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Sonda espacial Juno revela o interior de Júpiter

Matéria publicada em 1 de junho de 2017, 07:10 horas

 


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Os cientistas da agência espacial Nasa divulgaram os primeiros resultados da missão Juno ao planeta Júpiter. A nave de um bilhão de dólares mostrou que Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar, tem um núcleo sólido muito maior do que se imaginava. Uma das fotos mais belas transmitidas pela nave robô mostra o polo sul de Júpiter, onde furacões do tamanho do planeta Terra rodopiam em meio a nuvens azuladas. As primeiras descobertas da Juno foram publicadas semana passada nas revistas Science e na Geophysical Research Letters.

A atmosfera de Júpiter tem milhares de quilômetros de profundidade, ao contrário da atmosfera da Terra, que tem menos de cem quilômetros de espessura. No fundo da atmosfera joviana a pressão é tão grande que o hidrogênio, o mais leve dos gases, transforma-se em líquido e depois em metal. Até o envio da sonda Juno a Júpiter, os planetologistas especulavam sobre o tamanho do núcleo sólido, embaixo dessa bola de nuvens.

As teorias variavam entre um núcleo do tamanho da Terra, a um núcleo dez vezes maior do que o nosso planeta. Os dados dos medidores de gravidade a bordo da Juno sugerem um núcleo maior e parcialmente dissolvido. A sonda tem oito instrumentos para pesquisar o interior do planeta e recolhe seus dados enquanto passa por cima dos polos de Júpiter.

O equador do planeta é coberto por faixas de nuvens coloridas, com matizes que vão do branco brilhante a um marrom escuro. As medições da Juno mostram que a faixa equatorial penetra até o interior do planeta enquanto as outras faixas se dividem para formar outras estruturas. Outra surpresa da missão foi a intensidade do campo magnético de Júpiter, que é bem maior do que se imaginava. Medindo 7766 Gauss ele é dez vezes maior do que o campo magnético do nosso planeta. Mas, afinal, em Júpiter tudo é muito grande.

Outra descoberta é que esse imenso campo magnético não é uniforme, variando de intensidade. Isso sugere que ele é formado mais próximo da superfície das nuvens, bem acima das camadas de hidrogênio metálico do planeta. O campo magnético acelera partículas atômicas que se chocam contra a atmosfera, produzindo auroras polares, semelhantes as que existem na Terra. Todavia o mecanismo das auroras jovianas é um pouco diferente do da Terra.

A sonda Juno foi lançada ao espaço no dia 5 de agosto de 2011 e entrou em órbita ao redor de Júpiter em 4 de julho do ano passado. Assumindo uma órbita polar ela dá uma volta em torno de Júpiter a cada 53 dias, chegando a uma altitude de 4200 quilômetros sobre os polos jovianos. Em cada uma dessas órbitas a nave coleta seis megabits de dados que levam um dia e meio para serem transmitidos para a Terra.

O estudo do tempestuoso Júpiter ajuda os cientistas a entenderem melhor como os planetas se formaram e o clima de um modo geral. Ainda há muito a ser descoberto sobre este mundo gigantesco. Os pesquisadores ainda não sabem se esses furacões que rodopiam em torno do polo sul são uma formação estável ou vão desaparecer dentro de alguns meses. A maior tempestade de Júpiter é a Grande Macha Vermelha. Um mega ciclone que tem se mantido ativo durante os últimos 300 anos.

A missão Juno é uma das mais caras do programa espacial atual, e custou 1,1 bilhão de dólares. Em um esforço conjunto que envolve a Nasa americana e a agência espacial europeia Esa. Cercado por feixes de radiação intensa Júpiter é um mundo proibido aos seres humanos. A radiação que envolve o planeta seria perigosa para qualquer astronauta que tentasse se aproximar e um pouso em Júpiter é impossível devido a ausência de uma superfície sólida. Talvez seja possível enviar uma sonda balão para flutuar nas nuvens do planeta, mas os ventos lá são tão intensos que ela não sobreviveria por muito tempo.

Colorido: Os furacões no polo sul do planeta

Colorido: Os furacões no polo sul do planeta

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    É incrível como o estudo destes planetas e luas distantes nos ajuda a compreender fenômenos aqui na Terra, como é o caso das nuvens em Júpiter e o clima da Terra. Tomara que com o sucesso desta missão a NASA se anime em tirar do papel a sonda que explorará Europa. Um estudo mais aprofundado desta lua poderia nos ajudar a desvendar o mistério do surgimento da vida aqui na Terra.

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