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Sete pecados capitais

Matéria publicada em 23 de junho de 2017, 08:10 horas

 


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“O amor deveria perdoar todos os pecados, menos um pecado contra o amor. O amor verdadeiro deveria ter perdão para todas as vidas, menos para as vidas sem amor”. Oscar Wilde

E os sete pecados capitais – gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba – cada vez mais tomam conta do mundo. O que são esses pecados, por que são chamados de capitais, qual é sua hierarquia e como vencer cada um desses “demônios”?
A gula, a luxúria e a avareza encontram-se presentes nos instintos mais primitivos, nas necessidades mais básicas. A preguiça e a ira estão vivas em nosso emocional, nos estados negativos que nos abarcam e que são poderosos males, muitas vezes difíceis de ser vencidos. A inveja e a vaidade são os vícios que habitam muitas vezes o nosso olhar, que deseja sempre mais. A ira é um vício mortal e a gula indica descontrole em todas as áreas de nossas vidas, tanto física quanto mental e espiritual, não diz respeito apenas ao que comemos em excesso. Ela nos leva a fugir do equilíbrio, fazendo-nos querer sempre mais. A preguiça é espírito sem força que nos torna apáticos e sem foco. A luxúria é vício sedutor, seus prazeres são oriundos do sexo quando em desmedida intensidade, revolucionando o espírito e desordenando-o por inteiro. A avareza ou ganância pousa seu olhar sobre o acúmulo de bens, o deus dinheiro comanda, move o mundo. A inveja, vício constrangedor, invade os pensamentos e domina as atitudes daquele que foi vítima desse mal. A vaidade, necessidade mundana de ser sempre mais, alimenta o desejo desesperado de permanecer em evidência.
Quem peca muitas vezes não sabe por que pecou nem que pecou. Acredita veementemente que tenha agido de maneira certa e que, por conta disso, está acima de qualquer julgamento. Na verdade, mais que levar ao pé da letra a palavra “pecado”, quero me referir aos erros que cometemos no dia a dia, sejam eles quais forem, pequenos, médios ou grandes, se é que é possível mensurá-los. Vivemos em um planeta habitado por sete bilhões de pessoas, distribuídos em 193 países; portanto, como administrar tudo isso e mensurar o que é ou não pecado e como ele nasce, cresce e se reproduz?
Até arrisco a dizer que, em certos lugares por esse mundo, a luxúria predomina bem mais que a gula; noutros, a ira ganha disparado da avareza. O pecado é falta, erro, desobediência a uma norma ou um preceito. Diz-se que há pecados por omissão e outros por falta de conhecimento. Bem lá trás, como podemos ver no Antigo Testamento, o homem se redimia de seus pecados através do sacrifício de animais que eram oferecidos a Deus em troca do perdão. Já no Novo Testamento, foi Jesus quem se sacrificou em prol da humanidade, salvando o homem de seus pecados.
Agora, há pecados e pecados. Existe uma “novidade” em termos de pecado, que foi introduzida pela Teologia da Libertação, chamada de “pecado estrutural”, mais conhecido como “pecado social”, o que cometemos no dia a dia. Esta doutrina nos ensina que há pecados no contexto social, estruturas sociopolíticas, econômicas e culturais. Por conta disso, não sei exatamente se as barbáries que acompanhamos pelo mundo afora são pecados, mas sei que é terrível ver o planeta devastado pela fome, por guerras, terrorismo, abandono, roubos e outros pecados-crimes que parecem nunca ter fim. Até porque não conseguimos vislumbrar um ínfimo mexer de peças nesse grande tabuleiro, não há quem consiga dar um xeque-mate nessa degradação. São falácias em cima de falácias, e o resultado prático é imperceptível.
O planeta como um todo, em tempos de pós-modernidade, vive um momento de grande decadência espiritual e moral, uma grave crise de seriedade, que veio se desenvolvendo ao longo de séculos. Não precisamos ir muito longe, o nosso país é um grande exemplo desses sete pecados. Basta abrirmos a janela, e certamente iremos nos deparar com eles batizados por outros nomes.
Há quem pregue que o pecado é um conceito considerado retrógrado, obsoleto e antiquado, algo que não cabe mais na consciência do homem moderno, surreal demais para ser mensurado e diagnosticado como erro. A tendência contemporânea defende a total inexistência de verdade absoluta, nega por completo qualquer noção de pecado. Faz brotar um subjetivismo doentio e fomenta o relativismo ético. Em verdade, cria-se, ao fim de tudo, uma grande dúvida e, em última instância, um imenso vazio existencial.
O homem evoluiu de tal forma que declarou sua liberdade, passando a determinar o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode ser feito no espaço global. O problema é que cada indivíduo resolveu escrever a sua própria cartilha, a sua forma de agir e pensar. Com isso, criou-se um conflito porque todos querem e todos mandam. O mundo é um só, mas as vontades são multiplicadas por cada habitante do planeta.
O judaísmo ensina que o pecado é um ato, e não um estado do ser. O católico diz que o pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo. O espiritismo explica que pecado é qualquer carência de conformidade ou a transgressão de qualquer lei de Deus, dada como regra para a criatura racional. O evangélico nos fala que o pecado é qualquer ato, sentimento ou pensamento que vai contra os padrões de Deus. Quem peca desrespeita as leis divinas.
Certamente que tudo é muito maior que isso, mais minucioso, intenso e abrangente. Cada religião enxerga o pecado de uma forma e dá a ele sua penitência e seu perdão. O fato é que nosso planeta carece de amor em todos os níveis. Os sete pecados estão em profunda ebulição, provocando em nós medo e insegurança. É aterrador ver no que se transformou o mundo em decorrência da busca desenfreada pelo poder.
Como sempre, tudo é questão de bom senso, justa medida, equilíbrio, moderação, ou seja, nada em excesso. Encontrar esses limites é que são elas…

ARTUR RODRIGUES | [email protected]


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