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Tecnologias programadas para ficarem obsoletas

Matéria publicada em 15 de novembro de 2019, 07:00 horas

 


Indústria eletrônica sempre tenta mudar os hábitos do público; filmes vinham gravados em fitas magnéticas

Como meus leitores sabem muito bem este que vos escreve assina uma coluna sobre discos de DVD na edição de domingo. É uma das minhas colunas mais antigas e quando começou, no final da década de 1990, ela abordava uma tecnologia diferente. Era a coluna de vídeo, que depois passou a se chamar “DVD e vídeo”. Isso acontecia porque na década de 1990 o mercado do cinema para ver em casa ainda era dominado pelas fitas de vídeo. Que surgiram aí por volta de 1985 com os chamados aparelhos de videocassete.
Os filmes vinham gravados em fitas magnéticas, que as pessoas alugavam nas locadoras de vídeo. Foi uma tecnologia tão popular que havia uma locadora em cada bairro das grandes cidades. Algumas como a rede americana BlockBuster ficaram tão famosas que apareceram no filme recente da Capitã Marvel. As fitas de vídeo tinham algumas desvantagens. Era preciso rebobinar depois de assistir ao filme. E no nosso clima úmido elas costumavam mofar se ficassem guardadas por muito tempo.
A era do videocassete durou até o ano de 1999. Quando surgiram os discos de DVD, que não precisavam rebobinar e não davam mofo (na verdade dava, mas era fácil de limpar com um algodão úmido). Um dos últimos filmes a sair pelas duas mídias, o videocassete e o DVD, foi o episódio um de Star Wars, “A ameaça fantasma”. No ano 2000 as lojas de eletrodomésticos estavam repletas de DVD players e os videocassetes deixaram de ser fabricados. Quem tinha um ainda usou por uns quatro ou cinco anos. Mas, como não havia mais peças de reposição, quando os aparelhos quebravam não havia mais possibilidade de conserto.
E todo mundo passou a comprar os discos de DVD e seus aparelhos de reprodução. As locadoras de vídeo tentaram sobreviver alugando discos digitais. Mas, a procura era bem menor do que pela mídia anterior e muitas faliram. Foi o fim da BlockBuster e outras redes famosas de locadoras. Enquanto a era do videocassete durou 15 anos, a época do DVD foi mais curta e durou apenas uma década. Em 2010 a indústria lançou os discos blu-ray com toda a pompa e uma propaganda maciça.
O blu-ray era mais caro do que o DVD. Mas permitia uma imagem de alta definição, compatível com as novas TVs HD. O problema é que a nova tecnologia exigia um novo tipo de aparelho, o blu-ray player e uma TV HD. E não durou nem dez anos. Se o leitor percorrer as lojas de eletrodomésticos, hoje em dia, não vai mais encontrar nenhum reprodutor de blu-ray a venda. Muito menos de DVD. Para comprar um só pela internet. Porque a indústria agora quer empurrar uma nova tecnologia pela goela abaixo dos consumidores. A dos televisores digitais e dos smartphones. E se você quiser assistir a um filme em casa vai ter que se submeter à programação dos canais por assinatura. Ou baixar os filmes pelo sistema pay-per-view. Que não tem um catálogo nem de longe igual ao da variedade de títulos que tínhamos com as mídias anteriores.

Até quebrarem…

Quem tem uma coleção de filmes em DVD ou blu-ray vai continuar a assisti-los até seus aparelhos quebrarem. Então, vai descobrir que o conserto é difícil ou impossível devido a falta de peças de reposição. É a tecnologia programada para ficar obsoleta a cada dez anos. Mas nem sempre a indústria consegue impor sua vontade sobre o público. Vejam o que aconteceu com os discos de vinil.
Na década de 1980 a morte do vinil foi decretada pelo aparecimento dos CDs de música e das fitas cassete. Mas, quem gosta de ouvir musica de qualidade, em casa, não aceitou as novas mídias. E manteve suas velhas vitrolas (fáceis de consertar) e suas coleções de vinil. E hoje em dia vemos o ressurgimento do vinil, que voltou a ser valorizado. Porque quem deve decidir o que vamos usar e quando, somos nós, o público consumidor. Não os executivos da indústria eletro eletrônica.

DVD: Aparelhos já sumiram das lojas (Foto: Divulgação)


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