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Somos mulheres

Matéria publicada em 9 de março de 2019, 16:00 horas

 


Ontem foi dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, será que podemos comemorar uma data tão cara? Será que temos muito ainda o que aprender? Será que merecemos aprender? Será que temos a verdadeira capacidade de entender a grandiosidade da Mulher?
Ao olharmos para trás, veremos que nossa história, muitas vezes, pode nos envergonhar. Por exemplo, durante 322 anos – de 1500 a 1822 -, período em que Brasil foi colônia de Portugal, a educação feminina ficou geralmente restrita aos cuidados da casa, do marido e dos filhos. A instrução era reservada aos filhos homens dos indígenas e dos colonos. Tanto as mulheres brancas, ricas ou pobres, como as negras escravas e as indígenas não tinham acesso à arte de ler e escrever. Hoje, em pleno século XXI podemos afirmar que as nossas guerreiras conquistaram e vem conquistando seu espaço.
Hoje, há cerca de 3,7 bilhões de mulheres no mundo, ou 49,56% da população do planeta. Segundo a Unesco, em 47% dos países não há nenhuma diferença de notas entre meninos e meninas na primeira série do Ensino Fundamental, e o percentual sobe para 67% no Ensino Médio. Os números para ciências em geral variam pouco ao longo do ensino básico. Todavia, há retrocessos. A maioria das universidades não aceitava mulheres até o início do século 20. Uma das faculdades mais prestigiadas de Cambridge, o Magdalene College, por exemplo, só passou a aceitar estudantes do sexo feminino a partir de 1988.
Embora haja evolução nas conquistas, as mulheres se mostram verdadeiras guerreiras na luta por seus espaços. Eu, hoje, me emociono quando vejo um ônibus ou um caminhão dirigido por uma mulher – a representatividade é quase infinita, é de uma força impactante, uma imagem simples e grande -, fico feliz em ver que elas estão buscando e conquistando, apesar de tanta desigualdade, de tanta violência, de tantos absurdos, os seus espaços e fazendo o mundo mudar, e mudar para melhor.
E a história do 8 de março, as lutas pelo mundo, as greves, os olhos que brilhavam e que ainda brilham. Mulher, você é, realmente, um ser superior. Ainda sobre o 8 de março, esse dia só foi oficializado em 1975, pela ONU, o Dia Internacional da Mulher, o qual já era celebrado muito tempo antes, desde o início do século XX.
Portanto, ainda precisamos caminhar e evoluir enquanto sociedade. Vale a pergunta: Como nossas meninas são educadas? Para que mundo elas são preparadas? Qual é o tipo de igualdade que almejamos?
Já que esta é uma coluna sobre educação, vamos falar de mulher, de ser mulher em uma época que nos cobram as competências para o século XXI, quando somos mulheres? Quando somos capazes de sermos, efetivamente, iguais?
Somos mulheres quando somos capazes de fazer mais um pouco, quando entregamos mais do que o combinado, quando nos envolvemos verdadeira e efetivamente, somos mulheres quando amamos o que fazemos. Em um mundo tão complexo, tão, muitas vezes, obscuro, precisamos de mais mulheres. Mulher, dai-nos sua fortaleza, dai-nos suas certezas.
Somos mulheres quando temos a capacidade de solucionar problemas complexos, desde a briga entre irmãos, um problema de logística de alto impacto ou até o que será feito para o almoço. Somos mulheres quando temos a capacidade de tomar decisões importantes sobre a ciência, como, por exemplo, uma nova vacina, uma nova técnica cirúrgica, porque as mulheres estão nas cozinhas, nas salas, nas universidades, nas ciências, em todos os lugares, preenchendo o nosso mundo, preenchendo o mundo inteiro.
Somos mulheres quando temos a capacidade de pensar criticamente, de pensar no futuro e de forma imediata. Somos mulheres quando temos a capacidade de desconfiar, de tomar as melhores decisões, de seguir adiante sem olhar para trás. Somos mulheres quando somos mais, intuição, quando verdadeiramente damos as mãos.
Somos mulheres quando temos a capacidade de gerenciar pessoas, a gestão de pessoas enquanto característica, enquanto qualidade, pois as mulheres gerenciam pessoas desde a época das cavernas, na Idade da Pedra. Nas empresas, nas feiras, nas tristezas e nas alegrias. Mulheres, sabedoria.
Somos mulheres quando desenvolvemos a empatia, a empatia de abaixar e olhar nos olhos dos filhos, de sermos amigos. Somos mulheres quando nos igualamos ao outro, menor ou maior, não importa, pois a flexibilidade é feminina. Assertiva. Um pai é mais pai, um líder é mais líder, um amigo é mais amigo quando desenvolve a empatia, uma vez que ele aprendeu essa empatia na vivência com as mulheres extraordinárias de sua vida.
Somos mulheres quando temos inteligência emocional, quando temos a capacidade de dominar, de controlar as nossas próprias emoções. Somos mulheres quando temos o bom senso na tomada de decisões. Quando vencemos nossos medos e, apesar deles, continuamos a caminhar, somos mulheres quando não enxergamos a estrada e, ainda assim, insistimos em caminhar. Somos mulheres quando vamos além, e além, e além, e além…
Somos mulheres quando temos orientação para serviços. Somos mulheres quando sabemos delegar funções, quando analisamos os prós e contras da mesma situação. Quando temos as sabedorias colhidas em nosso dia a dia, simples? Será simples toda a complexidade da vida?
Somos mulheres quando pensamos no próximo, no bem comum. Somos mulheres quando agimos com instinto protetor, capaz de guardar a vida, a educação, a sabedoria, a ternura, infinitas. Mulher. Aquela que nos capacita.
Somos mulheres quando temos capacidade de negociação, capacidade de entender que as vezes precisamos perder para poder ganhar. Todas as competências de todas as sabedorias, termos femininos. Somos mulheres?
Somos mulheres quando temos flexibilidade cognitiva, flexibilidade para aprender e entender, flexibilidade na vida. Somos mulheres quando achamos outras alternativas, outras soluções, embora a vida sempre nos apresente novas questões.
Somos, enfim, mulheres quando temos a capacidade de sermos mais humanos, pois toda a sabedoria, de nada adiantaria, se não pudesse ser chamada de vida.
Somos mulheres. Somos? Somos fundamentais à vida? Pois as mulheres são. E infinitamente, para toda a vida, todas as vidas.

