falha de um dos componentes.

No Brasil o governo anunciou a compra de um novo satélite de comunicações. Construído na França pela empresa Thales Alenia Space o novo satélite será responsável por todo o tráfego de comunicações das forças armadas brasileiras. Além disso, ele terá uma função civil, transmitindo um serviço de internet banda larga para todo o território nacional.

O SGDC será levado para a base de Khourou, na Guiana Francesa, onde será instalado no cone de um foguete europeu Ariane 5. Que deve levá-lo ao espaço em março do ano que vem. Como os satélites meteorológicos, os satélites de comunicações precisam ficar em uma órbita estacionária, parados sobre um hemisfério do planeta. Para isso usa-se a órbita geoestacionária onde a velocidade do satélite iguala o movimento de rotação do nosso planeta. Atingir essa órbita, a 36 mil quilômetros de altura, exige foguetes muito potentes, como o Atlas 5 americano e o Ariane 5 europeu.

Partida: O GOES-R foi levado pelo foguete Atlas 5

Partida: O GOES-R foi levado pelo foguete Atlas 5

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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