Três homens muito corajosos

by Diário do Vale

O lançamento da missão Artemis 1 para a Lua, na madrugada de quarta feira, só foi possível graças a coragem e sangue frio de três homens. Eles integram a Equipe Vermelha, encarregados de fazer reparos em foguetes carregados com toneladas de combustível altamente explosivo, prestes a ser lançado ao espaço. A energia contida nos tanques de um foguete SLS é equivalente a de uma bomba nuclear tática. Se o foguete explodir ou pegar fogo tudo será incinerado num raio de centenas de metros. É por isso que ninguém pode se aproximar da plataforma de lançamento quando os tanques de grande foguete ficam cheios de combustível.

Mas no caso da Artemis 1 o inesperado aconteceu. Quando o foguete de 98 metros de altura, (grande como um prédio de 33 andares) foi abastecido com 2 milhões de litros de hidrogênio líquido, e 750 mil litros de oxigênio líquido, os sensores detectaram um escapamento de hidrogênio altamente volátil na base do foguete. Para realizar um conserto com a máxima segurança seria preciso esvaziar totalmente os tanques. O que levaria horas e provocaria um novo adiamento na missão de quatro bilhões de dólares. Vazamentos semelhantes já tinham provocado dois adiamentos, em agosto e setembro deste ano.

Era meia noite, no horário de Brasília, e faltavam três horas para a partida do foguete. Quando o comando da missão ordenou que os três homens da Equipe Vermelha dirigissem um carro pelos três quilômetros que separam a Plataforma de Lançamento 39B do Centro de Comando e verificassem se um reparo poderia ser feito. Usando roupas comuns e capacetes de operários Trent Annis, Bill Cairns e Chad Garret subiram na plataforma e se aproximaram da base do projétil carregado com toneladas de explosivos altamente voláteis.

Um foguete espacial, abastecido e pronto para partir, é uma coisa assustadora. Como uma frigideira cheia de gordura quente ele chia, estala e solta vapores gelados por todos os lados. Durante uma entrevista coletiva para o canal da Agência Espacial Nasa, Annis lembra que seu coração batia disparado, ele estava muito tenso e com os nervos à flor da pele. Mas ele e seus colegas tinham sido treinados para aquele tipo de trabalho e o jovem engenheiro espacial procurou concentrar sua mente no que precisava ser feito.

A causa do vazamento foi descoberta assim que eles subiram no nível zero da plataforma. Uma série de parafusos tinham se afrouxado, no selo de vedação que conecta a tubulação de hidrogênio liquido. Além de altamente inflamável o hidrogênio líquido encontra-se resfriado a uma temperatura de mais de duzentos graus negativos. Ele congela tudo em que toca e pode provocar queimaduras de frio intensas. Com todo cuidado, para não provocar uma centelha capaz de incendiar o hidrogênio os homens apertaram os parafusos e o vazamento foi contido. E o foguete pode partir, transformando a noite em dia com o brilho de seus motores.

É bom lembrar que na Rússia, em 1960, um procedimento semelhante provocou uma catástrofe que matou 70 engenheiros espaciais no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Liderados pelo marechal Nedelin eles tentaram fazer reparos num míssil R-16 carregado de hidrazina e ácido nítrico. Mas a queda de uma ferramenta produziu uma centelha que fez o foguete explodir. E o marechal e seus homens queimaram junto com a torre de lançamento. Do comandante só restou as medalhas que ele usava no peito.

Na madrugada de quarta feira, dia 16 de novembro, tudo terminou bem para os americanos. E Annis, Garret e Cairns ficaram com uma grande história para contar para seus netos. Cairns, o membro mais velho do grupo, lembrou que faz parte da equipe há 37 anos e nunca tinha enfrentado uma situação semelhante. Felizmente é um trabalho extremamente raro.

 

Alívio: Os heróis da Equipe Vermelha  no canal da Nasa

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