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Síndrome de Wanderlust

Matéria publicada em 4 de dezembro de 2018, 08:10 horas

 


Estudos arqueológicos encontrados na Serra da Capivara, no Piauí, sugerem a presença de espécies primitivas de seres humanos vivendo por aquelas bandas há cerca de 50 mil anos. O curioso é que, até onde se sabe, viemos todos do leste da África, de uma região onde hoje seria a Etiópia.

Então que raios estaríamos fazendo em outro continente, numa era em que não tínhamos trem, navio, avião ou teletransporte?

Sim, meus amigos. Desde a época de nossos primos peludos que gostamos de dar um rolê por aí. Ao que tudo indica, fazemos turismo desde os tempos das cavernas.

Hoje é praticamente impossível encontrar um cantinho qualquer no planeta que não tenhamos colocado os pés, ou esticado os braços para nos imortalizar numa selfie. Cada dia mais pessoas decidem bater perna por aí.

Somos curiosos por natureza. Gostamos de olhar buracos de fechadura, sonhamos em visitar praias idílicas e vivemos a bisbilhotar o quintal do vizinho e a vida alheia na timeline do Facebook.

Uns anos atrás descobri que existe a Síndrome de Wanderlust. Apesar do nome sugerir alguma variante de psicopatia, achei os sintomas um bocado familiares: a pessoa não consegue ficar muito tempo num mesmo lugar, vive planejando as próximas férias, sente um prazer incontrolável em conhecer novos destinos e mal chegou de uma viagem já começa a planejar a próxima.

Tem gente que não gosta de viajar, prefere o conforto daquele pequeno pedaço de mundo que conhece, domina e confia, o pedaço do mundo que tem sua cara, seu formato, seu cheiro. E está tudo bem assim também. Cada um de nós tem um conceito próprio do que seja ser feliz.

Mas tem cada vez mais gente, inclusive este que vos escreve e se assume como portador da síndrome, que deseja conhecer lugares novos, mesmo que não seja em férias. Gosto de ir à padaria por caminhos diferentes, em horários diferentes e de vez em quando em padarias diferentes também.

Verdade seja dita, quem viaja às vezes entra numas furadas e gasta dinheiro. Mas quem viaja também ganha cultura, expande seus horizontes, aumenta seu repertório e sobretudo aumenta sua tolerância para as diferenças que nos tornam humanos, demasiadamente humanos. Viagem é uma das raras coisas que quanto mais você gasta, mais rico (por dentro) você fica.

E o legal é que as viagens acontecem antes da viagem (quando você planeja, pesquisa e sonha com ela), durante a viagem e depois da viagem, porque suas recordações, emoções e memórias ficarão gravadas dentro de você, feito uma tatuagem na alma.

Viver é preciso, viajar também.


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2 comentários

  1. Verdade, sou outro acometido por essa síndrome! Pode ser pra um lugar distante, ou mesmo ali numa aconchegante cidadezinha das Minas Gerais, não importa! O legal é descobrir o novo, conversar com as pessoas, mesmo em lugares onde não se domina o idioma…sim, isso é possível! As recordações de viagens são o nosso capital imaterial…esse nunca se deprecia! Esse ninguém tasca, nem governos com seus planos econômicos, nem impostos, nem inflação, nem sobe e desce do mercado…

    • Que legal Alexsander, então somos dois! Viajar é bom demais. Um abraço e obrigado pela leitura da coluna.

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