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Uma primavera muito estranha

Matéria publicada em 6 de novembro de 2018, 08:00 horas

 


Estação teve sucessão de dias com calor de verão e frio típico de inverno

Mais um: O icebergue visto do DC-8 da Nasa

Já não se fazem mais primaveras como antigamente. Essa que está aí pelo menos até agora não teve nada de primavera, e já passamos do meio da estação das flores. Aqui na região estamos assistindo a passagem de um desfile de frentes frias. Que intercalam dias de calor intenso, típicos de verão, com um frio característico de inverno. Lá em cima, no hemisfério norte, o outono tem sido catastrófico e até a cinematográfica cidade de Veneza já foi inundada pelos aguaceiros.
Aqui, no hemisfério sul, temos sido poupados do pior. A semana passada foi típica desse novo estilo de primavera. Na tarde de segunda feira os termômetros estavam marcando 18 graus, como se estivéssemos num dia frio de julho ou agosto. Dois dias depois, na quarta feira, a temperatura subiu para mais de 35 graus, um calor daqueles de verão no Rio de Janeiro. Era a chamada pré-frontal que antecede a chegada de outra frente fria. E aí, depois dos temporais de costume o termômetro despencou de novo.
Os bichos parecem não se importar. Lá na minha rua é uma algazarra de cigarras e maitacas o dia inteiro. Pra eles não importa se está quente ou frio. O ser humano já é mais sensível e a gangorra das temperaturas, quente, frio, quente, frio, aumenta os casos de resfriados e outras doenças respiratórias. Lembro-me de uma época, nem tão distante assim, em que a primavera era a época das temperaturas amenas, das tardes ensolaradas e das noites estreladas. Agora não, o céu esta sempre nublado e raramente se enxerga a Lua, para nem falar de estrelas.
Para os europeus o outono está sendo muito pior do que a nossa primavera com cara de inverno. Semana passada caiu uma chuva torrencial na Itália que fez transbordarem os rios, provocou ventanias violentas e criou um cenário de filme catástrofe. A cidade de Veneza com a Praça de São Marcos totalmente inundada. No lugar dos pombos, que nos acostumamos a ver nos filmes e documentários, tinha gente andando com água pela cintura.
Já os americanos, cujo presidente não acredita em aquecimento global tiveram dois furacões catastróficos até agora. E até dezembro vai ter muito mais.
O verão ainda não chegou e a Antártida já começou a descongelar. Outro dia o avião DC-8 do projeto Icebridge da NASA fotografou um imenso iceberg retangular se soltando da já combalida geleira de Larsen. A humanidade continua a destruir o planeta em módicas prestações e ninguém faz nada. Semana passada foi divulgado mais um daqueles relatórios bianuais do World Wildlife Fund com resultados preocupantes. Segundo o WWF 60% dos animais do planeta morreram nos últimos quarenta anos. Aves e animais marinhos estão morrendo intoxicados pelos restos de plástico que tomam conta dos oceanos. 20% da floresta amazônica sumiu, e os especialistas afirmam que se chegar a 25% os danos serão irreversíveis.
Como Donald Trump o novo presidente eleito não está nem aí para isso. E morre de amores pela bancada ruralista e outros defensores do desmatamento. Uma área de floresta equivalente a duas vezes o estado de São Paulo virou pasto para o gado. E acabou sendo abandonada devido à escassez de chuvas. Sem a floresta vêm a seca, as nascentes desaparecem, os rios viram atoleiros. E se o leitor esta se perguntando o que é que isso tem a ver com a primavera maluca, lá em cima, eu explico que tem tudo a ver.
É a destruição das florestas, e da natureza em geral que deixa o clima maluco. E provoca aquelas epidemias de doenças tropicais que já estão virando rotina no Brasil. A seca, que era um problema restrito ao nordeste se espalhou pelo Brasil. E daqui pouco vai ser tarde demais para reverter à situação.
E aí não vai adiantar choro nem vela.


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