domingo, 21 de outubro de 2018

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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Telescópio espacial Hubble observa a ‘fronteira final’

Telescópio espacial Hubble observa a ‘fronteira final’

Matéria publicada em 4 de agosto de 2016, 13:42 horas

 


Imagem celebra os 50 anos do seriado ‘Jornada nas Estrelas’; na vida real não temos uma nave como a Enterprise

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“Espaço, a fronteira final”. Com esta frase começava o seriado de televisão “Jornada nas Estrelas” que completa 50 anos este ano. Para comemorar a data a agência espacial americana Nasa usou seu telescópio Hubble para fazer um retrato da fronteira final, os limites do universo conhecido. Na vida real não temos uma nave como a Enterprise, capaz de ir até lá, mas podemos ver como são essas regiões onde “nenhum homem jamais esteve”.

No centro da foto aí embaixo podemos ver o aglomerado de galáxias Abell S1063 que fica a quatro bilhões de anos luz da Terra (um ano-luz são nove trilhões de quilômetros). Em torno da Abell S1063 vemos as imagens distorcidas de galáxias ainda mais distantes que foram ampliadas por um efeito de lente gravitacional.

O efeito de lente foi previsto pela Teoria da Relatividade de Einstein. A massa das galáxias produz uma torção no espaço, semelhante à dobra espacial usada pela nave Enterprise. O efeito permite aos astrônomos ver galáxias que seriam invisíveis até para o Hubble. O telescópio espacial foi colocado em órbita em 1991 e se beneficia de uma visão perfeita, sem as distorções provocadas pela turbulência da atmosfera da Terra.

A imagem da “fronteira final” é uma espécie de amostra da visão ainda melhor que será proporcionada pelo telescópio espacial James Webb, o sucessor do Hubble, que será lançado ao espaço em 2018.

O telescópio espacial permite olhar não só as profundezas do espaço, mas também do tempo. A luz das estrelas e das galáxias viaja pelo Universo com a velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. A luz do Sol, a estrela mais próxima da Terra, leva oito minutos para chegar até nós. Assim, quando olhamos o Sol avermelhado, se escondendo no horizonte, estamos vendo como o Sol era há oito minutos atrás. No caso da Abell S1063 vemos esse aglomerado de galáxias como ele era há quatro bilhões de anos. Em seu interior existe a massa de 100 bilhões de sóis e mais de 50 galáxias.

Distante

Entre as galáxias visíveis através da torção espacial existe uma tão distante que aparece como era um bilhão de anos depois do Big Bang. A explosão que deu origem ao universo e que aconteceu há 13 bilhões de anos. Ela mostra como a ciência ampliou as fronteiras do Universo ao longo de apenas 50 anos. Quando Jornada nas Estrelas estreou na televisão, em 1966, os maiores telescópios da Terra só conseguiam visualizar metade do Universo. Agora, 50 anos depois, graças aos telescópios espaciais podemos observar quase todo o Universo, até os limites do espaço e do tempo.

A Nasa vem realizando uma pesquisa detalhada desta área, intitulada Campos da Fronteira. Além do Hubble ela envolve o telescópio espacial Spizer, sensível aos raios infravermelhos, e o observatório de raios X Chandra. O objetivo é fornecer dados aos astrônomos para que eles possam criar modelos da distribuição da matéria no universo. Tanto a matéria normal quanto a misteriosa matéria escura, que não podemos ver.

O Universo é tão grande que mal podemos imaginar a sua dimensão. Na série da “Jornada nas Estrelas” a nave Enterprise explora apenas um setor da Via Láctea, a galáxia onde vivemos. E a Via Láctea é apenas uma entre bilhões de galáxias, contendo bilhões de estrelas e planetas que formam o conjunto do Universo. É por isso que o espaço é a fronteira final, porque mesmo se tivéssemos a tecnologia dos filmes de ficção científica só poderíamos explorar uma fração mínima deste imenso espaço estrelado.

Também é possível que o nosso Universo seja apenas um entre um número desconhecido de universos, cada um com suas próprias leis da física. O resultado de tudo isso é um oceano de possibilidades infinitas.

 Distante: Um aglomerado galáctico a 4 bilhões de anos-luz


Distante: Um aglomerado galáctico a 4 bilhões de anos-luz

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Francisco Eduardo Godinho de Castro

    Muito bom dia,

    As vezes me pergunto, como podemos ter imagens de sistemas que estão a milhões/bilhões de anos lux de nosso planeta?

    Para se ter uma ideia se formos de Volta Redonda para São Paulo na velocidade da lux, em um segundo (digo: em um segundo) ou num piscar de olhos faríamos este percurso 570 vezes, pois é não tem como imaginar tão quanto e rápido!

    Por isto pergunto: Como pode terem tiradas fotos de sistemas quem estão a distancia de milhões/bilhões de anos lux de nosso planeta?

    Francisco Eduardo Godinho de Castro (thechiquinhodjbrasil)

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