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Uma luz na floresta

Matéria publicada em 18 de agosto de 2015, 07:00 horas

 


Nossa região tem seu folclore de histórias fantásticas; a dessa semana fala sobre uma estranha luz

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Cinematográfico: História lembra cena do filme de Spielberg  (Foto: Divulgação)

Cinematográfico: História lembra cena do filme de Spielberg
(Foto: Divulgação)

Já comentei aqui nestas crônicas como nossa região é rica em histórias fantásticas. Casos passados de geração em geração onde os protagonistas afirmam, com convicção, terem vivido realmente essas experiências. A história que segue me foi contada por dois moradores de Pinheiral, ambos atualmente com mais de 70 anos de idade. Vamos chamá-los de Paulo e Gustavo, seus nomes reais não importam. Primeiro ouvi essa narrativa do senhor Paulo. Semanas depois encontrei com o Gustavo e ele repetiu a história com total coincidência de detalhes. O que é bem notável.
Paulo é hoje uma pessoa preocupada com a conservação do meio ambiente. Plantador de árvores e defensor incondicional da natureza. Mas na sua juventude ele foi um praticante do esporte cruel da caça. Paulo e Gustavo saíam durante a noite para caçar pacas e porcos do mato nas florestas entre Pinheiral e Barra do Piraí. Na década de 1970 ainda se encontravam trechos de floresta densa em ambos os lados do Rio Paraíba. Hoje são mais raros e só restam alguns bosques.
O método de caça ainda é usado por caçadores ilegais. Eles visitam a floresta durante o dia e marcam as trilhas que os animais usam para ir beber água ou procurar alimento. Aí constroem umas plataformas de madeira, embaixo das árvores, montadas sobre bambus uns dois metros acima da trilha. De noite eles vão até lá e ficam de tocaia em cima desses “poleiros”, esperando pelos animais. Equipados com uma lanterna potente e uma espingarda. Quando ouvem o ruído de um animal eles acendem a lanterna na cara do bicho. O pobre do animal para ofuscado e é abatido.
Durante uma noite de lua nova, nos anos de 1970, Paulo e Gustavo entraram em uma floresta que fica em terras do município de Barra do Piraí. Perto de onde fica a sede campestre da associação dos aposentados no lado de Pinheiral, na margem oposta do Paraíba. A mata estava anormalmente silenciosa naquela noite, e os bichos não apareceram. Mas os dois caçadores ficaram esperando. Cada um em cima de sua plataforma, separados por uma distância de uns duzentos metros.
Na mata fechada estava escuro como breu. Como eu disse era lua nova, e de qualquer forma as copas das árvores tapavam a visão do céu estrelado. Por volta das onze horas da noite os dois caçadores notaram uma coisa muito estranha. A floresta foi sendo invadida gradualmente por uma claridade como se o dia estivesse raiando. Mas eram onze horas da noite, as luzes da alvorada ainda estavam muito distantes. Em um silêncio absoluto a luz foi aumentando de intensidade enquanto os caçadores se encolhiam embaixo das árvores, apavorados.
Gustavo lembra ainda hoje, que olhando para baixo, em direção ao chão, ele viu formigas andando sobre as folhas secas do chão. Ele não se arriscou a olhar para cima, em direção a copa da árvore, e explica porque: “Eu ficaria cego se encarasse uma luz daquela intensidade”.
Depois de um minuto de pavor a luz começou a diminuir e a escuridão retornou gradualmente a floresta. Trêmulo, Paulo desceu da sua plataforma e foi ao encontro do amigo perguntando: “Você também viu aquilo?”. Gustavo lembrou da lenda da “mãe do ouro”, uma luz sobrenatural que percorreria nossas florestas. Ao que Paulo, mais moderno, respondeu: “Que mãe do ouro que nada! Aquilo era algum disco voador caçando a gente!”.
Há uma ironia curiosa nesse caso. Os dois caçadores estavam a espreita, esperando para surpreender os animais indefesos. E foram surpreendidos por um outro tipo de caçador, que também estava a espreita aquela noite. O caso dos dois amigos fica naquela fronteira nebulosa entre o sobrenatural e a ufologia. E lembra muito a cena aí na foto, do filme “Contatos Imediatos”, onde o herói é surpreendido pelos OVNIs em uma estrada.

Jorge Luiz Calife | jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. na hora que a historia tava ficando boa ela acaba………….

  2. A maria joana já rolava solta em Vargem Alegre nos idos de 1970… ou era só uma caninha?

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