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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Sonda espacial Cassini se aproxima dos anéis de Saturno

Sonda espacial Cassini se aproxima dos anéis de Saturno

Matéria publicada em 1 de dezembro de 2016, 13:30 horas

 


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A sonda espacial Cassini começou esta semana a fase final da sua missão de dezenove anos no espaço. A nave, que orbita o planeta Saturno desde 2004, está ficando sem combustível e será lançada para se desintegrar na atmosfera do planeta gigante. Mas antes disso a sonda dará uma série de mergulhos através do plano dos anéis, para fotografar suas luas pastoras: Pandora, Atlas, Pan e Dafne.

Durante os doze anos que passou orbitando Saturno, a Cassini pousou uma sonda na superfície da maior de suas luas, a enevoada Titã. E descobriu que esta lua vermelha tem mares de metano líquido, dunas e montanhas. Os instrumentos da Cassini também revelaram que a lua gelada Enceladus tem um oceano de água líquida e gêiseres que lançam vapor de água e cristais de gelo nos anéis do planeta. Novas luas foram descobertas e uma estranha formação que parece um hexágono gigante foi revelada no polo sul do planeta.

Na fase final da missão, que começou no dia 30 de novembro, a nave vai passar por dentro do anel mais fraco do planeta, coletando amostras das partículas e do gás que forma este anel. Depois a Cassini será dirigida para passar bem perto da borda externa do anel F, que tem 800 quilômetros de largura e é o mais externo dos anéis visíveis.

O estudo do anel F interessa aos cientistas porque ele apresenta formas que aparecem e desaparecem ao longo de horas, como canais escuros, filamentos brilhantes e faixas mutáveis. Os anéis de Saturno são formados por bilhões de partículas de gelo com tamanhos que variam de alguns centímetros até blocos do tamanho de uma casa.

Por medida de segurança a sonda ficará a 7800 quilômetros de distância da borda externa do anel, usando suas câmeras para fotografar as luas pastoras, que ficam dentro ou nas beiradas do anel. Elas são chamadas de luas pastoras porque é a sua força de gravidade que mantém as partículas do anel canalizadas em uma órbita circular em torno de Saturno.

Do dia 30 de novembro ao dia 22 de abril de 2017 a Cassini fará 22 passagens pela borda externa do sistema de anéis. Depois do dia 22 a nave mudará de órbita e começará a passar entre os anéis e a atmosfera de Saturno coletando dados sobre os gases da atmosfera externa. Até finalmente se destruir, caindo em Saturno no dia 15 de setembro do ano que vem.

A destruição da Cassini foi programada para evitar uma colisão com as luas do planeta. O que poderia contaminar o ambiente imaculado dessas luas com bactérias terrestres que possam ter pegado carona na sonda, quando ela foi lançada em 1997. Durante os doze anos que passou orbitando Saturno, a Cassini coletou 599 gigabytes de informação sobre Saturno, suas luas e seus anéis.

Mais de três mil trabalhos científicos foram publicados por cientistas dos 27 países que participaram da missão. Os principais financiadores da nave de três bilhões de dólares foram a agência espacial americana Nasa e a agência espacial europeia ESA. A Cassini descobriu dez novas luas de Saturno, executou 2,4 milhões de comandos e tirou 379.300 fotos. Mesmo no seu mergulho final na atmosfera de Saturno a nave continuará enviando informações sobre a gravidade e a composição da atmosfera.

A Cassini foi a primeira e única sonda espacial a orbitar Saturno. Não existem outras missões parecidas em projeto. A energia para operar os instrumentos da nave vem de uma bateria de plutônio que ainda poderia funcionar por muitos anos. Mas o combustível dos retrofoguetes da nave, usados para mudar e corrigir sua trajetória, está no fim. Sem os retrofoguetes a nave ficaria orbitando Saturno sem controle e poderia acabar colidindo com uma de suas maiores luas, como Titã, Encelados, Mimas ou Reia. Daí a decisão de destruí-la no ano que vem.

Imagem: O anel F e a lua Prometeu

Imagem: O anel F e a lua Prometeu

 

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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