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Um choque cultural às margens do rio Tamisa

Matéria publicada em 25 de junho de 2019, 08:00 horas

 


Brasileiros deviam ver como é diferente a vida no primeiro mundo

Pedestre: Aqui não respeitam nem a faixa. Foto: Arquivo

Aqui perto da redação do Diário do Vale tem uma avenida com uma faixa de pedestre, que poucos motoristas respeitam. Geralmente é preciso ficar alguns minutos esperando que o sinal feche lá perto da ponte para conseguir atravessar, o que é típico da falta de educação do brasileiro ao volante. Até mesmo aonde tem sinal é preciso esperar uns 30 segundos depois que ele fica vermelho para atravessar, pois sempre tem um motorista ou motociclista que avança o sinal. É um comportamento em parte responsável pelas mais de 40 mil mortes do nosso trânsito a cada ano que passa. Só as armas matam mais gente do que o trânsito no Brasil.
A falta de educação no transito é apenas um reflexo da falta de educação geral do povo brasileiro. Uma viagem ao exterior, aos países do primeiro mundo, mostra isso muito bem. Nunca me esqueço de um episódio que marcou a minha primeira viagem ao país da Rainha Elisabeth, na oitava década do século passado. Naquele tempo o terrorismo islâmico ainda não tinha deixado a sua marca pela Europa e dava para caminhar pela cidade de Londres na maior tranquilidade.
Eu estava lá para cobrir uma feira internacional de aviação que acontece de dois em dois anos. E acabei ficando com uma tarde livre, sem nada para fazer, resolvi caminhar pela velha capital dos britânicos, que é a melhor maneira de se sentir o pulso de uma cidade. A pé, longe dos ônibus e dos guias de turismo. A primeira coisa que me impressionou foi a limpeza das ruas. Os ingleses, ao contrário dos brasileiros, só jogam lixo nas lixeiras. Você anda pelas calçadas sem ver copos de plástico, garrafas ou embalagens de alimentos rolando pelo chão, coisa comum aqui no Brasil.
Meu hotel ficava bem no centro, e era só avançar alguns quarteirões para se chegar às margens do rio. O velho Tamisa, que apesar de ficar no centro de uma das maiores metrópoles da Europa é muito menos poluído do que o nosso Paraíba. As águas são transparentes e dá para ver o fundo perto das margens. Tem uma porção de pontes cruzando o rio, como vocês já devem ter visto pelo menos na televisão. Passei pela calçada em frente ao Parlamento, onde fica o famoso relógio Big Ben e fui em frente.
Devo ter andado mais de um quilometro pela margem do rio. Quase não tinha transito naquela avenida e resolvi atravessa-la, para entrar num parque que tinha do outro lado. Olhei em volta e não vi nenhum sinal luminoso nem faixa de pedestre. Não tinha problema, a avenida estava vazia. Tinha só um ônibus vermelho, daqueles de dois andares, que são a marca registrada da capital inglesa.
Como estou cansado de fazer aqui no Brasil parei na calçada, esperando o ônibus passar para atravessar. Para minha surpresa o motorista parou o ônibus quando me viu, e fez sinal com a mão para que eu atravessasse. Fiquei chocado. Aqui no Brasil você tem que correr para não ser atropelado, mesmo estando na faixa de pedestre. É só o sinal ficar verde que a horda selvagem avança em cima de você. É a diferença entre a educação e a cultura dos povos do primeiro mundo e do terceiro onde vivemos.
Outro dia eu vinha para cá quando o sinal abriu no momento em que uma senhora idosa, de bengala, estava no meio da travessia da rua pela faixa de pedestre. Os motoristas que estavam mais atrás começaram a buzinar impacientes. Queriam que os da frente atropelassem a idosa para que eles pudessem passar. Os motoristas europeus também não arrancam com o ônibus bruscamente, fazendo os passageiros se agarrarem desesperados naqueles ferros. Eles têm o maior cuidado em frear e acelerar com suavidade.
É por isso que não acredito quando um dos nossos salvadores da pátria diz que vai colocar o Brasil no primeiro mundo. Primeiro é preciso educar o povo, uma tarefa quase impossível aqui nessas terras.


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4 comentários

  1. Avatar

    Ainda vai levar algumas gerações para transformar o Brasil em uma nação civilizada. Pelo menos interrompemos o processo de venezuelização do país. Mas a crise moral e política vai atrasar o processo em pelo menos uma década.

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    Não se pode comparar o Brasil que é uma república com a Inglaterra que é uma monarquia. Esta forma de governo já muda a cultura de um povo.

    Não é à toa que os ingleses (e eu tbm) adoram a rainha Elisabete que só superou o nosso D. Pedro II há poucos anos.

    Abaixo desses dois, o terceiro colocado está muito atrás. A maioria dos países monárquicos estão presentes entre os dez Maiores IDHs, Mais felizes, Menos corruptos e Melhores para se viver.

    Diga-se de passagem que D. Pedro II foi escorraçado por Deodoro da Fonseca, traidor do imperador e covarde que teve ajuda dos militares que foram bodes expiatórios enganados pelos grandes proprietários de terras para tomarem o poder.

    Daqui uns meses o Brasil completará 130 anos de desordens e corrupções que culminaram essa cultura desastrosa de nosso povo.

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    Em Curitiba é assim. Visitei a capital paranaense a alguns anos e me surpreendi. Parava na calçada com minha esposa junto ao meio fio e os carros paravam automaticamente. Cultura européia. Outro Brasil.

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