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Uma ameaça que vem do polo norte

Matéria publicada em 7 de fevereiro de 2019, 08:30 horas

 


Nosso planeta pode estar perto de uma inversão magnética

Swarm: Satélites europeus vigiam o campo magnético terrestre.

Uma coisa estranha esta acontecendo com o campo magnético do nosso planeta, se você leitor acha que não tem nada com isso, fique sabendo que é o campo magnético que nos protege da radiação cósmica e solar. Medições recentes mostram que o polo norte magnético, aquele para onde as bússolas apontam, está se deslocando rapidamente em direção a Sibéria. Isso pode ser indício de uma inversão do campo magnético do nosso planeta. Um evento que acontece uma vez a cada milhão de anos e que deixa o nosso mundo temporariamente desprotegido, a mercê das tempestades solares e outros eventos cósmicos.
Os cientistas que estudam o magnetismo terrestre criaram um modelo do campo magnético da Terra, ele é chamado de Modelo Magnético do Mundo e tem que ser atualizado periodicamente devido as mudanças que ocorrem. O modelo atual foi criado há quatro anos e os geofísicos esperavam que ele continuasse valido até 2020. Mas o polo norte magnético está se movendo de modo tão imprevisível que o modelo terá que ser revisto antes do tempo. A mais nova edição deve ser divulgada nesta semana. O cientista Arnaud Chulliat da Universidade do Colorado e da NOAA, a Administração de Atmosfera e do Oceano disse na Nature que o movimento do polo magnético pegou os cientistas de surpresa.
Essas oscilações da posição do norte magnético sempre aconteceram, anovidade é que o movimento esta se acelerando. Até meados de 1990 o polo magnético costumava se deslocar 15 quilômetros por ano, depois de 1995 o movimento acelerou para 55 quilômetros anuais. Segundo o site Space.com ele cruzou a linha internacional de data em direção ao hemisfério ocidental. Além disso, o campo magnético está enfraquecendo o que pode ser um sinal de uma inversão dos polos. A última vez que isso aconteceu foi há 780 mil anos. A vida na Terra não foi afetada porque apesar do “desligamento” do campo magnético a atmosfera continuou a proteger os seres vivos da radiação que vem do espaço. O problema é que há 780 mil anos não existia uma civilização tecnológica baseada em eletrônica e telecomunicações como a que existe agora. Uma pane magnética global pode provocar apagões no planeta inteiro, devido à sobrecarga nas linhas de transmissão. Como aconteceu no Canadá, no século passado, durante uma tempestade solar excepcionalmente violenta.
Além disso, a radiação que é desviada pelo campo magnético poderia inutilizar os satélites de navegação, como o GPS, e os satélites de comunicações. O mundo ficaria sem internet e sem sistemas de navegação. E os pilotos e marinheiros não poderiam nem recorrer à velha bússola. Se o campo magnético desaparecer, como acontece durante uma inversão dos polos, as bússolas deixarão de apontar para o norte.
Ouvida pelo Space.com, a cientista alemã Monika Korte disse que não é preciso entrar em pânico, embora os sinais de uma inversão dos polos magnéticos sejam visíveis o fenômeno só vai ocorrer daqui a mil anos, mais ou menos. Enquanto isso os cientistas continuam a monitorar o campo magnético, usando novos instrumentos, como a rede de satélites geofísicos Swarm .
Em 2013 a Agência Espacial Europeia lançou os satélites Swarm (Enxame), que medem as variações no campo magnético do planeta com uma precisão inédita. Por enquanto o que se sabe é que o campo magnético do núcleo, que responde por 75% do magnetismo terrestre esta enfraquecendo 7 % a cada cem anos. Esse campo magnético é produzido por correntes elétricas que percorrem a parte externa, líquida, do núcleo de ferro do planeta. Em 2003 o filme catástrofe “O núcleo –missão ao centro da Terra” imaginou todo o tipo de catástrofes durante um desligamento do campo magnético terrestre. Na vida real não teremos nada tão dramático.

Por: Jorge Luiz Calife

 


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