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Stephen Hawking lança pesquisa para procurar extraterrestres

Matéria publicada em 23 de julho de 2015, 07:00 horas

 


Grupo conta com o apoio do empresário russo Yuri Milner; pesquisa vai usar duas das maiores antenas de radiotelescópio do mundo

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Cerimônia: Milner, Hawking, Drake e Druyan anunciaram o projeto  (Foto: Divulgação)

Cerimônia: Milner, Hawking, Drake e Druyan anunciaram o projeto
(Foto: Divulgação)

Um novo programa de busca por civilizações extraterrestres foi lançado em Londres, segunda-feira passada. O projeto chamado “Breakthrough Listen” vai custar 100 milhões de dólares e procurar por sinais de rádio artificiais em 1 milhão de estrelas da nossa galáxia, a Via Láctea, e em mais 100 galáxias próximas. Além de tentar captar sinais de rádio, coisa que já foi feita sem sucesso, o grupo também vai usar o telescópio do Observatório Lick, na Califórnia, para procurar por sinais emitidos com raios laser.
Stephen Hawking causou sensação, há cinco anos, ao advertir sobre o perigo do contato com extraterrestres. Parece que ele mudou de ideia e acha que a busca é importante, mesmo que nada seja encontrado. “Nós acreditamos que a vida surgiu espontaneamente na Terra, por isso, em um universo infinito, a mesma coisa deve ter acontecido em outros lugares. Em algum lugar do cosmos talvez a vida inteligente esteja observando esses sinais que emitimos ciente do que eles significam. Ou talvez nossos sinais vaguem por um cosmos sem vida, anunciando que aqui, nesta pequena rocha, o universo descobriu sua própria existência. De qualquer modo não existe pergunta melhor. E é hora de procurar uma resposta, de buscar por vida fora da Terra.” Disse Hawking.
A cerimônia de lançamento do projeto, realizada na Sociedade Real em Londres, contou com a presença do astrônomo Frank Drake, que foi o pioneiro na busca por inteligência extraterrestre na década de 1960. Também estavam na cerimônia a viúva do astrônomo Carl Sagam, Ann Druyan, produtora do seriado “Cosmos” e o astrônomo Geoff Marcy, da universidade de Berkeley, e que foi um dos pioneiros na busca por planetas em outros sistemas solares.
A pesquisa vai usar duas das maiores antenas de radiotelescópio do mundo. A parabólica de 100 metros de Green Bank, na Virgínia, e a antena de 64 metros de Parkes, na Austrália. Essas antenas vão cobrir uma área do céu dez vezes maior do que nas pesquisas anteriores. Mas é possível que os extraterrestres não usem mais o rádio para enviar sinais e que estejam se comunicando através de feixes de raios laser. Para explorar essa possibilidade o projeto vai usar o Telescópio Automático de Busca de Planetas do Observatório Lick, usando uma técnica mil vezes mais sensível do que nas buscas já realizadas.
Outra parte do projeto é o “Brakthrough Message” que deve financiar uma competição internacional para determinar o conteúdo de uma mensagem a ser enviada para os e.t.s. O projeto não pretende enviar a mensagem, sem antes receber sinais de vida inteligente vindos de alguma estrela distante. Hawking acha perigoso mandar mensagens para civilizações desconhecidas sem ouvir primeiro o que eles têm a dizer.
Geoffrey Marcy, da universidade de Berkeley, explicou que a pesquisa vai ouvir 10 bilhões de canais de rádio simultaneamente. “Estaremos ouvindo um piano cósmico e cada vez que escutarmos, com nossos radiotelescópios, não estaremos ouvindo apenas 88 notas, estaremos ouvindo 10 bilhões de notas” disse Marcy. Ele explicou que as antenas serão capazes de captar o equivalente aos sinais de um radar de aviação se estiverem sendo emitidos de uma das mil estrelas mais próximas. Ou um transmissor com doze vezes a potencia do radar de Arecibo no centro da nossa Via Lactea.
“Se existirem outras espécies inteligentes na Via Láctea, enviando espaçonaves para colonizar outros sistemas solares, eles podem se comunicar através do laser.” Acrescentou o astrônomo. “Pode existir uma internet galáctica feita não de fios de cobre ou fibras óticas, mas por uma teia de raios laser cruzando a galáxia”. Nesse caso o telescópio do Observatório Lick será capaz de detectar um laser de 100 watts em um sistema solar a 40 trilhões de quilômetros da Terra.
O grupo promete divulgar todos os resultados da pesquisa.

 

Jorge Luiz Calife | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

 


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