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Uma radiografia da derrocada da esquerda

Matéria publicada em 28 de abril de 2019, 15:16 horas

 


Não foi anti-lulismo, não foi a corrupção; foi o fim da paciência com as pessoas que querem dizer como devemos viver

Bolsonaro se beneficiou da irritação das pessoas com o politicamente correto – Foto: Marcos Correa/Presidência da República

Este colunista tem visto com frequência as listas e recomendações politicamente corretas apresentadas por supostas lideranças de movimentos ligados à defesa dos direitos dos negros, das mulheres, dos LGBT(mais a sopa de letrinhas da vez), enfim, de várias minorias, querendo ensinar às pessoas como devem agir. Até pouco tempo atrás, este escriba achava que esse blá-blá-blá era apenas a boa e velha chatice de quem se acha dono da verdade e da sensibilidade, mas uma entrevista dada pela ativista feminista norte-americana Camille Paglia demonstrou que o buraco é mais embaixo: ela mostrou que a chatice do politicamente correto levou a direita ao poder.
Após a derrota de Fernando Haddad no segundo turno (ou melhor, após ele ter ficado em segundo lugar, para não ofender os petistas), houve muita gente atribuindo a vitória de Bolsonaro a um “antipetismo”, devido aos escândalos de corrupção que levaram à prisão de Lula e ao impeachment de Dilma, ou à crise econômica que a gastança desenfreada do PT provocou.
Nada disso: se os eleitores quisessem simplesmente um candidato “ficha limpa” e que tivesse um programa econômico liberalizante e austero com o dinheiro público, teriam votado no João Amoêdo – talvez o candidato mais preparado em questões econômicas. Se quisessem alguém que fosse uma alternativa ao PT, sem os escândalos, teriam votado no Ciro Gomes.
Mas eles queriam mesmo era um cara que libertasse os eleitores da quase obrigação de chamar os negros de afrodescendentes, que acabasse com a necessidade tomar cuidado ao tratar com os não-heterossexuais para não ofendê-los, que valorizasse a religião em vez de dar vez e voz aos ateus. E esse cara era Bolsonaro.

O que diz Camille

Uma das coisas que Paglia afirma na entrevista é que as pessoas (os eleitores) não gostam de ter suas convicções questionadas. Ela afirmou que “as pessoas estão preocupadas com a perda de sua própria identidade cultural e penso que muito disso tem a ver com religião”. Nesse ponto, a ativista e professora universitária ateia admite que a “elite educada”, que é como a intelectualidade de esquerda se vê, “se afastou da religião tradicional e agora apresenta um humanismo secular”.
Em resumo, a grande maioria da população (e dos eleitores) acredita em Deus ou outro ser superior. Eles têm uma enorme variedade de crenças e denominações, mas certamente têm também algo em comum: não querem que a tal “elite humanista secular” olhe com eles com a condescendência de quem olha para crianças e despreza sua fé. Ponto para a direita, que se aliou aos setores mais conservadores (e populares) da maioria das religiões.
Outro ponto que irrita a esquerda é admitir que a maioria da população não quer que a questão do gênero (principalmente no que diz respeito aos LGBT- mais sopinha de letras que muda toda semana) seja levada aos anos iniciais da educação formal.
Vejam o que Camille Paglia, feminista e lésbica assumida, diz sobre esse assunto:
“Crianças não estão preparadas para tomar decisões sobre se querem ter cirurgias para modificar permanentemente seus corpos. Isso é um abuso dos direitos humanos. Por causa da falha de jornalistas e professores liberais em confrontar isso, o que está acontecendo é que as pessoas estão se movendo para a direita”.
E, aqui entre nós, aplica-se a outras minorias (como as raciais) o mesmo raciocínio: recentemente, chegou ao colunista uma lista de palavras que alguém decidiu que são ofensivas aos negros. Entre elas, o substantivo composto “criado mudo” e o verbo “denegrir”. O colunista não promete, mas, se recuperar a lista, pretende usar todas essas palavras em um texto.
Só pra mostrar que é feio ficar tentando dizer aos outros o que fazer.
A íntegra da entrevista de Camille Paglia está neste link: https://bit.ly/2DzzYOF.


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2 comentários

  1. Avatar

    O que dizer do jornalista Paulo Moreira que teve coragem de escrever esse texto?!
    Como diria o Papa Bento XVI: “Falar para encontrar aplausos, falar orientando-se segundo o que os homens querem ouvir, falar em obediência à ditadura das opiniões comuns, é considerado uma espécie de prostituição da palavra e da alma. A “castidade” à qual o apóstolo Pedro faz alusão não é submeter-se a estes protótipos, não é procurar aplausos, mas procurar a obediência à verdade…”.

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