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Ventania, meu cavalo de verdade

Matéria publicada em 29 de dezembro de 2018, 07:49 horas

 


Sonhos para um ano novo

A coluna de hoje é pretensiosa e ousada ou seria simples e despretensiosa? Pois promete falar da importância de conversarmos sobre nossos sonhos, já que 2019 grita a nossa porta, cheio de força, cheio de vontade como uma criança recém-nascida, convidando-nos aos primeiros passos e aos primeiros sorrisos. Cabe, portanto, fazermos algumas perguntas importantes para este momento de fechamento de ciclo e introdução de uma nova caminhada:
Como nós sonhamos e por que nós sonhamos? Por que os sonhos não são disciplinas estudadas nas escolas e nas faculdades?
O porquê sempre nos remete a propósito, a motivos, a algo muito íntimo.
Exemplo: Eu escrevo esta coluna porque desejo me comunicar com os leitores, com os meus amigos, alunos e desejo que minha voz seja ouvida, eu desejo falar, portanto.
Esse é o meu porquê, é o meu motivo.
E os meus sonhos? Quais são?
Talvez um carro novo? Mais alunos? Novas turmas? Novos livros? Uma grande viagem? Um ano sabático em outro país? Uma família com saúde infinita? Milhões de dólares? Mais empresas? Mais colunas? Mais tempo?
É importante que saibamos escrever os nossos sonhos, já que a escrita, muitas vezes, é capaz de materializar aquilo que está em nossos pensamentos. A escrita apresenta-se como ferramenta poderosa em todos os processos educacionais e em todos os projetos a serem construídos. E os sonhos não seriam projetos?
Então vamos conversar sobre educação. O que ensinamos aos nossos funcionários, aos nossos alunos, aos nossos familiares e aos nossos filhos? É importante que eles saibam o poder das palavras? É importante que eles saibam sonhar?
Eu acredito que seja muito importante que todos aprendam acerca do poder da palavra escrita. E, em tempos de conhecimento holístico, de física quântica, eu não duvido de nada. Os céticos que me perdoem, mas entre desacreditar, duvidar e acreditar, eu prefiro acreditar, eu prefiro a fé e a esperança. Prefiro acreditar de verdade, acreditar que as palavras escritas e os desenhos sobre os nossos sonhos são capazes de se materializar.
Eu mesmo, todo fim de ano escrevo minha lista de sonhos, este ano confesso que ainda não escrevi, mas espero, hoje ainda, escrevê-la.
Já que a coluna se trata de educação, eu quero trazer uma experiência, e o que eu aprendi com ela.
O meu filho Theo, de dois anos, trabalhou o ano inteiro no seu colégio com o cavalo Ventania. Foi uma história de um cavalinho que ouviu de sua adorável professora Elisa. O menino desenhou o cavalo Ventania, montou-o e o coloriu. O rapazinho criou o seu lindo cavalo de papel, chamado Ventania. Theo sempre me contou sobre o cavalo e, ao final do ano letivo, levou todos os trabalhos para casa. No último dia de aula ele falou cheio de entusiasmo para a irmã: “Irmã, esse é o meu cavalo Ventania! Vamos andar no Ventania?” e o Theo, juntamente com a Raphaela, se puseram a andar e brincar com o cavalo Ventania pela casa. E, desde então, a nova morada do Ventania é no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.
Neste final de ano resolvi ir com a minha família para a serra, meio do mato, sem internet, sem TV, sem celular, e os únicos sinais que tínhamos eram de grilos, vagalumes e sanhaços. Para o Theo, estávamos em uma floresta. Mas como tantos outros lugares turísticos, nos ofereceram um passeio a cavalo, logo perguntei “Vamos Theo?” “Vamos”, ele aceitou. “Vamos Raphaela?” “Claro”, ela, aventureira que só ela, corajosa que só ela, também aceitou. Raphaela montou “Ratah”, um belo cavalo, já o Theo subiu no cavalo junto comigo dizendo que me daria uma carona, e eu peguei carona com o cavaleiro Theo. Até que Raphaela, não sei ao certo o porquê, teve a ideia de perguntar ao responsável pelos cavalos qual era o nome do cavalo em que o Theo estava montado. E eu, naquele exato momento fiquei extremamente emocionado, pois o cavalo em que o Theo e o seu pai montávamos se chamava Ventania. Isso mesmo, Ventania.
Querido leitor, é com os olhos brilhantes e ainda emocionado que eu digo que quem materializou aquele passeio com o cavalo Ventania foi a capacidade do meu filho Theo de desenhar, de pintar e de materializar com tanto carinho, o ano inteiro o cavalo Ventania, ou será que foi apenas mais uma coincidência da vida, como tantas outras?
Sobre educação, eu preferi ensinar aos meus filhos, no momento do nosso passeio a cavalo, que podemos criar e construir o nosso destino todo o tempo, o tempo todo. Eu decidi educar com a esperança. Aos meus alunos e amigos eu sempre uso a frase de autoria de Fernando Pessoa – O homem é do tamanho do seu sonho – mas adoro a frase que sempre disse a todos os meus alunos e é de minha autoria – Ninguém trabalha mais que nós. Pois os sonhos sempre devem vir atrelados à ação. Mas isso é uma outra coluna. Voltemos ao Ventania.
O que decidimos, todos nós, então, materializar para 2019? Para os sonhadores e cheios de esperança parece mais fácil. Mas, e para os céticos que não acreditam em nada? Talvez seja o momento de desafiar a física quântica ou o universo e o mundo intangível, que tal fazermos, todos, uma lista de desejos mensuráveis para 2019? De sonhos e projetos e guardá-la sob sete chaves para abrirmos daqui a 12 meses? Eu convido a cada leitor a fazer isso. Vamos materializar os nossos sonhos? As nossas metas? Vamos sonhar um pouco mais?
Vamos montar, cada qual, o seu Ventania e galopar por 2019, 2020, 2021…?
Em tempos de século XXI, de modernidade líquida e de obsolescência programada, aprender sobre sonhos, talvez seja tão fundamental quanto aprender sobre pontes, Matemática, Física, Línguas e todas as ciências.
Porque vale a pergunta: Será que são as pontes que constroem os sonhos ou não seriam os sonhos que constroem as pontes?