Feliz Todo Dia Internacional da Mulher
Boa leitura, TMJ!
Raphael Haussman. É professor, Coach, consultor e apaixonado por educação e desenvolvimento humano e, ainda, pai da Raphaela e do Theo.
Nosso dicionário:

8 de março – Dia Internacional da Mulher.
ONU – Organização das Nações Unidas é uma organização governamental criada para promover a cooperação internacional.
Capacidade de solucionar problemas complexos – Capacidade de percepção e criação de estratégias efetivas para resolver situações novas e mal definidas em cenários complexos do mundo real.
Pensar criticamente – É posicionar-se racionalmente frente às diversidades de ideias e informações. É saber julgar proposições, argumentos e opiniões e, através da investigação ativa obter justificações para nossas decisões e crenças.
Intuição – Ato de perceber, discernir ou pressentir coisas, independentemente de raciocínio ou de análise.
Capacidade de gerenciar pessoas – Conjunto de habilidades, técnicas e métodos que têm como objetivo administrar e potencializar a eficiência humana.
Empatia – Faculdade de compreender emocionalmente alguém.
Flexibilidade – Qualidade do que é flexível, maleável.
Inteligência emocional – Um indivíduo emocionalmente inteligente é aquele que consegue identificar as suas emoções com mais facilidade.
Orientação para serviços – Técnica de marketing cuja principal função da empresa não é mais produzir e vender, mas satisfazer à clientela, consultando-a antes de produzir qualquer coisa, via estudos de mercado e com base nessa consulta, caso seja favorável, oferecer-lhe produtos/serviços/ideias de qualidade e valor, para que os consumidores voltem a comprar e a divulgar bem da empresa e seus produtos.
Pensar no próximo – Ter empatia, compaixão.
Capacidade de negociação – Forma de resolução de conflitos em que as partes dialogam diretamente.
Flexibilidade cognitiva – Capacidade do cérebro para adaptar sua conduta e opiniões a acontecimentos novos, variáveis e inesperados.


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Um comentário

  1. Avatar

    A mulher foi muito desprezada durante a História Humana, contudo isso mudou com a encarnação de Deus no ventre de uma mulher, Nossa Senhora Aparecida, ou seja, desde que Deus escolheu a Mulher para ser o Canal de Sua Entrada no mundo temos na figura de Maria a mais importante personalidade que já existiu no mundo… Maria, a Mãe de Deus, é louvada e venerada até no mundo mulçumano!
    Parabéns às mulheres, pois a pessoa mais importante do mundo é uma mulher: Maria.
    O que dizer dos comunistas da antiga União Soviética, que mandavam destruir todas as igrejas que tinham o nome de Maria?!

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