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Uma nova Terra, bem perto de nós

Matéria publicada em 1 de setembro de 2016, 07:30 horas

 


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Astrônomos do Observatório Europeu do Sul, em La Silla, no Chile, descobriram um planeta um pouco maior do que a Terra orbitando a estrela Próxima Centauri. Que é a estrela mais próxima de nós depois do Sol. Próxima Centauri fica a 4,3 anos luz da Terra, cerca de 40 trilhões de quilômetros. O que é uma distância pequena em termos espaciais. Um veleiro espacial impulsionado por raios laser poderia chegar lá em duas décadas de viagem. Mas o que deixou os cientistas empolgados é que Próxima b, como o novo planeta está sendo chamado, fica na chamada zona habitável, onde é possível a existência de água líquida.

A descoberta foi feita através de um método que mede as oscilações de uma estrela provocadas pelo movimento de um planeta vizinho. É diferente do método usado pelo telescópio Kepler, da agência espacial Nasa, que detecta a passagem dos planetas diante da face luminosa das estrelas. No caso de Próxima b esse método não poderia ser usado porque sua órbita não se encontra em um plano perpendicular em relação a Terra. Foi preciso medir as oscilações da estrela durante 16 anos para confirmar a descoberta.

As medições mostram que Próxima b é apenas 1,3 vezes mais maciço do que a Terra. Próxima Centauri é uma estrela anã vermelha bem menor do que o Sol. Ela tem 1,4 vezes o diâmetro do planeta Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Mas como Próxima b fica a apenas 5% da distância que separa o Sol da Terra, ele recebe uma grande quantidade de energia.

Por exemplo, a intensidade dos raios X na superfície de Próxima b é 400 vezes maior do que a encontrada na superfície da Terra. O que pode ser um obstáculo para o desenvolvimento da vida. Todavia, estrelas anãs vermelhas tem uma existência muito mais longa do que o Sol amarelo que nós orbitamos. O que significa que os eventuais habitantes de Próxima b teriam mais tempo para evoluir e se adaptarem as condições do planeta. Outro problema é que a proximidade de Próxima b com seu sol pode deixar o planeta imobilizado pela força de maré, com o mesmo lado perpetuamente voltado para seu astro central. Como acontece com a Lua em relação a Terra. Mas também é possível que ele gire em torno de seu eixo três vezes em cada revolução, como acontece com o planeta Mercúrio.

O planeta

Se isso for verdade um lado do planeta teria um dia eterno, com temperaturas chegando a 30 graus centígrados e um lado escuro e gelado com temperaturas de 30 graus negativos. O que é uma faixa de temperatura onde a vida pode se adaptar. Por enquanto tudo o que sabemos sobre Próxima b é sua massa, seu tamanho e a distância de seu sol vermelho. O ano em Próxima b equivale a 11,2 dias da Terra, e o dia pode ser três vezes mais longo do que o ano.

Tentando imaginar o que uma pessoa veria se fosse transportada até a superfície de Próxima b, um artista da Agência Espacial Europeia criou a ilustração aí ao lado.

Ela mostra o sol vermelho de Próxima b pairando perto do horizonte, sobre uma paisagem rochosa. Ao lado há duas estrelas brilhantes, que representam a estrela dupla Alfa Centauri AB. Mas é bom lembrar que não sabemos se o planeta tem uma superfície rochosa, como mostrado na ilustração. Ele pode ser um mundo gasoso, ou coberto por um oceano profundo, como a lua Europa do planeta Júpiter.

Com o avanço da tecnologia será possível obter imagens de Próxima b usando os novos detectores de luz que vão equipar a próxima geração de telescópios. Como o James Webb, que será colocado em órbita no final da década. Os engenheiros especiais também estão projetando sondas equipadas com velas refletoras de luz. Acelerada por raios laser uma dessas sondas poderia atingir uma fração substancial da velocidade da luz. E atingir Próxima b depois de uma viagem de 20 anos. Uma coisa é certa, o planeta será o destino de nossas primeiras naves interestelares.

 Mundo velho: Próxima b pode ser mais antigo que a Terra


Mundo velho: Próxima b pode ser mais antigo que a Terra

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Sem essa. Nós somos TERRÁQUEOS, não há a mínima possibilidade de vivermos fora daqui sem que se use implementos artificiais extremamente avançados, tecnologias das quais não dispomos e sequer cogitamos possam um dia ser inventados…

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