Boa leitura, FELIZ 2019! TMJ!
Raphael Haussman. É professor, Coach, consultor e apaixonado por educação e desenvolvimento humano e, ainda, pai da Raphaela e do Theo.

Nosso dicionário:
Materializar – Dar ou tomar uma consistência, uma natureza material; transformar(-se) numa realidade; concretizar(-se).
Declarar – Tornar público, oralmente ou por escrito; anunciar(-se), revelar(-se), manifestar(-se).
Conhecimento holístico – É a ideia de que as propriedades de um sistema, quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não podem ser explicadas apenas pela soma de seus componentes ou partes. É uma maneira de ver o mundo, onde o homem e o universo formam uma entidade única, completa e intimamente associada, cujas propriedades não podem ser reduzidas às propriedades das partes, e cujas propriedades são destruídas quando por ventura o sistema for fragmentado.
Física quântica – É um ramo teórico da ciência que estuda todos os fenômenos que acontecem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons, por exemplo.
Fé – Fé é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão.
Esperança – É o substantivo feminino que indica o ato de esperar alguma coisa, pode ser também um sinônimo de confiança. Ter esperança é acreditar que alguma coisa muito desejada vai acontecer.
Céticos – É um adjetivo que serve para caracterizar um indivíduo que é apoiante do ceticismo. O cético é uma pessoa que não acredita, que duvida ou se apresenta como incrédulo e descrente.
Sanhaço – É uma ave passeriforme da família Thraupidae.
Modernidade Líquida – Podemos dizer que a modernidade líquida é a época atual em que vivemos. É o conjunto de relações e instituições, além de sua lógica de operações, que se impõe e que dão base para a contemporaneidade. É uma época de liquidez, de fluidez, de volatilidade, de incerteza e insegurança.
Obsolescência programada – É a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto.
Fernando Pessoa – Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.


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Um comentário

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    Eu sonho com um país sem partidos comunistas, ou seja, sem partidos estranhos à nossa tradição judaico-cristã!
    Eu sonho com um país sem o PT, ou seja, sem um partido que manchou o nome do Brasil no exterior criando o Maior Esquema de Corrupção do Mundo!
    Eu sonho com um país que siga os princípios cristãos, ou seja, não siga os princípios que os políticos de esquerda tentaram implantar no país nos últimos treze anos e meio como a liberação do aborto; a profissionalização da prostituição; a retirada dos símbolos cristãos dos órgãos públicos; a coerção estatal contra líderes religiosos que defendem os princípios evangélicos; o incentivo financeiro dado às manifestações do “Orgulho Gay”; a promoção do relativismo ético; o incentivo ao sincretismo religioso; a transformação da palavra família, que na era petista podia se referir a todo tipo de parceria justicado pelo relativismo moral: o reconhecimento jurídico e social do homossexualismo; o direito ao matrimônio de pares homossexuais; o direito de adoção por parte de tais agrupamentos; a afirmação do aborto a título de direito humano reprodutivo da mulher; a ideologia de gênero; etc…
    Como diria Martin Luther King: “I have a dream…”

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