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Será que vão gostar de mim?

Matéria publicada em 8 de fevereiro de 2020, 07:00 horas

 


Crianças que trocam de escola costumam ficar muito ansiosas diante dessa nova fase da vida

Voltamos às aulas. Quem nunca sentiu um frio na barriga em função desse retorno? E quando vamos trocar de escola, turmas novas, colegas, professores, ambientes. Tudo novo. Ansiedade, isso mesmo, em todos nós. Uns com mais outros com menos.
Crianças que trocam de escola costumam ficar muito ansiosas diante dessa nova fase da vida. O que podemos fazer, enquanto pais e educadores?
Segundo um relatório divulgado OMS em 2017, o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. 9,3% da população manifesta algum quadro de ansiedade. Se a ansiedade já faz parte de nosso cotidiano, como podemos fazer para minimizar seus impactos e perceber os seus aspectos positivos?
A ansiedade é uma sensação do nosso organismo que atua como resposta a um acontecimento futuro. Como ficamos antes de uma prova, ou antes de uma entrevista de emprego, antes de apresentar um trabalho em público? Mas é justamente essa tensão, esse alerta que nos deixa mais capazes de executar determinada tarefa com maior possibilidade de êxito. Ao longo da nossa existência, foi essa descarga de adrenalina que aumentou nossas chances de sobrevivência. E é justamente por isso que ficamos ansiosos. Queremos “sobreviver” no novo grupo, na nova função, na nova turma, no novo trabalho. Enfim, queremos ser aceitos.
É aí que devemos nos entender para obtermos respostas mais racionais para nossa própria ansiedade e para capacitar nossos filhos e alunos diante desse momento. A primeira ação a ser tomada para sairmos do puro emocional e ampliarmos nosso escopo racional é entender que todos temos ansiedade, todos sentimos o friozinho na barriga diante de algo novo. Racionalmente falando, isso é bom, pois ficaremos mais atentos e, certamente, agiremos com mais zelo, atenção e foco. Isso certamente aumentará as nossas chances de sucesso. No fundo no fundo, isso é bom.
Será que conseguiremos passar essa ideia para nossas crianças, será que conseguiremos perceber o quanto esse sentimento que nos tenta aproximar do futuro para prever os possíveis problemas pode nos ser útil? Claro que o equilíbrio é fundamental. Gosto de pensar no futuro para que eu possa planejá-lo, pois a tentativa de viver estressadamente no futuro é algo que deve ser entendido como uma patologia e que devemos precisar de ajuda.
Entender que ficar um pouco preocupado com o futuro pode permitir um melhor planejamento, para, em seguida, voltar a viver o presente, pois se a preocupação com o futuro nos atrapalha viver o presente, é sinal que precisamos de ajuda.
Vale a pena entender, portanto, as verdadeiras causas dos nossos medos do futuro, entender que, na maioria das vezes, elas estão atreladas à autoaceitação. Isso implica em uma tarefa de autoconhecimento, e, uma vez que nos aceitamos como somos, tudo ficará mais fácil. Vamos, então, pensar no futuro com o objetivo de planejá-lo. Pois, assim, nos sobra mais tempo para aproveitarmos o presente.

Aproveite o sábado,
TMJ!

Raphael Haussman. É professor, Coach, consultor e apaixonado por educação e desenvolvimento humano e, ainda, pai da Raphaela e do Theo.

Nosso dicionário:

*Frio na barriga – A expressão é usada para definir a sensação de obtida quando alguém passa por situações de ansiedade, medo, vergonha ou emoções fortes em geral.

*Ansiedade – A Ansiedade é um estado psíquico de apreensão ou medo provocado pela antecipação de uma situação futura.

*OMS – A Organização Mundial da ou de Saúde é uma agência especializada em saúde, fundada em 7 de abril de 1948 e subordinada à Organização das Nações Unidas.

*Transtornos de ansiedade – Distúrbio de saúde mental caracterizado por sentimentos de preocupação, ansiedade ou medo que são fortes o bastante para interferir nas atividades diárias.

*Depressão – Depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz alteração do humor caracterizada por tristeza profunda e forte sentimento de desesperança. É essencial identificar sintomas e procurar ajuda médica.

*Tensão – Sentimento de inquietude, situação conflituosa.

*Êxito – Sinônimo de sucesso, conquista.

*Adrenalina – A adrenalina ou epinefrina é um hormônio produzido por glândulas localizadas sobre os rins, responsáveis por preparar o corpo para reagir em situações de euforia, medo ou estresse emocional.

*Friozinho na barriga – Sensação de nervosismo ou de pequeno estresse.

*Patologia – Além de significar o estudo das alterações produzidas no organismo pelas doenças, o termo patologia é também utilizado para designar essas mesmas alterações.

*Autoaceitação – Autoaceitação significa aceitar a si mesmo como se é, gostar de si, respeitar seus sentimentos e escolhas. Não é se conformar e desistir de ser melhor, mas é um passo fundamental para a mudança. A autoaceitação leva à valorização pessoal e a uma autoestima elevada.


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