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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Um encontro com Ultima Thule

Um encontro com Ultima Thule

Matéria publicada em 10 de janeiro de 2019, 07:31 horas

 


Sonda New Horizon fotografa relíquia do Sistema Solar

Ultima Thule: Imagens PB e colorida do planetoide.

Num feito inédito na história da exploração espacial a sonda New Horizons, da NASA fotografou o planetoide Ultima Thule, que fica na fronteira externa do sistema solar. As imagens mostram um mundo estranho, com uma forma que lembra um pino de jogo de boliche ou uma garrafa. Segundo os cientistas, Ultima Thule se formou quando dois corpos esféricos se uniram e se colaram, nos primórdios da formação do Sistema Solar. Trata-se de uma relíquia da época em que os planetas estavam se formando, há bilhões de anos atrás.
“A New Horizons é como uma máquina do tempo e está nos levando de volta para a época do nascimento do nosso Sistema Solar”, disse Jeff Moore, chefe da equipe de geofísica e geologia da New Horizons. E explicou: “Estamos vendo uma representação física do início da formação dos planetas, que ficou congelada no tempo.” Ultima Thule é um dos inúmeros planetoides que formam o chamado Cinturão de Kuiper, além do planeta Plutão, no frio e na escuridão das bordas do nosso sistema solar.
O estudo de Ultima Thule vai ajudar os cientistas a entender melhor como é que os planetas se formam. Não só aqui, no nosso Sistema Solar, mas nos outros sistemas que orbitam estrelas distantes. A New Horizons foi lançada ao espaço em janeiro de 2006 com a missão principal de fotografar o planeta Plutão. O último dos nove planetas tradicionais que ainda não tinha sido mapeado e fotografado pelas sondas espaciais. No dia 14 de julho de 2015 a pequena espaçonave sobrevoou Plutão revelando um mundo de montanhas e geleiras imobilizadas no tempo. Cumprida a missão principal a nave foi orientada para se aproximar do pequeno Ultima Thule, um dos inúmeros planetoides do cinturão de Kuiper que nunca tinham sido observados de perto.
A análise das fotos, enviadas durante o encontro, no dia 1 de janeiro, mostram que o planetoide é um binário de contato. Formado pela fusão de dois objetos que colidiram com a velocidade de um carro estacionando. O corpo maior tem 19 quilômetros de largura e está ligado a um esferoide menor de 14 quilômetros de largura. Criando essa estranha forma de garrafa ou pino de boliche, ele é como um dos asteroides imaginados em 1960 pelo artista Carl Barks em uma história em quadrinhos do Tio Patinhas da Disney. Barks imaginou asteroides em forma de cubos e garrafas que acabaram sendo descobertos na vida real.
A gerente do projeto, Helene Winters, disse que a sonda vai continuar enviando informações colhidas durante sua passagem pelo planetoide, durante os próximos meses. “Com eles vamos escrever novos capítulos na história do nosso sistema solar e de Ultima Thule”.
A cor amarronzada de Ultima Thule é semelhante à de outros objetos do cinturão de Kuiper. As fotos não mostram a existência de anéis ou de luas menores do que um quilômetro orbitando o pequeno mundo. Espera-se que os cientistas do centro de controle levem vinte meses para baixar todas as informações colhidas pela sonda espacial. Um problema a ser enfrentado se deve ao alinhamento entre a Terra, o Sol e Ultima Thule. O que significa que a nave vai passar por trás do Sol, sendo obrigada a interromper suas transmissões durante uma semana.
Todavia o computador de bordo está programado para esta eventualidade e deve retomar as transmissões passada a ocultação pelo Sol. A New Horizons passou a uma distância mínima de 3500 quilômetros de Ultima Thule o que é um alcance pequeno em termos espaciais. A observação do Universo mostra que os sistemas solares como o nosso se formam através do colapso gravitacional de nuvens de poeira e gás. E os corpos do cinturão de Kuiper são o entulho que sobrou depois da formação dos principais planetas.


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Um comentário

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    Fantástico! Vai ficar na história da exploração espacial como um dos mais bem sucedidas missões já realizadas.

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