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Todo o poder emana do povo

Matéria publicada em 2 de novembro de 2018, 07:23 horas

 


Nestes últimos dias a frase “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”, esteve em alta pelos quatro cantos do Brasil. Foram dias de buscas por representantes que de verdade nos representassem e pelo voto se chegou a nomes de governadores, deputados estaduais e federais, senadores e presidente da república.
Muitos foram os eleitores que saíram satisfeitos porque conseguiram eleger seus escolhidos; já outros ainda não se conformaram com o resultado das urnas. Democracia é isto; não necessariamente vence o melhor, mas alguém vence, e é assim que foi acordado na Constituição. Novos votos e novos nomes poderão ser escolhidos dentro de mais alguns anos.
O sufrágio universal foi realizado, e ponto final. Nada de aristocracia, monarquia, oligarquia, ditadura ou qualquer outra coisa que sirva para nos atar as mãos. Os eleitos de hoje, se não atenderem as nossas expectativas, poderão e deverão ser retirados de suas cadeiras dentro de algum tempo e em novas oportunidades, em que mais uma vez através do voto faremos novas escolhas. Importante ter o consenso acerca da forma correta para se definir o que é democracia. É fato que a igualdade, a liberdade e o Estado de Direito são inegavelmente características fundamentais para que ela ocorra.
Temos profundo medo de voltar a viver a Ditadura, de sentir de perto, na pele, a tortura, a privação da liberdade. O cerceamento da palavra, estar tolhido de viver como vivemos nos dias de hoje, só quem entende é quem viveu de perto os Anos de Chumbo. Não acredito que os anos 1960 sejam novamente reproduzidos, mesmo porque estamos muito mais fortes para enfrentar de frente momentos como aqueles. Eram anos em que não se conhecia pouco o mundo, algo que hoje, através da vasta mídia e da tecnologia que nos cerca, não mais irá se repetir, pois sabemos o que acontece do outro lado do planeta em segundos. Não existe mais silêncio e muito menos condições de instalá-lo, como aconteceu com centenas de homens e de mulheres que morreram nos porões da Ditadura.
Acabamos de eleger o 38º presidente do Brasil; do Marechal Deodoro da Fonseca ao novo eleito Jair Messias Bolsonaro, a História nos apresenta os mais diversos nomes. Muitos conseguiram transformar este país, dando a ele visibilidade e respeito internacionais; já outros, pelos mais variados motivos, por inequívoca inabilidade com as ações e a fala, levaram o Brasil quase à bancarrota.
Nos idos de 1890 tínhamos próximo de 15 milhões de pessoas espalhadas por estas terras; hoje, quase 130 anos depois, somamos 208,5 milhões, algo que nenhum presidente ou ditador seria capaz de comandar com tanta facilidade.
Torcer contra é torcer para que os nossos sonhos virem pesadelos. Desejar que todos aqueles que foram eleitos façam mau uso de suas atribuições é matar a nossa ideologia, é antes de começar um novo ano se imaginar em um precipício sem perspectivas.
Por mais ateu ou agnóstico que sejamos que tal colocar em prática o “vigiai e orai” – Mateus 26, 41-42; vai que funciona! Eu não estou falando necessariamente de ter fé em Deus, algo que para muitos não funciona, mas, sim, em acreditar em si próprio, no talento e nos sonhos, não se deixando comandar. Lembro-me que, sempre ao final de cada ano, fazemos planos, os mais diversos, para o ano seguinte, acreditando que seremos capazes de mudar alguma coisa em nós já que muitas vezes não conseguimos mudar no outro.
Então, mais do que nunca, devemos acreditar nas mudanças, por mais surreal que isso possa parecer, “porque aquele que vai nos representar não me representa”, muitos dirão. Creia, talvez não seja esse o momento exato de ser Dom Quixote – sonhador e fantasioso -, mas, sim, fazer uso das habilidades de Sancho Pança – realista e sério. Nada mais do que a busca do eu no outro, uma forma equilibrada de acharmos o que queremos e as suas respostas, ajudando na mudança e na reconstrução de algo que seja bom para todos, simplesmente porque somos mutáveis e essencialmente gregários.


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Um comentário

  1. Uma vez exercido o voto não temos mais o poder do povo, não temos mais voz. Olhe lá o que esta escrito na CF no artigo 1º, parágrafo único. Compare com as constituições anteriores. Na prática, as manifestações do Brasil inteiro em 2013 contra a corrupção, mostrou que não fez efeito nenhum nos parlamentares. O que mudou a favor do povo? Faça outra comparação com as Diretas Já quando tínhamos outra constituição. O que mudou a favor do povo?

    Esperar mudanças boas com o próximo governo é ilusão. São 129 anos de república que não deu certo. Não será agora que dará.

    Precisamos comparar o Brasil Republicano com o Brasil Império. Só uma questão: Foram 65 anos de uma mesma constituição progressita, enquanto o Brasil Republicano já vamos para a 6ª constituição , e está última em menos de 30 anos de existência toda remendada, sem contar dezenas de projetos para mais remendos pela frente.

    Sabe-se que não é fácil encontrar livros da época imperial dando sopa pelas bibliotecas. Os poucos que os republicanos não destruiram estão nas mãos dos monarquistas guardados a 7 chaves. Mas vale a visita nos grupos monárquicos das redes sociais para aprender bastante sobre a época.

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