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Viajando pelo espaço, na telinha do computador

Matéria publicada em 16 de agosto de 2016, 14:20 horas

 


Nem todo game deixa o usuário estressado; pilotar as naves do Space Simulator era um bom passatempo

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Esse joguinho do Pokémon anda deixando os jovens maluquinhos. Outro dia um deles foi atropelado enquanto atravessava a rua de olho na tela do celular. Uma psicóloga, ouvida pelo DIÁRIO Do VALE, alertou sobre os riscos do game deixar os usuários ansiosos ou estressados. Felizmente estou velho demais para esse tipo de coisa. E sempre preferi os jogos e programas mais tranquilos, porque de estressante já basta a vida. Lembro de um jogo antigo, do século passado, que era um dos meus favoritos, quando comprei o meu primeiro computador, o Misty.

No Misty não tinha correria nem estresse. O objetivo era explorar uma ilha misteriosa, com uma paisagem de sonho. À medida que percorríamos as alamedas e caminhos daquele lugar tranquilo íamos encontrando chaves para acessar os prédios, como o bonito observatório que ficava a beira mar.

Como era de se esperar, no final do século XX, inventaram uma versão espacial do Misty. O Rama, baseado em um romance do escritor Arthur Clarke. No Rama a ilha a ser explorada era uma imensa nave extraterrestre, perdida no espaço. Que tinha toda uma geografia modelada na superfície interna de um imenso cilindro. Rama também era um jogo tranquilo, mas exigia um bocado de matemática para se chegar ao final. Por isso não fez muito sucesso.

Para contatar os alienígenas de Rama, as octoaranhas, era preciso saber um pouco sobre bases numéricas. Por exemplo, nós contamos pelo sistema decimal, com nove algarismos mais o zero. As octoaranhas contavam por um sistema de base doze. Era preciso fazer a conversão na hora do contato. Felizmente eu tinha tudo sobre bases numéricas no livro de matemática que usei no segundo grau e passei no teste fácil.

Simulador

Na mesma época, aí por volta de 1996, 1997, surgiu o primeiro simulador espacial para computadores domésticos. Era o Space Simulator vendido pela Microsoft do Bill Gates. Ele permitia pilotar uma série de espaçonaves por um universo virtual. Visitando luas e planetas. Tudo era baseado nas leis da mecânica celeste por isso não tinha essa correria dos filmes de Star Wars. Que confundem aeronáutica com astronáutica.

Pilotar as naves do Space Simulator era um passatempo anti estresse. Eu colocava as coordenadas de Saturno no sistema de navegação e ficava olhando o planeta dos anéis ir crescendo aos poucos na tela. Naquele tempo os gráficos não eram muito elaborados, mas já tinham os detalhes essenciais para o usuário apreciar a paisagem. Depois que a nave entrava em órbita ao redor do senhor dos anéis eu ia fazer um cafezinho. E ficava tomando café e vendo Saturno passar pelas fases crescente e minguante lá na tela do computador.

Mas isso foi no tempo do 486 e dos primeiros Pentiums. Hoje em dia, no século XXI, existe um simulador espacial muito mais elaborado. Que pode ser baixado gratuitamente da internet. É o Celestia, criado pelo programador Chris Laurel. Ele vem com 100 mil estrelas, dez mil galáxias e uma frota de naves com gráficos 3D. A simulação é tão realista que tem sido usada pela Nasa, a agência espacial americana em seus programas educativos.

No Celestia a minha nave favorita é a Valley Forge, do filme Corrida Silenciosa. Que pode ser baixada junto com suas irmãs, a Berkshire e a Sequoia. A Valley Forge é um cargueiro espacial que transporta uma série de biosferas, contendo o que restou dos bosques e florestas da Terra. Com ela dá para navegar pelo sistema solar, em qualquer direção, em qualquer velocidade ou época do passado ou do futuro. Estacionando ao lado de luas e asteroides.

É por isso que eu nunca vou caçar Pokémon. Prefiro tomar um chocolate quente, recostado em uma poltrona, com o Branco deitado aos meus pés. Enquanto levo a Valley Forge para dentro dos anéis de Saturno, até estacioná-la tranquilamente, sem pressa, bem no meio da divisão de Cassini.

Celestia: A Valley Forge nos anéis de Saturno (Foto: Divulgação)

Celestia: A Valley Forge nos anéis de Saturno (Foto: Divulgação)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    Não conhecia esse lado “nerd” de Calife… Sim, computador é uma vida paralela que os alienígenas nos legaram…

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