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Star Trek e os perigos do futuro

Matéria publicada em 20 de setembro de 2016, 07:30 horas

 


Teletransporte não é uma ideia tão boa quanto parece; sonho futurista também inclui alguns pesadelos

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Como toda boa obra de ficção científica, “Jornada nas Estrelas” é um alerta sobre as promessas e os perigos da tecnologia. O seriado, que está completando 50 anos, popularizou uma visão otimista de um futuro cheio de máquinas maravilhosas. Como comunicadores, do tamanho de um maço de cigarros, que foram os precursores dos telefones celulares atuais. E tricorderes que permitem exames médicos instantâneos e não invasivos.

Mas este sonho futurista também inclui alguns pesadelos, como mostrado nas fotos aí ao lado. Uma das tecnologias mais empolgantes dos filmes de Star Trek é o teletransporte, que permite viagens instantâneas para qualquer lugar do planeta. Você não precisa mais perder horas de sua vida dentro de um avião, trem ou navio. É só subir no aparelho que ele transforma suas moléculas em um raio de luz e as envia instantaneamente para o destino. Onde o viajante é rematerializado como em um passe de mágica.

Desde que o aparelho não sofra nenhum defeito ou interferência. Nesse caso o viajante pode terminar encrustado dentro de uma parede ou de um piso. Como a pobre tenente Van Mayter do episódio “Em teoria” da Nova Geração na foto aí ao lado. Você também pode morrer tendo suas moléculas misturadas e batidas como a almirante Lory Ciana de “Jornada nas Estrelas – O filme” de 1979. É por isso que o médico da nave Enterprise, o doutor McCoy, não gosta nem um pouco de usar o teletransporte. Ele tem medo de acabar sendo materializado do avessou ou coisa pior. Sim leitor, o mundo colorido e cintilante de Jornada nas Estrelas também tem o seu lado negro.

A moça que aparece gritando na segunda foto é a designer e atriz canadense Susan Sullivan. Em 1979 ela trabalhava em uma agência de publicidade que ganhou um contrato para divulgar o primeiro filme de Jornada nas Estrelas para o cinema. Atriz amadora, nas horas vagas, Susan recebeu um convite irrecusável dos produtores. Fazer o papel da mulher que morre no teletransporte logo no início do filme. Para uma atriz desconhecida, aparecer durante um minuto, fazendo uma cena marcante, em uma superprodução do diretor Robert Wise (A noviça rebelde) parecia uma chance única.

Quando o diretor gritou “ação” a senhorita Sullivan fez a performance da sua vida. Gritou, se contorceu toda, fez caretas e morreu em cena. Infelizmente, depois que a produção acrescentou os efeitos luminosos do teletransporte, a aspirante a atriz de cinema virou um borrão na tela. E ninguém viu a cara dela. Só lhe restou o consolo da foto usada em uma novelização do filme e em um calendário de Star Trek. Que mostra que foi ela quem fez a cena.

Na vida real não precisamos temer os perigos do teletransporte. É uma tecnologia que dificilmente pode virar realidade. Há dez anos os cientistas conseguiram teletransportar algumas partículas atômicas, usando um efeito quântico pouco conhecido. Mas um corpo humano é feito de bilhões de átomos e seria impossível escanear e mapear toda essa estrutura de modo a criar um padrão capaz de ser transmitido.

Outro pesadelo de Star Trek é o sonho da energia ilimitada, via conversão de matéria e antimatéria. A antimatéria existe e é feita de átomos com cargas elétricas opostas a da matéria normal. Quando matéria e antimatéria se misturam as duas se aniquilam, liberando uma descarga brutal de energia. É assim que funciona a nave Enterprise. Dentro das naceles da engenharia matéria e antimatéria são aniquiladas fornecendo toda a energia de que a nave precisa para ir “aonde nenhum homem jamais esteve”.

O problema é que se a contenção magnética falhar o estoque de antimatéria explode com a força de milhares de bombas atômicas. É assim que os vilões daquele filme “Anjos e Demônios” queriam matar o papa. Explodindo o vaticano com algumas gramas de antimatéria. Melhor deixar essa ideia para o mundo da ficção.

 

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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