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Varrendo o lixo do espaço

Matéria publicada em 13 de agosto de 2015, 07:00 horas

 


Empresa propõe solução prevista nos quadrinhos do Flash Gordon; roteiro previu, com 50 anos de vantagem, o que está sendo proposto agora

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Projeto: Rede vai capturar satélites no espaço  (Foto: Divulgação)

Projeto: Rede vai capturar satélites no espaço
(Foto: Divulgação)

O lixo é um problema na Terra e no Espaço. Ainda não chegamos a uma situação como a mostrada no filme “Gravidade”, mas a quantidade de restos de foguetes e satélites começa a preocupar os engenheiros. Uma solução está sendo proposta pelo projeto Clean Space One, que envolve especialistas americanos e europeus. A ideia é enviar uma nave com uma espécie de rede coletora para varrer as órbitas próximas a Terra, recolhendo tudo o que não presta. Não é uma ideia nova e foi proposta nos anos de 1960, na história em quadrinhos do herói Flash Gordon, desenhada pelo americano Dan Barry.
Nos quadrinhos Flash e sua namorada, Dale, pilotavam uma nave aspiradora que recolhia os satélites velhos e sem uso. O roteiro é do escritor de ficção científica Harry Harrison e previu, com 50 anos de vantagem, o que está sendo proposto agora. Aperfeiçoar o projeto do Flash Gordon está exigindo a união de várias instituições de pesquisa em dois continentes.
Participam do Clean Space One a Ecole Polytechnique Federale, de Lausanne (Suíça), o centro eSpace, o Center for Space Engineering, e a Universidade de Ciências e Artes Aplicadas da Suíça.
O primeiro teste tentará capturar o satélite Swiss Cube, que foi lançado em 2009. O Swiss Cube só tem dez centímetros de largura e é um exemplo típico dos fragmentos soltos no espaço. O maior problema em relação ao lixo espacial não são os grandes satélites e estágios de foguetes, que acabam reentrando na atmosfera e se queimando. O problema são os satélites pequenos e fragmentos de satélites e estágios de foguetes que explodiram no espaço. Esses fragmentos pequenos podem ficar lá em cima durante séculos. E como orbitam a Terra a uma velocidade de 28 mil quilômetros por hora, seu impacto pode destruir uma nave espacial.
No filme “Gravidade”, do diretor Alfonso Cuaron, uma nuvem de fragmentos fica orbitando a Terra depois de um teste com uma arma anti satélite russa. Sandra Bullock e George Clooney são dois astronautas que ficam a deriva no espaço depois que os fragmentos destroem o ônibus espacial onde viajavam. Bullock busca refúgio na Estação Espacial Internacional, mas ela também é destruída pela nuvem de fragmentos.
Na vida real essa tempestade de fragmentos é um evento muito improvável. Os chineses fizeram um teste semelhante, com um míssil anti satélite em 2009 e não criou uma nuvem de fragmentos como no filme. O problema é o lixo que se forma cada vez que um foguete é lançado e deixa pedaços em órbita, como os cones que protegem os satélites durante a subida até o espaço. Os astronautas que trabalham na Estação Espacial Internacional também perdem ferramentas que ficam flutuando.
Se tudo correr bem com o projeto, o primeiro teste com a nave coletora de lixo será feito em 2018. Ao contrário do que imaginou o roteirista do Flash Gordon não será necessário enviar uma nave tripulada. Tudo será feito por um satélite robótico com uma espécie de rede adaptada na parte da frente. O mais difícil será produzir um sistema de controle que faça o coletor de lixo se aproximar lentamente do satélite quebrado para envolvê-lo na rede. Qualquer erro na aproximação fará o fragmento de lixo ricochetear no espaço.
Outra ideia proposta na década passada foi o uso de lasers, para vaporizar os pedaços de foguetes e satélites. O sistema usaria a tecnologia que foi pesquisada durante o projeto Guerra nas Estrelas do governo Ronald Reagan. Na época, tanto americanos quanto russos queriam construir enormes canhões de raios lasers para destruir mísseis e satélites no espaço. O problema é que o laser pode simplesmente fragmentar o pedaço de lixo espacial. Criando ainda mais lixo.

Jorge Luiz Calife | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

 


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