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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Sonda espacial OSIRIS-REx chega ao asteroide Bennu

Sonda espacial OSIRIS-REx chega ao asteroide Bennu

Matéria publicada em 13 de dezembro de 2018, 07:09 horas

 


Viagem levou 27 meses e atravessou 2 bilhões de quilômetros

A sonda espacial americana OSIRIS-REx finalmente chegou ao asteroide Bennu, um estranho objeto em forma de diamante com 500 metros de diâmetro. A nave de 800 milhões de dólares vai tentar apanhar um pedaço do asteroide para trazê-lo para a Terra, em 2023. Uma missão complicada devido ao pequeno tamanho e massa do Bennu. Atualmente a OSIRIS-REx esta acompanhando o asteroide em sua órbita ao redor do Sol. Antes de entrar em órbita de Bennu ela vai sobrevoar os polos norte e sul e o equador do asteroide para que os controladores da missão possam medir com precisão o estranho astro.
Se tudo correr bem a nave robótica vai entrar em órbita ao redor do asteroide no dia 31 de dezembro. A principal cientista da missão, Heather Enos, disse ao site Space.com que “manobrar em torno de um corpo pequeno que praticamente não tem gravidade é um grande desafio. Precisamos de mais informação antes de avançar um passo de cada vez”. A manobra de entrada em órbita é tão delicada que a nave estará se movendo com uma velocidade relativa de 10 centímetros por segundo. Bennu é o segundo asteroide em forma de diamante a ser visitado por uma sonda espacial. O primeiro foi o Ryugu, onde desceram os robôs japoneses da nave Hayabusa 2 em setembro passado. A Hayabusa também vai tentar colher amostras do solo do asteroide e traze-las para a Terra em 2020, três anos antes da missão americana.
Ryugu tem 900 metros de diâmetro e é um pouco maior que o Bennu, daí a dificuldade dos americanos. Até recentemente os cientistas não imaginavam que os asteroides pudessem ter formas poliédricas como Bennu e Ryugu. Nos livros de astronomia, os asteroides eram representados como rochas de formas irregulares, parecendo enormes pedregulhos. Apenas um homem imaginou em asteroide em forma de cubo e foi um artista, não um cientista. Em 1960 o imortal Carl Barks, o criador do Tio Patinhas da Disney, enviou seus personagens para o cinturão dos asteroides numa história em quadrinhos intitulada “Ilha no Céu”, publicada no Brasil pela editora Abril.
Em uma cena, a nave do Pato Donald e seus sobrinhos passa por um asteroide idêntico ao Bennu. Como vocês podem ver no segundo quadro da historieta aí ao lado. Na época era apenas a fantasia de um artista e os cientistas sérios não imaginavam esse tipo de coisa. Mas “Ilha no céu” virou um clássico dos quadrinhos o que levou a União Astronômica Internacional a homenagear Barks, morto no ano 2000, dando seu nome a um asteroide real. É uma pena que ele não tenha vivido para ver seu sonho virar realidade.
Por enquanto ainda estamos longe de ter a nave do Tio Patinhas, que podia viajar até os asteroides em poucas semanas. Durante o governo do presidente Barak Obama a Nasa estudou uma missão tripulada até um asteroide próximo usando a cápsula espacial Orion. Mas o projeto foi cancelado pelo governo Trump.
Quando partiu da Terra, em 2016, a OSIRIS-REx levou com ela um chip de computador contendo imagens digitalizadas de obras de artistas do mundo inteiro, entre eles o artista plástico William Monachesi, de Volta Redonda. Agora esse chip está lá em cima, voando com a nave ao lado do asteroide Bennu. Se tudo correr bem, a OSIRIS-REx vai passar mais dezoito meses sobrevoando Bennu, em busca de um local ideal para retirar a amostra de sua superfície. O que só deve acontecer em 2020. Tio Patinhas era mais rápido.


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Um comentário

  1. Legal o artigo! Mais uma vez a ficção científica antecipa a realidade. Estes asteroides têm muito a dizer sobre a história do Sistema Solar.

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